A Liberty Media deu um passo decisivo para adquirir a Fórmula 1 esta semana, mas os planos que tem para a modalidade contém ideias que são, no mínimo, discutíveis.
Se recorrer mais às plataformas digitais é algo de perfeitamente pacífico há outros pontos da estratégia do grupo de John Malone que não são assim tão simples de pôr em prática. Organizar mais corridas, aumentar os patrocínios e fazer crescer a modalidade em novos mercados não são desafios fáceis de concretizar.
O mesmo se pode dizer de expandir o calendário do campeonato e, sobretudo, concretizar um teto orçamental. Ao longo dos anos a ideia de colocar limites financeiros às equipas de topo tem esbarrado com uma forte oposição, e a última vez que isso sucedeu foi há três anos. Teoricamente o conceito de ‘fair play’ financeiro é apelativo. Mas será uma solução realista? Certamente que não se olharmos para as recentes mudanças do regulamento. A indústria automóvel, que na Fórmula 1 joga um papel essencial, para além de se envolver na disciplina máxima do automobilismo, tem sido abalada por problemas que já de si obrigam a uma restrição no seu envolvimento na competição – um exemplo é o Grupo Volkswagen com o escândalo das emissões.
Deste modo é um pouco impensável que se coloquem entraves aos construtores que investem na F1, sobretudo quando vêm a disciplina como um campo de pesquisa e marketing ideal para a sua atividade comercial. O desporto em geral está recheado de ‘casos’ onde se joga na ‘batota’ – como o doping nos Jogos Olímpicos que obrigou a banir a equipa de atletismo russa – ou mesmo a F1 já teve outros casos menos felizes como o ocorrido no passado com a Renault, envolvendo Flavio Briatore e Pat Symonds. Criar novos limites à evolução tecnológica do pináculo do automobilismo seria criar uma nova ‘receita’ para problemas, que as atuais marcas envolvidas na Fórmula 1 não estão dispostas a aceitar. Por isso a ideia de voltar a colocar um tento orçamental ‘em cima da mesa’ está condenada ao fracasso.
Nuno Barreto Costa
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