Fórmula 1 em Portugal custa 800 milhões

Desde que o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) se tornou uma realidade, em 2008, que os adeptos, entidades federativas e privados discutem um eventual regresso da Fórmula 1 a Portugal, cujo último GP teve lugar no Circuito do Estoril, em 1996. Os custos apontados para esse retorno das emoções do maior campeonato de monolugares do mundo sempre variaram, até porque com Bernie Ecclestone ao leme, a concretização desse desejo nunca seria barata, falando-se em algo entre os 40 a 50 milhões de euros. Mas há agora um investigador da Universidade do Minho (UM) que nos diz que o investimento, afinal, teria de ser muito mais alto: superior a 800 milhões de euros.

Citado pela Agência Lusa, Paulo Reis Mourão, autor do livro “The Economics of Motorsports: The Case of Formula One” e investigador da UM, deu conta de que este é o valor estimado para um contrato de 12 anos com uma “renda anual entre 60 a 70 milhões de euros”, vincando o facto de os contratos serem fechados, por norma, por períodos de 10, 12 ou 15 anos.

O retorno direto desse investimento rondaria os 200 a 300 milhões de euros ao longo da dúzia de anos do contrato que eventualmente fosse assegurado, não estando incluídos os ganhos de investimento e publicidade. Esta, no entanto, deixou de ser paga, já que aparece associada às corridas de F1 por intermédio de contratos de patrocínio já estabelecidos com a Formula One Management (FOM).

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Com cerca de 300 páginas, o livro editado pela Palgrave detalha os custos das corridas, mas também o que anda à roda da indústria. “Há muitos livros sobre a Fórmula 1, inclusive sobre a sua mecânica ou a gestão das equipas, mas este é o primeiro sob o olhar de um economista”, refere o autor.

Apesar da intenção da nova detentora da competição Liberty Media de querer alargar o calendário de corridas para além das 21 provas previstas para 2018 e da recente homologação do AIA pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) como palco que pode receber a Fórmula 1, o diretor-geral do circuito, Paulo Pinheiro, admitiu que será difícil reunir as condições para que o regresso da modalidade ao solo nacional se concretize.

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“A Fórmula 1 é de facto o grande pináculo do desporto motorizado mundial, mas é muito difícil para um país com a nossa dimensão conseguir ter as condições totais para trazer a prova”, disse, em junho, à Lusa. “Reunimos várias condições, como a pista, estacionamentos, infraestruturas e hotéis, o que faz com que a proposta ganhe valor. O Algarve é um sítio fantástico, que reúne condições para receber uma corrida, mas há 15 países a disputarem uma prova. Daí ser um processo complexo, trabalhoso, mas mantemos a esperança de um dia conseguirmos trazer a Fórmula 1”, destacou.