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“Estamos a tentar produzir automóveis acessíveis, mas a Europa está a perturbar-nos”, acusa Luca De Meo

O Presidente da Renault, Luca de Meo advertiu, numa entrevista à publicação holandesa De Tijd, que os esforços que a indústria automóvel na Europa está a fazer para colocar os preços dos elétricos mais baixos poderão esbarrar no aumento dos custos de produção nos próximos anos devido aos novos regulamentos da União Europeia.

 

De acordo com o jornal De Tijd, Luca de Meo prevê que o fabrico de automóveis na Europa poderá ser 40% mais caro até 2030. Este aumento de custos afetará tanto os automóveis térmicos como os elétricos, com o responsável da marca francesa a explica que o facto de Bruxelas impor entre oito e doze novas regulamentações por ano até 2030 obrigará os fabricantes a desviar um quarto do seu investimento em I&D para cumprir as novas regulamentações, o que afetará a competitividade do preço dos elétricos e tornará difícil rivalizar à altura com as marcas chinesas, que, segundo de Meo, estão pelo menos dez anos à frente dos seus rivais europeus.

Para alcançar a China no domínio dos elétricos – que de Meo acredita que levará pelo menos dez anos – Luca de Meo recomenda estabelecer mais colaborações com fabricantes asiáticos, estando o Grupo Renault a conversar com emblemas japoneses, chineses e sul-coreanos, especialmente de baterias.

O responsável da Renault afirma que a Europa nada fez para garantir à indústria automóvel acesso suficiente a matérias-primas e materiais, especialmente na produção de baterias para veículos elétricos. No entendimento de Luca de Meo, os líderes europeus aparentemente pensaram que o mundo e o seu modelo económico estavam controlados, mas ter-se-ão esquecido da vontade da China de assumir um papel de liderança. A realidade atual, frisa de Meo, é que os fornecedores chineses de matérias-primas vendem aos fabricantes locais ao seu custo de produção, enquanto os fabricantes estrangeiros pagam o preço integral.

Luca de Meo aponta o problema de não haver mais dinheiro nos mercados europeus para financiar a indústria automóvel. E para o líder da marca francesa há uma boa razão para isso: as regulamentações europeias não estão focadas no empreendedorismo e no apoio à economia, o que desencoraja os investidores atuais e potenciais.

“Estamos a tentar produzir automóveis acessíveis, mas a Europa está a perturbar-nos”, refere Luca de Meo.

“O próximo regulamento vai aumentar o preço dos veículos em 40%”, alerta de Meo passado. O líder da Renault apela a uma maior flexibilidade na transição para a mobilidade elétrica, mas sem renunciar a esse objetivo.

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