Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, isto voltava a acontecer. Hoje de manhã, quando cheguei à garagem do hotel onde tinha a moto guardada, cheguei à “CrossTourer” por trás, pus a chave na ignição e liguei para a carregar na recepção, primeira, arranco e….. pumba, chão. Tinha-me esquecido do cadeado no disco da frente. Aquilo agora tem uma fita cor de laranja ligada à maneta mas como não cheguei a ver a frente da moto …. Por sorte não parti o disco mas magoei-me na mão e parti o plástico protetor da maneta. Felizmente nenhum dos dois males foi grave. Só que cair de moto, mesmo devagar, cansa.

Para complicar mais o dia estava um trânsito medonho para sair de Istambul pois tinham cortado uma das vias da ponte sobre o Bósforo e, cinco minutos depois de ter arrancado, começou a chover, primeiro ao de leve mas depois com muita força.

Entrava na Ásia. Fiz perto de cem quilómetros ainda na auto estrada que liga Istambul a Ankara debaixo de uma nuvem de água levantada pelo grande movimento de camiões.
Curioso que até em algumas bombas de gasolina os turcos têm salas para rezarem, onde deixam os sapatos à porta. E tinham gente. Não há dúvida que os muçulmanos, principalmente do sexo masculino, são muito mais devotos que os católicos.

Passei depois para a estrada nacional onde percorri cerca de 300 Km até Ankara, entre planície e montanha. As cidades do interior não têm prédios altos mas são feias, com a maioria das casas de dois andares em cores diversas e pouco atrativas. Pela primeira vez tive frio na moto nesta viagem. Na parte montanhosa a temperatura desceu até aos 3º e embora o fato proteja bastante não faz milagres. Os punhos aquecidos caíram do céu. Quando aí na Honda me montaram faróis de nevoeiro e punhos aquecidos na moto pensei que era mais uma tralha que nuca iria utilizar. Afinal estava errado pois tanto um como o outro extra já me deram um enorme jeito.
Esta parte da Turquia já não tem turistas e aqui em Ankara pouca gente fala ou percebe alguma coisa de inglês. Quando cheguei ao hotel a internet não funcionava e, por mais que eu lhes tentasse explicar que o problema era do sistema deles, não se convenciam. Até que encontrei um criado que arranhava francês e lá consegui esclarecer a situação, acabando por me arranjarem um cabo de ligação que resolveu o problema.

Outra curiosidade que já tinha constatado em Istambul é que nos restaurantes frequentados pelos locais, pelo menos nos de baixo nível a que tenho ido, nunca põem facas, não sei se para os clientes não se matarem uns aos outros ou por também não as utilizarem em casa. Só garfo e colher, que eles aceitam sem se queixarem.

Francisco Sande e Castro

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Francisco Sande e Castro

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