Xadrez da Fórmula 1 pode mudar imenso

A ‘silly season’ de Fórmula 1 pode ser este ano ainda bem mais intensa que a anterior, especialmente pelo facto das três principais equipas poderem fazer a ‘Dança das cadeiras’. É esperar para ver…

Não é novidade para ninguém que o plantel que este ano temos na Fórmula 1 pode baralhar-se por completo na próxima época, já que o próprio evoluir da temporada está-nos a ‘devolver’ questões que não existiam há alguns meses. Como sucede em todos os desportos, no final de cada época abre-se uma espécie de dança de cadeiras, e este ano, desconfiamos que a ‘Silly Season’ vai ser particularmente animada.

Já o ano passado foi bastante intenso a este nível, por exemplo com Antonio Giovinazzi a ter que substituir o lesionado Pascal Wehrlein na Sauber, que por seu lado atirou ‘borda fora’ Felipe Nasr. Kevin Magnussen deixou a Renault e foi para a Haas, de onde saiu Esteban Gutiérrez, que foi para a Formula E. Esteban Ocon deixou a desaparecida Manor e foi para a Force India, ocupando o lugar deixado vago por Nico Hülkenberg, que foi para a Renault. Como se sabe Nico Rosberg retirou-se da F1, com a Mercedes a ir buscar Valtteri Bottas à Williams, que por sua vez teve que ‘recuperar’ Felipe Massa. Lance Stroll estreou-se com a equipa de Grove, o Campeão de 2015 da GP2, agora F2, Stoffel Vandoorne foi para a McLaren, para o lugar de Jenson Button, que está a realizar um ano sabático.

Animação da ‘Silly season’?

Agora, decorrida que está quase meia época na F1 é tempo de tentar perceber quais podem ser as tendências para o próximo ano sendo que pela frente podem vir aí surpresas. Das atuais dez equipas do plantel, se lhe dissermos que pode haver mudanças em nove acha demasiado? A única que retiramos dessa lista é a Haas, e mesmo assim, nunca equipa tão recente, ninguém se admirava se também fizesse alguma troca.

Obviamente que o exercício que vamos fazer é apenas especulativo, pois ninguém fala de coisas concretas, nesta fase, ainda que a seguir ao verão a ‘conversa’ já possa ser outra. Começando pela equipa campeão, a Mercedes, a recente conversa do possível encerramento de carreira na F1 de Lewis Hamilton parece prematura e se todos temos a certeza que o inglês não se vai fazer velho na F1, também ninguém espera que faça nada ao estilo de Rosberg. Neste momento, já está num processo de renovação de contrato com a sua equipa e acredita-se que prolongará o vínculo por mais dois anos. Até lá logo se vê o que fará a seguir.
Valtteri Bottas é a primeira grande dúvida, mas a Mercedes deverá renovar-lhe o contrato por mais um ano. Na cabeça dos responsáveis da equipa a decisão pode não estar completamente tomada, mas pelo que fez até agora, se tivéssemos que dar um veredito, diríamos que os pratos da balança se inclinam claramente mais para a sua permanência. É piloto para dar à Mercedes os pontos necessários para ganhar o Mundial de Construtores.

Isto iria manter a Mercedes como está, mas a verdade é que há quem fale na possível vinda de Max Verstappen ou Fernando Alonso, para o lado de Hamilton. Mas deles falaremos mais à frente, até porque há outro nome que está a despontar e se continuar na mesma trajetória, se não estiver na Mercedes no próximo ano, não demorará muito: Esteban Ocon.
Na Ferrari, a questão do possível adeus de Kimi Raikkonen à F1 já se fala deste do seu regresso, vindo dos ralis. Já o chegaram a colocar com os dois pés fora da Ferrari, mas ao contrário do que sucedeu até aqui não havia alternativas evidentes, e agora há, e não são poucas. A de que se fala mais é Daniel Ricciardo, mas mais uma vez, e vamos fazer isso relativamente a todos os nomes, falaremos das hipóteses quando chegarmos à equipa em que está agora. Quanto a Sebastian Vettel, a Ferrari deu-lhe o que ele queria, capacidade de lutar pelos títulos e por isso não há indicadores demasiado fortes que possa sair de Maranello, até porque se quiser continuar, continua, mas também ninguém se admiraria muito que saísse, desde que fosse para a Mercedes e as probabilidades disso acontecer para 2018 não são nada grandes.

Contudo, já se ouviu falar da paixão de Hamilton pela Ferrari, e uma possível troca seria aparentemente fantástica, mas continuamos a achar que muito pouco provável. Pensando que a Ferrari tem que arranjar um solução para Raikkonen – embora não seja líquido que é desta que vai embora – Ricciardo é a mais provável, Giovinazzi é possível, mas para uma equipa de topo, não apostaríamos muito nisso.

Muitas queixas

A Red Bull está a passar por momentos complicados, pois quando se julgava que poderia estar bem mais perto da Mercedes e da Ferrari, eis que o caminho foi inverso, e está é bem mais perto da… Force India. Claro que não deixou de pertencer aos ‘três grandes’ e neste momento, apesar das (novamente) queixas quanto ao motor que tem (Renault) muita gente acha que o problema não está só no motor, mas também num chassis que Adrian Newey confessou não ser seu, mas que está a trabalhar para o melhorar. Por isso têm-se ouvido muitas queixas de Max Verstappen no que é uma clara forma de pressão, ou ameaça, se quiserem, a dizer que se vai embora, se as coisas não mudarem. Para a Mercedes ou para a Ferrari. Claro que há a questão do contrato, mas também há cláusulas de rescisão, segundo se diz, três, e um delas já está cumprida. O RB13 não é ‘ganhador’. Se a ‘coisa’ piorar, Helmut Marko e os seus pares ficam mesmo à mercê da família Verstappen. E o foco deles é todo no jovem holandês pois caso Ricciardo decida mesmo ir para a Ferrari (se o chamarem, fala-se num acordo verbal) a Red Bull tem Carlos Sainz. Mas perder Verstappen para qualquer das duas maiores equipas é que não está nas contas da Red Bull.

Na Force India, acredita-se que Sergio Pérez tem duas possibilidades. A Ferrari ou a Renault. Se nada se concretizar, fica na Force india. Já Esteban Ocon tem o futuro garantido, seja onde está agora ou não, pois a Mercedes tem grandes planos para ele. Basicamente é uma excelente alternativa que fica em standy by na quarta melhor equipa do plantel. Para sair, só para cima. Se isso suceder há Pascal Wehrlein ou Alfonso Celis (muito menos provável).

Na Williams Felipe Massa já disse que pode ficar em 2018. Mas será que fica se Valtteri Bottas sair da Mercedes? Lance Stroll fica onde está. Mas, e se Fernando Alonso escolher a Williams? Ficaria surpreendido?

Na Toro Rosso, Carlos Sainz quer ficar mais um ano, mas a Red Bull não lhe está a dar saídas. O espanhol quer ir para a Red Bull, mas se esta não lhe arranjar espaço, Sainz pode desligar-se e ir à sua vida, e aí as hipóteses são muitas. Quanto a Daniil Kvyat, o facto de ter ficado em Faenza este ano foi contraditório, pelo que ficar mais tempo passa a muito estranho. Mas Horner já deu a entender que fica. Anda muito estranha a Red Bull. De qualquer modo, se um deles sair, Pierre Gasly está à porta.

A Renault foi buscar este ano Nico Hulkenberg, que está a acelerar o processo de crescimento da equipa, mas é preciso outro piloto que não Jolyon Palmer, e esses podem ser Sergio Pérez ou Carlos Sainz. Mas isso também depende do que a equipa evoluir. Robert Kubica é muito difícil, mas ainda há margem que o que seria um fantástico regresso do polaco. A Haas deve manter os seus dois pilotos, mas Romain Grosjean pode ser também solução para a Renault. Já Kevin Magnussen não tem alternativa.

Na Sauber, com a confusão recente é muito difícil fazer prognósticos, e o facto de trocarem de fornecedor de motor para a Honda também não os vai ajudar. O mais provável é manterem-se tanto Marcus Ericsson como Pascal Wehrlein, mas é mesmo uma incógnita. O mais lógico é mesmo a saída de Wehrlein para uma ‘equipa’ Mercedes e a entrada de Nobuharu Matsushita, piloto apoiado pela Honda.

Por fim a McLaren cujo ponto mais importante está ligado também ao motor. Se a McLaren regressar à Mercedes, Fernando Alonso pode ficar, se isso não suceder o espanhol tem muito para onde ir. Para a Ferrari, já se sabe que não, depois do que disse Sergio Marchionne, mas Mercedes, Williams, Renault, ou Oviedo são hipóteses. É o peão mais mais ‘Rei’ deste Xadrez, em que os ‘cavalos’ são um problema…

Quanto a Stoffel Vandoorne, só não o queimam já este ano porque com a Honda não dá para perceber mais, mas ter Alonso ao lado é péssimo para um rookie brilhar. E o belga está a sofrer muito com isso. Mas a equipa acredita nele, para além do que seria injusto queimarem-no agora depois do tempo que esperou por Jenson Button.

José Luís Abreu