Ao Citroën C3 Aircross não se pode negar uma condição de apego algo estranha. Não é o mais rápido do mundo e não é, certamente, o mais dinâmico – até pelos cânones do segmento a que se destina. Mas a bordo deste SUV, mais um para o mercado mais popular do momento, está-se sempre bem. Esta é a principal força deste pequeno modelo francês que ‘esbanja’ irreverência, jovialidade e conforto. O sucessor do C3 Picasso chega a Portugal com uma missão muito bem definida de se posicionar entre os mais requisitados do segmento e esgrime os seus mais poderosos argumentos, nomeadamente em termos de estética e funcionalidade interior. Por fora, este Citroën começa logo por ‘levantar o espírito’ com o seu ar redondinho, um tanto ou quanto ‘balofo’ (para utilizar a expressão de Rui Pelejão, que promoveu uma Volta à Córsega a bordo deste modelo na apresentação internacional), mas que incita logo ao sorriso. E metade do caminho para conquistar o cliente está feito. O estilo consegue aliar robustez e suavidade em igual medida, destacando-se na dianteira os grupos óticos bipartidos, o capot elevado e os chevrons cromados que integram uma assinatura luminosa de LED. Na traseira, ‘ombros’ largos e luzes traseiras com efeito 3D, havendo ainda que destacar as janelas traseiras realizadas em policarbonato. Para salientar o seu lado mais versátil e aventureiro, além dos 17,5 cm de altura ao solo, dispõe de proteções nas cavas das rodas e na parte inferior da carroçaria, pintadas de preto mate. As barras no tejadilho são outros elementos fortes do design deste C3 Aircross. Não lhe chega tudo isto? Então, entre pelo capítulo das personalizações e vai ‘perder a cabeça’ com a quantidade de variações de cor e de opcionais disponíveis para tornar este Citroën numa peça ‘única’. No total, a marca aponta 85 combinações… Chega e sobra! Ser feliz no acolhimento Se o exterior chama a atenção, o interior ‘prende’ racionalmente. Para um modelo de segmento B-SUV, o C3 Aircross demonstra uma atitude muito competente com uma ergonomia bem pensada, em que a simplicidade impera, além de uma qualidade bem-vinda nalguns elementos. Por exemplo, a parte superior do tablier do modelo ensaiado em versão Shine tinha revestimento macio ao tato (em tecido), em cor condizente com a dos bancos, assim tornando harmonioso todo o conjunto. Também por isso, é tão agradável de se estar lá dentro, desfrutando de bancos com bom apoio e, acima de tudo, confortáveis. Nas zonas mais escondidas do habitáculo encontram-se, por outro lado, os tradicionais plásticos mais rijos. Note-se que este é um carro acessível e é assim que deve ser observado.
Ao mesmo tempo, nessa mesma postura de simplicidade interior, a Citroën – tal como a ‘irmã’ do Grupo PSA, a Peugeot – remete para o sistema de infoentretenimento a grande maioria das funcionalidades, como a da climatização ou navegação (Connect Nav 3D). Após um normal período de habituação, torna-se intuitivo, mas não impede que se desvie o olhar da estrada ‘aqui e ali’. Pautando uma boa experiência familiar, o espaço a bordo impressiona, até mesmo para quem é alto graças aos 2.60 m de distância entre eixos que influenciam positivamente o interior. De facto, exibe qualidades evidentes nas três cotas em apreciação, tanto em largura, como em altura, além de que o espaço para as pernas é adequado para adultos de grande estatura. Os lugares posteriores beneficiam, igualmente, de bancos confortáveis, sendo que os mesmos podem ser movidos longitudinalmente em 15 cm para a frente para aumentar a volumetria da mala. Dessa forma, os 410 litros de base, ampliam-se para os 520 litros sem ter de ‘eliminar’ a utilidade dos lugares traseiros. Condução ‘feel good’ A servir de base para este C3 Aircross está a plataforma que também serviu para o Peugeot 2008 e para o Opel Crossland X, embora particularmente afinada para os predicados da Citroën. E quais são esses? Conforto e simplicidade de processos, como já acontece no C3 mais ‘pequenito’ que também partilha muitos dos seus genes. O C3 Aircross é por isso um modelo que tem uma natural tendência para tornar as viagens mais dóceis para os ocupantes, defendendo-os das irregularidades mais gritantes do asfalto. A suspensão, desenvolvida ao abrigo do conceito Citroën Advance Confort, uma abordagem integrada do que deve ser o conforto a bordo de um Citroën. Uma ideia de que tudo – desde os bancos ao amortecimento – deve promover uma viagem agradável a quem vai a bordo. Assim, recorre a uma técnica de colagem estrutural que incrementa a rigidez da carroçaria e a uma nova e revolucionária suspensão de duplo batente hidráulico, que permite à suspensão trabalhar em dois tempos — extensão e compressão — em função das solicitações, evitando dissipações de energia que têm sempre efeitos nos movimentos verticais e longitudinais do chassis. Ainda assim, para combater a maior altura ao solo, nota-se, aqui e ali, um pisar mais firme, mas nada de severo, sendo que apostar numa condução mais afoita também não é por aí além de recompensador para este modelo. A carroçaria denota inclinação evidente em curvas feitas de forma mais despachada, pelo que o melhor é optar por uma toada mais calma e desfrutar da viagem, sem exageros. Até porque o conforto e a ambiência a bordo é mesmo apelativa para uma condução mais homogénea, sem grandes rasgos de desportista, ainda que a direção até tenha bom ‘feeling’. Sobretudo, em cidade, onde a sua condução exibe ainda mais pontos, com uma posição de condução elevada e visibilidade facilitada em todas as direções. 
- April 6, 2026