Esta defesa dos combustíveis sintéticos por parte do governo alemão tem muito que ver com o facto de a Porsche e o Grupo VW terem investido muitos euros no desenvolvimento desta tecnologia. Contudo, estes combustíveis são hidrolisados de água e dióxido de carbono num processo que pode usar apenas energia sustentável – mas em quantidades muito grandes que os críticos dizem que poderiam ser melhor empregues noutros lugares. Os e-fuel também são muito dispendiosos neste momento, embora os seus defensores refiram que o custo diminuirá com a produção em escala. O CEO da Porsche, Oliver Blume, vê, por exemplo, os combustíveis sintéticos como uma forma de propulsão livre de carbono para automóveis com motor de combustão, como o icónico 911 no futuro.
“Objetivo não pode ser adiado”
Bruno Le Maire, ministro da Economia da França, foi muito contundente ao analisar a situação: “Não se pode dizer que existe uma emergência climática, que as nossas cidades estão muito poluídas e atrasar a transição para os veículos elétricos. Esse objetivo não pode ser adiado.” No entanto, segundo o ministro alemão das Finanças, a França não está a levar em conta o facto de que os veículos 100% elétricos são mais caros que os térmicos, o que tornará essa forma de mobilidade menos acessível aos cidadãos. Le Maire contrapõe, referindo que acredita que a Europa está 5 a 10 anos atrás da China no desenvolvimento de veículos elétricos, portanto mensagens inconsistentes para a indústria europeia devem ser evitadas. “Dizer que vamos eletrificar, mas também ficar um pouco com a combustão interna é economicamente incoerente e perigoso para a indústria. Não é do nosso interesse, não é do interesse dos fabricantes de automóveis e não é do interesse do planeta”.