Hoje saí de Alexandroupoli, a última cidade grega antes da fronteira, por uma reta que só acabou em Istambul, 300 Km depois. Não é assim, mas quase. A estrada percorre uma longa planície na qual rodamos parte do tempo junto ao Mar de Marmara, que faz a ligação entre o Mediterrâneo e o Mar Negro, separando a Europa da Ásia. É tão largo que não se vê a outra margem.

Na fronteira turca passo por quatro controles onde nunca sei o que querem. Ora pedem o livrete da moto, ora o passaporte, ora o seguro, ora o visto. Ficamos com a sensação que é o que cada um lhe apetece pedir naquele dia. O ultimo é o da Alfândega que diz para eu encostar um pouco à frente para revistar as minhas malas mas, como eu estava a empatar o trânsito e o carro de trás já buzinava, ele desistiu da revista e mandou-me seguir viagem e desimpedir o caminho.

Passados uns quilómetros parei junto a três miúdos que viajavam de bicicleta porque estavam sentados à beira da estrada e parecia terem algum problema numa das bicicletas. Eram “bifes” que não teriam mais de vinte anos e tinham vindo de Inglaterra nas suas Raleigh, típicas inglesas. Iam até Istambul para regressarem a Inglaterra de avião, acompanhados das bicicletas. Estavam simplesmente a almoçar as sandwiches que traziam.

Já tinha estado em Istambul. É uma cidade que impressiona pela movimentação e vida que tem. Milhares de pessoas circulam nas ruas de um lado para o outro. Todas parecem ter pressa para chagar a algum lado, os carros apitam e furam caminho por todas as nesgas de alcatrão. De moto é um inferno circular ali. Temos que ir com os olhos bem abertos e acompanhar o ritmo do trânsito para não sermos esmagados. Raspei com uma das malas no para choques de um carro mas acho que ele nem deu por isso. Muitos vão ao telefone nos carros e guiam com uma mão da qual um dos dedos está sempre em cima da buzina.

Quando entramos pelo lado de cima, como foi o meu caso, a cidade é muito pouco atractiva, com prédios grandes e feios, centros comerciais inestéticos e uma confusão de cruzamentos e viadutos. Andei duas ou três horas às voltas por Istambul, primeiro à procura de um concessionário Honda, indicado por um simpático homem que tinha uma Honda 125 e que sem falar uma palavra de inglês, percebeu o que eu queria e falou para o concessionário do seu telemóvel para depois preencher a morada no meu GPS.

Depois, procurei um hotel barato mas com garagem, coisa impossível de encontrar em Istambul.

Toda a zona junto ao estreito de Bósforo é espectacular, desde a muralha da cidade, passando pelos excelentes restaurantes que dão para o canal e acabando no porto, com uma movimentação louca de barcos em todas as direcções e passageiros que entram e saem dos pequenos ferrys ou de enormes navios de passageiros encostados ao cais, é uma azáfama extraordinária. Depois, no alto de um monte, a enorme mesquita e do outro lado o Palácio Topkapi com as sua fabulosa colecção de jóias.

Nesta altura em que vou deixar a Europa para entrar na Ásia, percorri 8.000 Km desde que saí de Lisboa, no dia 28 de Outubro, ou seja, um pouco mais de 10% da viagem.

 

Francisco Sande e Castro

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Francisco Sande e Castro

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