Fiat 500. Stellantis prolonga paragem em Mirafiori e reacende braço de ferro com os sindicatos

Fábrica de Turim cumpre quatro semanas sem produzir o Fiat 500. Construtor invoca escassez de semicondutores para gestão de motor, mas sindicato metalúrgico denuncia "álibi" para ocultar quebra de procura.
Os Fiat 500 na fábrica de Mirafiori.
Os Fiat 500 na fábrica de Mirafiori.Stellantis
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A decisão da Stellantis de paralisar as linhas de montagem da fábrica de Mirafiori, em Turim, ao longo de toda a próxima semana (9 a 13 de novembro) perfaz quatro semanas consecutivas de inatividade na montagem do Fiat 500.

A medida, comunicada pelo consórcio automóvel e confirmada pela federação sindical FIOM, volta a expor o fosso entre a justificação operacional do grupo e o diagnóstico dos representantes dos trabalhadores.

Oficialmente, a administração atribui a extensão do corte a uma rutura pontual na cadeia de abastecimento de componentes eletrónicos — em particular de microchips aplicados nas unidades de controlo de motor (ECU). Trata-se do mesmo constrangimento logístico que atinge a montagem do Fiat Pandina em Pomigliano d'Arco e que, segundo fontes da empresa, ameaça prolongar perturbações intermitentes até ao final de dezembro.

O sindicato metalúrgico recusa essa justificação técnica. Gianni Mannori, porta-voz da FIOM, considerou publicamente que a escassez de semicondutores funciona como um "álibi", sustentando que o verdadeiro motor da paralisação continua a ser o arrefecimento persistente da procura de mercado pelo citadino italiano.

Com o recurso recorrente a regimes de suspensão temporária de contratos e volumes de montagem muito aquém das metas anuais fixadas para 2026, Mirafiori converteu-se no epicentro da contestação à estratégia industrial da Stellantis em Itália.