Renault ZOE chega mais longe

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

Quase o dobro da autonomia e a possibilidade de comprar a bateria e não apenas alugá-la são as novidades do novo Renault ZOE que chega a Portugal no final de janeiro. A mesma imagem e um interior renovado vão pagar-se por um mínimo de 24 500 euros, mais o aluguer da bateria (69 euros por mês) ou a sua compra (7500 euros).

A Renault acaba de dar um passo significativo para a sua afirmação como marca líder na venda de automóveis eléctricos na Europa – um em cada quatro tem o emblema do losango. O ZOE, também ele o campeão de vendas no Velho Continente, vai passar a propor, a partir do final de Janeiro, uma bateria com quase o dobro da capacidade, 400 quilómetros segundo a norma NEDC (Novo ciclo de Condução Europeu – com base em consumos e emissões), o que se traduz, na prática, na possibilidade de percorrer 300 quilómetros apenas com uma carga de energia.

Uma viagem entre Lisboa e a região de Óbidos confirmou que os 300 quilómetros podem não ser miragem ao volante deste ZOE R90 ZE40 (é essa a designação do modelo), desde que haja estrito respeito pelas balizas que a condução de um veículo elétrico impõe – para muitos um exercício de paciência e resignação – e, a par disso, que se cumpram todos os limites de velocidade.

Circulando pelas velhas estradas nacionais e não fazendo mais do que meia dúzia de quilómetros de via rápida, e ainda assim estipulando os 100 km/h como limite nesta situação, o ZOE atingiu o objetivo, após mais de 130 quilómetros, com autonomia para outros 180. A média andou um pouco acima dos 50 km/h.

No regresso, maioritariamente por auto-estrada, as coisas mudaram de figura. Depois de uma carga rápida que nos dava autonomia para 295 quilómetros, num trajeto mais curto (cerca de 90 quilómetros), cumprido, primeiro com o cruise-control nos 120 km/h regulamentares, depois apenas controlando a mesma velocidade máxima com o acelerador, numa tentativa de potenciar a autonomia, o consumo foi claramente superior e, à chegada, “sobrava” carga na bateria para mais 120 quilómetros.

Novos horizontes

O balanço da experiência tem, no mínimo, de considerar-se razoável. Os ganhos na autonomia abrem outros horizontes à mobilidade elétrica, possibilitam um quotidiano bem mais descontraído àqueles que pretendam fazer a viagem entre casa e o emprego e menos stress aos que se abalançam ao passeio de fim de semana.

A condução deste ZOE é agradável. A suspensão continua a privilegiar o conforto de marcha, sempre de nível superior porque também há outro silêncio a bordo. A capacidade de aceleração impressiona no arranque (4,1 s de 0 a 50) mas é vulgar nos 0-100 (13,2 s) – o carro pesa quase tonelada e meia; confortável é dispor de um binário de 225 Nm para 92 cv , um compromisso muito interessante e que garante a desenvoltura necessária para uma condução descansada e segura. No que respeita ao comportamento em curva, uma resposta que satisfaz sem surpreender. Mas o cliente de um elétrico deste tipo não vai à procura de grandes performances nem de um carro desportivo. Importante é registar uma habitabilidade em bom plano e que até existe uma bagageira digna do nome: 338 litros!

Como foi possível

Aquilo que a Renault fez com a LG Chem, a empresa coreana parceira no “negócio” foi aumentar a capacidade de armazenamento da bateria de 22 para 41 kWh úteis, conseguindo manter as dimensões e aumentando ligeiramente o seu peso. Para isso, melhorou-se a química das células e aumentou-se a quantidade de substância ativa otimizando o design e a espessura das 192 células divididas pelos mesmos 12 módulos.

Tudo isto, segundo a Renault, “não modifica nem a estrutura do veículo, nem as restantes prestações (velocidade de carregamento, desempenho, compatibilidade com os diferentes tipos de postos)” e foi obtido “sem comprometer a fiabilidade ou a segurança de utilização” . Conseguiu-se assim um dos melhores rácios entre os quilómetros de autonomia NEDC e a energia integrada na bateria”.

Estas baterias são montadas na fábrica de Flins, nos arredores de Paris, a mesma onde é produzido o ZOE (utiliza a linha do Clio). O motor é também Renault, integralmente concebido pela marca e produzido na Normandia.

O carregamento pode durar ate 30 horas numa tomada doméstica, mas com um carregador caseiro de 7 kw bastarão sete horas. Num carregador rápido 80 a 90 por cento da carga podem ser obtidos entre 65 e 100 minutos.

Escolha alargada

A Renault vai continuar a oferecer a possibilidade de escolher entre as duas baterias, o que significará uma poupança de 2500 euros para quem opte pela autonomia de 240 quilómetros. Os níveis de oferta são dois com preços de 22 150 a 29 650 euros, para o ZOE já conhecido. A nova versão, com a bateria ZE 40 tem seis ofertas distintas, com preços entre os 24 650 e os 36 950 euros, custo da versão topo de gama, designada Bose, a qual, entre outros argumentos, conta com uma cor exclusiva em tom de cinzento, estofos em couro, outro acabamento para o tablier e, claro, um sistema de som da conceituada marca norte-americana que integra sete altifalantes.

A nova bateria implicará sempre o pagamento de mais 7500 euros num ZOE novo. Os clientes atuais que queiram beneficiar do aumento de autonomia podem trocar de bateria, pagam 3500 euros mas continuam sujeitos ao contrato de aluguer. Este custa, no mínimo, 59 ou 69 euros por mês, de acordo com a bateria, e para um máximo de 7500 quilómetros por ano.

O que aí vem

Em 2017 os proprietários dos ZOE em vários países europeus vão poder usar o ZE Trip e o ZE Pass duas aplicações que permitem planear os seus trajetos, ter acesso à listagem dos postos de carregamento disponíveis e ao seu tipo, rápido ou não, e fazer o pagamento das cargas através do smartphone, dispondo mesmo dos preços praticados por cada fornecedor.

As funcionalidades serão também enriquecidas com a navegação porta a porta, já no primeiro semestre de 2017. Graças a esta navegação, explica a Renault, o condutor pode programar e seguir um itinerário completo tanto no smartphone, quando se desloca a pé, como no sistema de navegação do ZOE, quando está ao volante.

Basta selecionar o destino na sua aplicação e, em seguida, enviá-lo para o Renault R-LINK. Ao entrar no automóvel, beneficia de imediato, de um itinerário automaticamente pré-programado.

A aplicação permite-lhe também encontrar o lugar onde estacionou.

Características 
Motorelétrico, síncrono
BateriasIões de lítio, 41 kWh
TransmissãoTração dianteira, velocidade única
Potência92 CV/3.000-5.000 rpm
Binário225 Nm/3.000 rpm
0-100 km/h13,2 s
Velocidade máxima132 km/h (limitada)
Consumo13.3 kW/100 km
Bagageira338/1.225 litros
Peso1.480 kg
Preço24.500 euros (versão ensaiada: 29.500 euros)

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