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Baterias para veículos elétricos podem escassear

Um responsável do Grupo VW indica que, devido à aposta em modelos de emissões 0 por parte de várias marcas, que a procura por baterias pode superar a oferta.

Com os limites cada vez mais restritivos nas emissões, vários fabricantes anunciaram uma inversão de estratégia que coloca em foco o desenvolvimento de uma gama de veículos 100% elétricos. O Grupo Volkswagen é um dos fabricantes que anunciou uma ofensiva neste campo, mas segundo um dos seus responsáveis, Thomas Sedran, o fornecimento de baterias de iões de lítio pode dificultar a implementação destas apostas. Isto porque, devido ao progressivo aumento do mercado de veículos híbridos e de emissões 0, a procura de baterias por parte dos fabricantes pode superar a oferta. Além disso, e para tornar ainda mais apelativa esta alternativa de mobilidade, estudos da Exane BNP Paribas indicam que até ao final da década o preço deste componente para veículos elétricos deve cair para metade, mesmo com um aumento da densidade que potenciará a autonomia dos automóveis. Isto significaria que os veículos elétricos ficariam mais baratos, facilitando a sua produção e também aumentando o apelo destes modelos junto dos consumidores.

Com perspetivas que indicam que, dentro de dez anos, só o Grupo VW poderá comercializar entre 2 e 3 milhões de viaturas elétricas, o consórcio germânico está em negociações com seis fornecedores para escolher de quem irá obter este componente. Mas, indica Sedran, “a capacidade não existe. Ninguém tem a capacidade” para fornecer as baterias necessárias para a grande quantidade de automóveis que devem ser fabricados com base na plataforma MEB, já implementada em concepts como o ID Buzz. A produção própria está também, aparentemente, fora de questão, pois Sedran indica que isso exigiria um investimento por parte da VW próximo dos 20 mil milhões de euros.

Por estas razões, Thomas Sedran indica que “é necessário verificar se os fornecedores têm meios financeiros para fabricar esta capacidade”, a que se junta ainda outra questão. Além da grande quantidade de produção, também o envio para as fábricas de automóveis é um tema importante, pois, segundo este responsável da VW, o transporte por longas distâncias seria “perigoso e dispendioso”. Antecipando este futuro, e posicionando-se de forma a responder aos desejos dos fabricantes europeus, dois dos principais produtores de baterias, a LG Chem e a Panasonic, estão a edificar fábricas para estes componentes localizadas, respetivamente, na Polónia e Hungria. Também a Tesla implementa uma estratégia similar, e após a abertura de uma gigafábrica de baterias no Nevada estudo a localização para um segundo espaço similar em solo europeu. Falta saber se este reforço da capacidade produtiva por parte dos fornecedores de baterias será suficiente para lidar com o crescente “apetite” dos grupos automóveis por este componente essencial ao fabrico de veículos elétricos.

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