‘La Fiesta’ da Ford

Luis Guilherme
Luis Guilherme
Jornalista

O Fiesta acaba de comemorar 40 anos de existência e o lançamento do novo modelo não podia ter vindo em melhor altura, com os responsáveis da Ford a não terem pejo em assumir que este é o utilitário mais divertido de conduzir. Para tal foi alvo de uma revolução mecânica que incidiu em vários pontos chassis, com o intuito de melhorar a eficácia sem sacrificar o conforto. Fui experimentar o novo Fiesta a Valladolid, com direito a descanso numas termas.

O primeiro dia da apresentação do novo Fiesta foi um verdadeiro hino à mobilidade: moto até ao aeroporto, avião de Lisboa para Madrid, autocarro para Chamartín, comboio para Valladolid e automóvel para o hotel Castilla Termal Monasterio de Valbuena. A prova de que já não sou jovem é o apreço que sinto por chegar a umas termas depois de tanta mobilidade. Tudo isto para ver o modelo mais importante e mais vendido da Ford.

Feito com base numa evolução da plataforma do modelo anterior, o novo utilitário da Ford está muito mais refinado, em termos mecânicos, e mais eficiente, tendo havido um grande cuidado por parte dos engenheiros da marca em tornar o Fiesta no utilitário mais divertido de conduzir. Um objectivo que foi bem vincado no discurso da Ford e que pude comprovar ao longo dos dois dias de testes.

Com a distância entre-eixos aumentada em 4 mm, o Fiesta mede 4,04 m de comprimento, ou seja mais 7 cm face ao antecessor. O eixo dianteiro foi alargado 30 mm e o traseiro cresceu 10 mm, o que permitiu receber sem problemas jantes de 18’’ em algumas versões.

O peso subiu cerca de 15 kg, mas o nível de equipamento é incomparavelmente mais completo. Só no domínio da segurança existem sistemas como assistentência eléctrico que evita o abandono involuntário da faixa de rodagem, detector de peões, sistema de informação do ângulo morto e cruise-control adaptativo, além do assistente de estacionamento. Alguns destes sistemas fazem uso de duas câmaras, três radares e 12 sensores ultrasónicos que conseguem controlar tudo o que se passa à volta do veículo e monitorizar a estrada até uma distância de 130 metros.

Em termos de equipamento de conforto e entretenimento, os holofotes apontam para o sistema de comunicação e entretenimento SYNC3 com ecrã táctil de 8’’ com alta definição e o sistema de som B&O, uma marca que não é costume vermos associada a um utilitário.

Há 40 anos na estrada

Na estrada, sente-se este amadurecimento do Fiesta (já é um quarentão…), a posição de condução é muito boa, o volante tem óptima pega e o comportamento é eficaz sem sacificar em demasia o conforto. Isto foi conseguido com casquilhos maiores e de desenho optimizado, assim como a reconfiguração do eixo traseiro semi-rígido, com novos pontos de ancoragem, e o aumento de diâmetro dos amortecedores dianteiros. As barras estabilizadoras também foram alteradas para melhorar a resistência a movimentos da carroçaria, bem como a introdução do sistema Dynamic Torque Vectoring que, apoiado pelos sensores do ABS, facilita a inscrição em curvas mais exigentes.

Tudo o que está directamente relacionado com a condução foi francamento melhorado, a direcção que está mais ágil e precisa e os travões foram recalibrados para garantir distâncias mais curtas de imobilização. Segundo os engenheiros da Ford, a aderência do Fiesta em curva subiu 10%. Não conseguimos conformar in loco este valor, mas podemos dizer com segurança que é um dos modelos mais eficazes a curvar da sua classe.

Uma palavra também para a caixa manual de 6 velocidades, rápida e precisa, associada ao motor a gasolina 1.0 EcoBoost de 140 cv, o único que experimentámos nesta apresentação. Esta versão só chega em Setembro (o Fiesta já está à venda em Portugal), mas não deixa de impressionar pelo desempenho, mesmo para quem, como eu, torce o nariz a motores de três cilindros. O downsize veio para ficar e a verdade é que até a sonoridade acaba por ter o seu encanto, sobretudo em regimes elevados. O que também impressiona é a força em baixo regime para um motor tão pequeno, já que, mesmo em 6ª, a recuperação desde baixa velocidade é muito satisfatória.

Apesar da qualidade dos revestimentos, há um ou outro acabamento do habitáculo que podia ser mais apurado, como a moldura do espelho retrovisor (tem aspecto de plástico frágil) ou a junção do forro do tejadilho ao pára-brisas.

Neste momento, as versões de equipamento dividem-se entre Business (3 e 5 portas) e Titanium (só no 5 portas), com quatro motorizações a gasolina (ver tabela de preços) e uma a gasóleo, o 1.5 TDCi com 85 cv.

Em Setembro chegam as variantes de 140 cv e de 120 cv do motor 1.0 Turbo, bem como o Diesel 1.5 TDCI com 120 cv.

Também em Setembro chegam os níveis de equipamento ST Line e Vignale, com o primeiro a garantir ao Fiesta um carácter mais desportivo e o segundo uma filosofia mais luxuosa, como acontecia com os antigos Ford “Ghia”. Esta versão Vignale é uma estreia na gama e é idenficada pelas cores exteriores exclusivas, pelos bancos em couro com costuras hexagonais e com jantes exclusivas de 18 polegadas.

FICHA TÉCNICA

Ford Fiesta EcoBoost 140 cv

Cilindrada 998 cc
Potência 140 Cv/6000 rpm
Binário 170 Nm/1400-4500 rpm
Consumo médio 4,5 l/100
Emissões CO2 102 g/km
0-100 km/h 9,0 segundos
Vel. Máxima 202 km/h

PVP Setembro

Ford Fiesta 3 Portas:

Business
1.1 Ti-VCT 70 cv – 16.383€
1.1 Ti-VCT 85cv – 16.688€
1.0 EcoBoost 100cv – 17.245€
1.5 TDCi 85cv – 20.384€

Ford Fiesta 5 portas:
Business
1.1 Ti-VCT 70 cv – 16.942€
1.1 Ti-VCT 85cv – 17.247€
1.0 EcoBoost 100cv – 17.804€
1.5 TDCi 85cv – 20.994€

Titanium
1.1 Ti-VCT 85cv – 17.928€
1.0 EcoBoost 100cv – 18.485€
1.0 EcoBoost 100cv caixa auto 6 vel. – 20.313€
1.0 EcoBoost 125cv – 19.252€
1.5 TDCi 85cv – 21.675€

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