Neuville com liderança segura no Rali da Suécia

Thierry Neuville terminou o segundo dia do Rali da Suécia com uma liderança de 28.1s face a Jari-Matti Latvala, o que não sendo decisivo, já deixa uma margem interessante para gerir nos restantes dias de prova, até porque o finlandês não parece ter ainda arcabouço para lutar pelo triunfo.

De qualquer forma, o finlandês da Toyota está a fazer uma prova muito meritória, não tem cometido muitos excessos, e quando os cometeu, logo perdeu muito tempo, por isso, pode ter percebido que não tendo ritmo para lutar pelo triunfo, para já está a repetir o que fez em Monte Carlo, o segundo lugar.

Grande rali está a fazer novamente Thierry Neuville, o piloto da Hyundai está a aplicar uma receita semelhante à de Monte Carlo, mas com uma diferença grande. É que enquanto na primeira prova do WRC o belga teve sempre pressão de Sébastien Ogier, aqui na Suécia essa ‘pressão’ vai demorar um pouco mais a aparecer, e o que os números dizem é que o belga vai para o terceiro dia de prova (ainda que o primeiro tenha sido muito curto) com 55.7s de avanço para Ogier, o que não sendo decisivo, está no limiar do arriscar demasiado para o lado do francês. Aliás, esse vai ser um grande ponto de interesse para amanhã, pois com a neve fresca para limpar, no dia de hoje, o único dia que o líder do Mundial de Pilotos abre a estrada este ano, resta saber o que vai significar em termos de andamento o facto de ter condições iguais aos adversários com que vai disputar a prova. A verdade é que falta de troços e Ogier precisa de recuperar uma média de 6 segundos a Neuville em cada um deles. Não é fácil, mas também não é impossível. E pode dar uma Power Stage de loucos…

Mas a verdade é que entre o quinto lugar de Ogier e o primeiro de Neuville estão Latvala, como já referimos, a 28.1s, Ott Tanak a 49.7 e Kris Meeke a 51.8s. O estónio foi afligido por problemas com a caixa de velocidades do seu Fiesta, que trocou na assistência da manhã, e tem realizado uma prova muito consistente, chegando ao terceiro lugar neste último troço do dia. Está a por-se a jeito para outro pódio, e a mostrar que a M-sport tem este ano uma bela dupla de pilotos.

Kris Meeke está a realizar, também ele, um belo rali. Nunca nos esquecemos que desistiu pela primeira vez em Monte Carlo quando era segundo e embora isso não tenha permitido perceber até onde poderia ir na perseguição aos homens da frente, aqui na Suécia está a mostrar que, mesmo pressionado para assegurar um resultado – desistir novamente seria muito complicado – que o C3 WRC é carro para andar na frente e ele próprio, mesmo sem forçar muito para evitar azares, consegue manter-se a uma distância razoável da frente do rali. Ao fim ao cabo está só a 22 segundos… do segundo lugar. Prova inteligente até aqui é o mínimo que se pode dizer. Tudo isto para dizer que, provavelmente, nem Latvala, Tanak ou Meeke colocam a vitória no topo das suas prioridades para este rali, por isso falámos em Ogier…

Os outsiders…

Haydon Paddon acordou tarde, demorou a encontrar o seu ritmo de prova, e apesar de Rui Soares, seu engenheiro, o ter ajudado a colocar uma afinação no Hyundai mais adequada, fê-lo já, segundo parece, algo tarde, pois apesar de ter mostrado esta tarde que podia estar a lutar mais à frente, já está a 1m17.8s do líder o que não sendo irrecuperável, obrigá-lo-ia a correr riscos que, se calhar, nesta altura do campeonato ainda não vale a pena correr. Dani Sordo é sétimo e claramente o mais lento dos pilotos da Hyundai. Provavelmente só em provas de asfalto se vai ouvir mais falar dele, ou numa ou noutra de terra em que costuma andar bem, Portugal por exemplo, mas já não parece ser o mesmo piloto de há alguns anos atrás. É verdade que teve um azar dentro do carro que o desconcentrou e o fez perder algum tempo, mas isso não explica o minuto e quarenta a que está do seu colega de equipa.

Craig Breen, na estria com o C3 WRC está a fazer uma prova cautelosa, e sabendo que dificilmente poderia brilhar aqui está a aprender o mais que pode do carro e a acumular experiência que lhe pode valer de muitos nos próximos anos. Se os DMack lhe permitiram vencer três troços no Monte Carlo, já na Suécia o pequeno construtor de pneus não consegue ter um produto tão eficaz quanto a Michelin e por isso o melhor que conseguiu desta feita foram dois sextos lugares em troços. Com isso, é apenas nono, já a mais de três minutos da frente. A fechar o top 10 está Stéphane Lefebvre com o DS3 WRC. Está na Suécia só para ganhar ritmo, aprender o rali e não cometer erros. Mads Ostberg perdeu a asa traseira do Fiesta WRC e perdeu muito tempo com isso, caindo para o 20º lugar, pois nem sequer realizou a última especial do dia, preferindo abandonar, pois o tempo que perderia não seria muito diferente da penalização por falhar o troço.

José Luis Abreu/Autosport