Mercedes-Benz GLE 250 d 4Matic: Na crista da onda

Patamar de acesso ao Mercedes GLE, a motorização 250 d equilibra a economia com a facilidade de utilização. Uma versatilidade herdada do ML e aqui potenciada pela tração integral 4Matic

Injustamente presos ao alcatrão, os SUV têm nos sistemas de tração integral uma solução prática para os problemas de agilidade criados pelos centros de gravidade elevados. Mesmo sem fazer milagres, a repartição de binário pelos dois eixos é mais eficaz a controlar a inércia gerada por mais de duas toneladas em movimento que o ESP sozinho. Há ganhos em segurança e desempenho suficientes para, no caso deste Mercedes GLE 250 d, justificar os 6350€ acrescentados pelo sistema 4Matic aos 68 950€ da versão base. Mesmo com a fasquia nos 75 300€, o Mercedes mantém-se abaixo dos 76 000€ do BMW X5 xDrive 25 d e dos 78 000 do Audi Q7 3.0 V6 TDI, este sempre com tração integral quattro.

Comparados com os 218 CV do X5 ou os 231 CV do Q7, os 204 CV debitados pelo bloco de quatro cilindros e 2143 cc do GLE sabem a pouco. Depende. Se o objetivo forem emoções fortes e muito binário para atacar corta-fogos, o melhor é procurar versões mais potentes. Se, por outro lado, as aventuras não forem além das férias e das ocasionais escapadinhas de fim-de-semana, o Mercedes GLE 250 d está perfeitamente à altura do desafio. Refinado e bem isolado do habitáculo, o motor tem na caixa 9G-Tronic – de série para todas as motorizações em substituição da 7G-Tronic de 7 velocidades – uma importante aliada. Com comando na coluna de direção e patilhas no volante, percorre as nove velocidades praticamente sem perdas entre passagens. Conforto máximo em cidade, intercalado com a tradicional relutância das transmissões automáticas da Mercedes em reduzir quando solicitado.

Puxar pelo motor

É preciso explorar toda a faixa de utilização do motor para conseguir mover com agilidade os 2150 kg de GLE. Estas solicitações não só fazem sobressair a sonoridade diesel, como disparam os consumos. Estes fixam a média ponderada nos 7,8 l/100 km, o valor oficial fica logo abaixo dos seis litros, o que não se pode considerar elevado para um SUV com 4,82 metros de comprimento.

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Aliando uma condução sensata à tração do sistema 4Matic o GLE consegue manter a neutralidade do comportamento mesmo em estradas secundárias. Com a suspensão adaptativa e autonivelante opcional Airmatic, o controlo de movimentos da carroçaria é ainda mais firme. Incluídos neste opcional de 2100€ estão os modos de condução Comfort e Sport. No último, o amortecimento torna-se ainda mais firme mas, devido ao curso generoso, consegue absorver a maioria das pancadas.

Em condições normais, o 4Matic reparte o binário 50:50 pelos dois eixos podendo entregar a totalidade dos 500 Nm a qualquer um deles sempre que necessário. Com o pack On&Off-Road, um opcional de 2350€, este GLE pode bloquear o diferencial central a 100% e, para atacar obstáculos mais complicados, tem redutoras e proteções inferiores para a carroçaria. ABS e ESP dispõem de regulações próprias para condução fora de estrada. O trabalho da mecânica e da eletrónica nas condições mais exigentes pode ser controlado a partir de uma animação num menu específico do Comand Online.

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Aceder aos sistemas de entretenimento é agora uma experiência mais simples e interativa. O novo Comand Online custa 3600€, apresenta-se num ecrã flutuante que concentra as atenções na zona central do tablier. Por baixo há teclas de acesso rápido aos diversos menus, com comandos redundantes na consola central e no volante. Este é novo, tal como o painel de instrumentos. Estas renovações completam a transformação do antigo ML no atual GLE, um processo que começou com pequenos retoques nas óticas, para-choques, espelhos e ponteiras de escape.

Veredito

Não é o mais dinâmico ou estiloso do segmento, mas se o que procura é um SUV de cinco lugares confortável, económico e agradável de conduzir, então o GLE 4Matic é a escolha certa. Quem não precisar da tração integral tem o mesmo SUV por menos 6350€.

Texto Ricardo Machado

Fotografia José Bispo

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