Quem vai ganhar o Rali de Portugal?

Arranca hoje o Rali de Portugal, e sem fazer futurologia, vamos tentar perceber quem tem mais hipóteses de vencer a prova…

Apesar do domínio da Volkswagen no WRC desde 2013, nos últimos cinco anos venceram em Portugal três marcas e quatro pilotos diferentes. Portanto, a questão que colocamos no título não tem, logicamente, uma resposta evidente, pois para além do facto das quatro equipas do WRC 2107, Citroën, Hyundai, M-Sport e Toyota, já todas terem vencido este ano, nenhuma delas tem uma vantagem clara face à concorrência, e se tivéssemos que escolher uma, seria a Hyundai.

Para além dos azares que teve Thierry Neuville, que perdeu duas provas que poderia ter vencido com relativa facilidade – a verdade é que todas as outras têm mostrado argumentos para vencer, talvez um pouco menos a Toyota – tornou-se na Argentina a primeira equipa a vencer duas vezes este ano, isto depois de um rali decidido por 0.7s. Portanto, Elfyn Evans (M-Sport) facilmente poderia ter sido o quinto vencedor distinto em cinco provas, e por isso a terra portuguesa tem tudo para proporcionar um grande espetáculo, sendo que há um dado que é muito importante e que pode levar a que a história do Vodafone Rally de Portugal 2017 tenha um argumento em muito semelhante ao ano passado. Nós explicamos.

Depois do seu triunfo “com volta pelo parque de estacionamento” no México, Kris Meeke teve duas provas a zero na Córsega e na Argentina, marcadas por muitos ‘azares’ e isso atirou-o para o nono lugar do Mundial de Construtores. Ironicamente, isso coloca-o na posição perfeita para a ordem na estrada do primeiro dia do Rali de Portugal o que com os complicados pisos minhotos, é certo e seguro que a primeira etapa pode ser ‘frutuosa’ para pilotos como Meeke, Hayden Paddon e mesmo Elfyn Evans.

De qualquer forma, o rali tem três dias e parece claro que apesar de no final do primeiro, a classificação poder estar muito baralhada face ao que é atualmente a ordem do campeonato de pilotos (Ogier, Latvala, Neuville, Tanak, Sordo, Evan, Breen, Paddon, Meeke e Hanninen, por esta ordem) o segundo dia será claramente decisivo no reaproximar do plantel e se assim for, a zona de Fafe, que este ano volta a ter Luílhas e Montim, vai ser absolutamente decisiva no escalonamento da prova. E há ainda outro dado a acrescentar nesta complexa equação que tem a ver com a possibilidade da chuva ter deixado os pisos do rali muito degradados. Se isso suceder, a sorte passa a ter uma enorme palavra a dizer.

Num exercício meramente especulativo, diremos que a Citroën, através de Kris Meeke tem oportunidade de repetir a receita de sucesso do ano passado, a Hyundai tem três pilotos que andam bem em Portugal, prova que curiosamente Neuville não gosta muito, como nos confessou o ano passado, a M-Sport tem agora três pilotos que podem vencer e há aqui um dado muito curioso. Desde que o rali passou para o Norte, Ogier nunca mais ganhou! Será desta? Por fim a Toyota, onde só Latvala tem estofo para vencer. Contudo, o finlandês arrisca-se a terminar o primeiro dia longe da frente, devido ao facto de ser segundo na estrada e isso pode afastá-lo demais da luta. Está tudo preparado para mais um grande rali, e até o tempo parece preparar-se para ajudar.

José Luís Abreu