Um dia em Brisbane e de avião para Sidney

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Na volta das ilhas Fiji voltei a fazer escala em Brisbane. Desta vez fiquei 24 horas. Aluguei uma bicicleta e fui visitar os concessionários Lamborghini e Ferrari, onde tinham, além de vários carros novos, um F40 em exposição.

Da parte da tarde fui até “South bank”, do outro lado do rio, onde têm uma praia artificial, com areia trazida de praias verdadeiras. Almocei junto a esta concorrida praia e à tarde fui visitar o museu da cidade, com uma exposição de arte aborígena.

Os australianos parecem estar numa fase de arrependimento na forma como trataram os aborígenas, o povo indígena, no passado e agora, por todo o lado, contam a história deste povo, divulgam a sua arte e modo de vida e tentam que eles comecem a integrar a sociedade de uma forma pacífica. Até início dos anos setenta achavam que as famílias de aborígenas não tinham condições para criarem os muitos filhos que tinham e tiravam-lhes as crianças para as criarem em orfanatos próprios. É a chamada “stolen generation”, um problema social que criou feridas que levarão gerações a cicatrizar.

No dia seguinte acordei cedo para apanhar o avião de regresso a Darwin. Fiquei três dias naquela pequena cidade e fiz mais umas pinturas para o pequeno Hotel onde estou a ficar, desta vez o lago da entrada.

Com uma espera de mais quinze dias pela moto decidi então meter-me noutro avião e ir passar dez dias a Sydney, onde tenho uma amiga que não via desde que para cá veio, há mais de trinta anos.

Fiquei fascinado com a cidade. Esta zona costeira é muito recortada, com inúmeras baías, muitas delas com praias ou pequenos portos. Só a parte central da cidade tem prédios altos e todo o resto estende-se por esta costa espetacular com muitas centenas de casas ou pequenos prédios de três ou quatro andares junto ao mar.

Ferries de passageiros fazem o transporte entre o centro e vários destes pequenos portos, evitando o transito na cidade que, de qualquer forma, nunca tem a intensidade das principais cidades europeias ou asiáticas. Talvez por a população ser relativamente reduzida e estar espalhada por uma área tão grande. À semelhança de África este é um país que não tem, definitivamente, problemas de espaço.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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