Inicialmente todos os automóveis, fossem clássicos ou modernos, eram comercializados pela Konzept Automobile, no mesmo local e com a mesma marca.
Muitos dos clientes que visitavam o nosso showroom, ficavam chocados por ver automĂłveis mais antigos, que nĂłs consideramos relĂquias, colocados lado a lado com modelos de luxo. Isto porque nem toda a gente consegue entender que estes carros, pela sua raridade, atingem valores similares, ou atĂ© superiores, a topos de gama novos de marcas de luxo e isso fez-nos refletir sobre o assunto.
A Konzept Heritage nasce dessa necessidade de separar os conceitos, os automĂłveis considerados clássicos ou prĂ©-clássicos dos modernos e Ă© impulsionada pela paixĂŁo de longa data que temos pelos clássicos. Assim criámos a denominação Konzept Heritage com o seu prĂłprio showroom, um espaço onde se respira esse cheiro a “velhote”, e apenas entram modelos que consideramos que tĂŞm alguma herança histĂłrica de relevo. Utilizámos a mesma receita que fez sucesso da Konzept Automobile, entrámos no mercado de forma irreverente, criando conteĂşdos de excelĂŞncia desta vez para os carros clássicos e, rapidamente, começámos a ser bombardeados com pedidos de consignação, enchendo o nosso showroom de relĂquias com muito valor na histĂłria do automĂłvel.

Qual a vossa abordagem ao mercado?
A nossa abordagem ao mercado Ă© fazer de maneira diferente, transparente e correcta. Somos um livro aberto, o cliente pode ver o carro como e onde quiser, seja com o seu mecânico, no concessionário oficial da marca ou fazer um test drive, somos o mais claros possĂvel na hora da venda, atĂ© porque os carros clássicos sĂŁo os que acabam por ter mais omissões devido Ă sua longa vida. Costumamos dizer que a maioria nĂŁo restaura, remedeia e muitas das intervenções de restauro que estĂŁo no mercado mais valia nĂŁo terem sido feitas. A nossa abordagem no fundo Ă© virada para o cliente que realmente quer um carro antigo e que tenha um gosto especial por “velharias”, que possa ir buscar recordações especiais a determinado automĂłvel e que viva com paixĂŁo este mundo dos automĂłveis clássicos.

Para onde é que o mercado está a olhar, e evoluir, neste momento?
O mercado dos clássicos é um mercado que não tem barómetro. Na nossa visão, a missão é encontrar carros que tenham um caráter especial, que tenham importância histórica e sermos esse elemento de transição ou passagem de testemunho entre um dono e o outro.
Actualmente fala-se muito de investimento, nós somos contra isso, pensamos sempre que o cliente deve comprar algo de que possa usufruir e desfrutar. Noventa porcento dos carros que hoje em dia são vendidos por milhões, quando comprados não havia uma “bola de cristal” para prever que essa valorização fosse acontecer. É algo que acontece naturalmente, praticamente de um momento para o outro. Por exemplo a passagem dos motores atmosféricos para os turbinados. Hoje em dia temos carros com dez anos que já podem ser cotados como pré-clássicos, não de valor comercial, mas porque já não se fazem. O purismo faz com que estas modernizações tecnológicas que tornam os carros mais eficientes, também lhes retire carácter e encanto o que acaba por potenciar a sua valorização.

Qual o automóvel mais inesperado que já passou pelo vosso espaço?
O automóvel mais inesperado… temos alguns, Porsche Carrera GT, Ferrari Enzo… Não é o facto de serem inesperados, porque trabalhamos todos os dias nesse sentido, mas sim por serem carros mesmo muito especiais.

Conte-nos uma histĂłria de uma venda inesquecĂvel.
Uma venda inesquecĂvel. NĂŁo Ă© tanto o caso de ser uma venda inesquecĂvel, mas sim o facto de nĂŁo se poderem julgar as pessoas pela capa. E nem sempre a pessoa que está vestida com as melhores marcas e com mais “pinta” Ă© a que tem mais poder de compra. Há relativamente pouco tempo um cliente que nos chegou Ă loja num carro discreto e de fato de treino, com um aspeto descomprometido, acabou por fazer uma compra de 300 mil euros em carros. Nunca sabemos quem está do lado de lá por isso devemos manter uma mente aberta e, acima de tudo, nunca tratar alguĂ©m com base na indumentária.
