Uma nova etapa para a mobilidade elétrica na Audi, com o e-tron GT a assumir-se como o modelo de topo da marca alemã, com autonomia até 488 quilómetros. O novo GT de aptidões dinâmicas chegará em duas versões, incluindo uma mais desportiva, sob a insígnia RS, naquele que será o primeiro elétrico da Audi a beneficiar deste tratamento mais extremo. Os preços começam pouco abaixo dos 110 mil euros para o e-tron GT quattro. Com um visual sublimado pela vertente da aerodinâmica, este coupé de quatro portas revela uma identidade singular e diferenciada dos demais modelos da marca, tendo por base a plataforma PPE (Premium Platform Electric), a mesma que foi utilizada pela Porsche para o Taycan. Aliás, o e-tron GT tira algum partido do trabalho de desenvolvimento feito pela marca de Estugarda, acabando assim por beneficiar diretamente do que já foi feito para o Taycan, sobretudo em matéria de ergonomia e construção. Aliás, importa referir que os motores, a bateria (fornecida pela LG) e o sistema de suspensão são os mesmos que a Porsche utiliza no seu desportivo de quatro portas. Silhueta escultural Visualmente, a ideia da Audi foi reinterpretar o conceito clássico de um ‘gran turismo’, criando um modelo de estética mais impressionante, com destaque para uma renovada grelha ‘Singleframe’, de disposição invertida, e para o formato de estilo coupé na secção traseira. Os ‘ombros’ largos acima das cavas das rodas acentuam a sua presença dinâmica. Com um coeficiente de arrasto de apenas 0.24 Cd, o e-tron GT revela muito cuidado neste departamento, com a marca a declarar que o formato baixo da carroçaria foi essencial. Marc Lichte, diretor de design da Audi, aponta para uma ideia de “automóvel escultural”, dispondo de tecnologias como as grelhas ativas, suspensão pneumática, fundo coberto, difusor traseiro e spoiler retrátil, num conjunto que permite assim reduzir o arrasto aerodinâmico e melhorar as prestações e os consumos energéticos.
“Quisemos ter um carro realmente emocional, com linhas muito fortes. Talvez o aspeto mais importante é enfatizar a forma como o carro assenta nas rodas e a herança quattro da Audi nas laterais”, sublinhas.
A pensar no mesmo conceito de eficiência, as jantes produzem igualmente um efeito aerodinâmico com dimensões entre as 19 e as 21 polegadas. 
A sonoridade é um dos elementos em destaque no e-tron GT, com os responsáveis por esse departamento a afirmarem-se satisfeitos com o resultado final. Afastando-se do som tradicional dos motores de combustão, o objetivo no e-tron GT foi replicar a sonoridade para uma nova era, além de garantir que existe uma maior correspondência entre a sonoridade e a velocidade a que se circula.
O motor elétrico traseiro está associado a uma transmissão de duas velocidades. A primeira, mais curta, permite máxima aceleração quando em arranque no máximo das suas capacidades. Em utilização dita normal, o e-tron GT arranca em segunda velocidade, com a marca dos quatro anéis a explicar que, regra geral, o escalonamento longo dessa relação permite melhorar a eficiência geral. Perante estes dados de potência, a aceleração dos zero aos 100 km/h cumpre-se em 4,1 segundos no caso do e-tron quattro e em 3,3 segundos no RS e-tron GT, com velocidades máximas de 245 km/h e 250 km/h, respetivamente. Integrado no sistema de gestão energética do Audi e-tron GT está o controlo inteligente dos modos de ‘roda-livre’ e de recuperação de energia, podendo recuperar até um total momentâneo de 265 kW. O consumo energético do e-tron GT quattro varia entre 18.8 e 19.6 kWh/100 km e o do RS e-tron quattro entre 19.3 e 20.2 kWh/100 km. Tal como é costume nos modelos da Audi, os perfis de condução drive select fazem parte do leque de equipamentos, diversificando os parâmetros do veículo de acordo com o modo de condução escolhido – cada modo altera a direção às quatro rodas (opcional), o amortecimento (com suspensão pneumática de três câmaras), a tração integral e o diferencial do eixo traseiro. Um exemplo é a configuração de tração exclusivamente dianteira quando escolhido o modo ‘Efficiency’ para máxima eficiência. No campo da travagem, pode dispor de discos de carbocerâmica opcionais com um diâmetro de até 420 mm. Carregamentos rápidos Posicionada entre os dois eixos e em posição bastante baixa, permitindo uma distribuição equitativa de peso entre os dois eixos (50:50), a bateria é fornecida pela LG, com 93 kW de capacidade bruta, sendo 85 kWh a capacidade utilizável. O sistema elétrico assenta numa voltagem de 800V. Composta por 396 células em 33 módulos, esta bateria permite um espectro variado de velocidades de carregamento – AC de 11 kW e 22 kW e DC até aos 270 kW. Recorrendo a este modo, bastam cinco minutos para se obter uma autonomia em redor dos 100 quilómetros. Já o processo de recarregamento de 5 a 80% do estado de carga leva menos de 23 minutos em condições ideais, de acordo com a Audi. A gestão térmica do sistema foi outro ponto ao qual se dedicou grande atenção, dispondo de quatro circuitos independentes de refrigeração por líquido para regulação dos componentes de alta voltagem e do interior. A este respeito, o e-tron GT conta com uma bomba de calor para aquecimento do habitáculo, ajudando assim a vertente da eficiência usualmente afetada pela climatização no inverno. Os condutores podem igualmente ajustar a temperatura do habitáculo a partir do exterior e de forma remota, usando a aplicação myAudi. Os novos modelos da Audi deverão chegar a Portugal no final de março, com os preços a arrancarem pouco abaixo dos 110 mil euros, não estando ainda definidos. Em cima da mesa está ainda a possibilidade de surgirem outras variantes, com os responsáveis da marca a admitirem que estão a trabalhar num “ciclo de vida bastante longo”, embora nada tenha sido revelado quanto a outros formatos do e-tron GT.
