Volvo: Como destruir 250 carros para salvar vidas

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Na boa velha tradição escandinava, cada vez que um modelo da Volvo é apresentado surge envolto num rótulo de segurança que a marca aponta como o mais elaborado de sempre. Longe de mera estratégia de marketing, a competência de segurança dos Volvo é mesmo uma questão real, com cada novo modelo a beneficiar dos progressos alcançados em versões anteriores.

Além disso, cada nova variante traz uma série de avanços e progressos que mostram como a marca liderada por Hakan Samuelsson está a levar a sério o seu compromisso para com o plano ‘Vision 2020’, ou Visão 2020, em português.

Este é o plano ambicioso que leva a Volvo a preconizar a erradicação de fatalidades a bordo dos seus veículos, ou até mesmo de ferimentos graves. Como grande bandeira desse plano está a implementação de uma série de tecnologias de segurança que visam limitar de forma vincada a existência de acidentes por ação de distrações ou descuidos do condutor.

Tecnologias em evidência

No caso do novo XC60, a tradição volta a ser repetida e a preocupação com a segurança é sublinhada com a apresentação de três novidades tecnológicas que vêm complementar a oferta Intellisafe da Volvo já presente em modelos como os da Série 90. Eis então o pano de fundo para as evoluções do City Safety, Oncoming Lane Mitigation e Blind Spot Information System.

Embora em dois dos casos se tratem de evoluções, as novidades são relevantes.
Começando pelo City Safety, o sistema tem agora a possibilidade de apoiar a condução pela direção, sendo ativado quando a travagem automática não for capaz, por si só, de evitar uma potencial colisão. Nessas circunstâncias, o automóvel irá fornecer esse apoio adicional para evitar o obstáculo em frente. O City Safety ajuda a evitar colisões entre veículos, peões e animais de grandes dimensões. A assistência à direção estará ativa para velocidades entre os 50 e os 100 km/h.

Ideal semelhante rege o Oncoming Lane Mitigation, que irá ajudar a evitar colisões com veículos em faixas contrárias, alertando o condutor que, de forma involuntária, tenha saído da sua faixa de rodagem. Além disso, intervém na direção para redirecionar o veículo novamente para a sua própria faixa de modo a evitar a trajetória da outra viatura. O sistema funciona para velocidades entre os 60 e os 140 km/h. Por enquanto, este é um sistema que deteta apenas veículos de quatro rodas – motos ou outros tipos de veículos como bicicletas ainda não são suportados – mas as próximas gerações de modelos da Volvo poderão já ter essa funcionalidade.

Por último, aquele que é um dos sistemas de segurança mais antigos da Volvo em termos de assistentes tecnológicos recebe agora uma atualização que também tem por objetivo evitar colisões inesperadas. Assim, além de alertar o condutor para a presença de veículos no chamado ângulo morto, o BLIS (Blind Spot Information System) pode agora providenciar assistência à direção para evitar potenciais colisões recolocando o automóvel na própria faixa de rodagem e fora de perigo.

Opcional no XC60 é também o sistema Pro Pilot de condução semiautónoma que, sempre vigilante, intervém ao nível da direção para manter o veículo dentro da sua faixa de rodagem.

Da estutura de segurança aos crash-tests

A ligação da Volvo à questão da segurança é umbilical, sendo preciso regredir até meados do século passado para se encontrarem os primeiros cintos de segurança – criados pela Volvo -, bem como as primeiras cadeirinhas para bebés. Outra das inovações orgulhosamente exibida pela marca de Gotemburgo é estrutura de segurança, denominada Safety Cage, a qual serve o propósito de ‘envolver’ os ocupantes e protegê-los em caso de embate severo.

O XC60 recorre aqui, fruto da evolução tecnológica da própria conceção da indústria automóvel, a uma maior quantidade de aços de ultraelevada resistência e a alumínio para estabelecer um modelo de grande competência em termos de resistência a acidentes com zonas de deformação muito elaboradas e concebidas para dissipar eventuais impactos para a zona em redor do habitáculo e nunca para dentro deste. Não que alguém queira experimentar…

Para se chegar a este patamar, conta-nos uma fonte da marca, são realizados milhares de ensaios em ambiente virtual, procurando simular em computador quais os pontos fortes ou menos eficientes em termos estruturais na defesa dos ocupantes. Só depois desta fase se parte para a dos crash-tests, nos quais são destruídos entre 150 a 250 veículos por cada ciclo de desenvolvimento no centro de segurança da marca. Uma destruição controlada e necessária com o objetivo de fazer com que os envolvidos num acidente violento tenham apenas a chapa para lamentar.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.