Toyota C-HR: Aposta na irreverência

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista
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A Toyota decidiu sair da sua zona de conforto estilistico e logo no importante segmento dos crossovers compactos. O novo C-HR, concorrente direto do líder Qasqhai, mantém as linhas irreverentes de quando era apenas um protótipo e inova no segmento, apostando num desenho inédito de carroçaria em formato de coupé, a exemplo do que as marcas Premium começaram por fazer nas gamas mais altas. Reforçando a sua confiança nos híbridos, a marca nipónica não prevê motores Diesel e C-HR apenas está disponível nas versões 1.2 T e 1.8 HSD (híbrido).

Experimentamos os dois em Madrid, aquando do seu lançamento europeu e, definitivamente, fomos conquistados pelas linhas do C-HR, que resulta melhor ao vivo, e pelo motor 1.2 T, com 116 cavalos e caixa manual de seis velocidades, um primor de precisão e de escalonamento. Com este motor a Toyota declara uma velocidade máxima de 190 km/h, contra os 170 km/h do híbrido.

Começando pela “menina dos olhos” da Toyota, o HSD tem na cidade o seu terreno de eleição. É suave, desembaraça-se bem no meio do trânsito e gasta pouco. Após um trajeto de cerca de 120 quilómetros, com a parte final a decorrer nas ruas da capital espanhola, o computador de bordo assinalou uma média redonda de 5l/100 km.

Mas a caixa de velocidades, que utiliza um sistema de variação contínua, corta todas as veleidades ao C-HR de se comportar como o desportivo que parece ser. Na prática, o condutor não tem qualquer controlo sobre a caixa e o modo Sport, que só pode ser selecionado no computador de bordo através do comando no volante, não ajuda muito. Umas patilhas no volante e um toque no software para simular as passagens de caixa atenuavam o problema.

O motor certo

Tudo muda de figura no 1.2T, que tem um comportamento em estrada tão dinâmico quanto as suas linhas deixam adivinhar. Curva bem, graças a um centro de gravidade baixo para um Crossover (tem apenas 1,55 metros de altura), trava bem e tem chassis e suspensões aptos a aguentar muitos mais cavalos em cima (no Estados Unidos o C-HR será vendido com motor 2.0 e 144 cavalos de potência).

O pequeno motor é um regalo a subir de rotações, entregando a potência muito cedo e a caixa de velocidades dá a uma ajuda preciosa na altura de atirar o carro para as curvas, como pudemos verificar no sinuoso traçado que fizemos nos arredores da capital espanhola. E, pressionando um botão à esquerda do volante, ativamos a função iMT, que simula a manobra ponta-tacão, mantendo as rotações elevadas durante alguns instantes.

Chegamos ao final do ensaio com uma média de 8l/100 km, após mais de 200 quilómetros feitos sem preocupação alguma com o consumo.

O espaço interior é suficiente para acomodar com conforto quatro adultos, sendo que o quinto irá sempre mais apertado que os restantes. De igual modo, os lugares traseiros são algo claustrofóbicos e a visibilidade traseira sofre com o formato coupé (felizmente que a câmara de marcha atrás faz parte do equipamento de série).

O design do interior agrada e o monitor touch, apesar de colocado em cima do tablier não retira visibilidade para o exterior. Não abundam os espaços de arrumação, mas os acabamento são de bom nível. A mala tem boa capacidade e as suas formas regulares permitem um completo aproveitamento do espaço disponível.

Tal como está, a diferença de preço entre o híbrido e o gasolina (menos 2 300 euros para o 1.2 T, podendo chegar aos 4 700 euros se optarmos pela versão Active do 1.2, que não existe no HSD) e a agradabilidade da condução poderão limitar um pouco as aspirações do híbrido.

Preços

O preço do C-HR começa nos 23 650 euros para o 1.2T versão Active, sobe para os 26 050 na Comfort e culmina nos 27 500 para a Comfort+Pack Style.

Para aceder ao HSD há que pagar 28 350 euros pela versão Comfort, 29 850 pela Comfort+Pack Style, subindo para os 31 350 euros da Exclusive e terminando nos 33 350 da Exclusive+Pack Style.

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