A Renault sabe que nem todos os seus clientes estão já predispostos para adotarem a mobilidade 100% elétrica, pelo que seria imprudente cortar em definitivo com a estratégia de mobilidade à medida de cada um. Assim, a gama do novo Austral contempla diferentes opções de eletrificação, sendo a E-Tech Hybrid aquela que mais atenção recolhe. Uma solução criada pela companhia gaulesa e estreada neste novo SUV, com desempenho competente e refinamento bem conseguido. É com a tecnologia híbrida que a Renault espera cativar os antigos clientes dos motores Diesel, propondo uma solução altamente eficiente e com respostas capazes de satisfazer todas as necessidades, com dois níveis de potência preparados: 160 CV e 200 CV. Na apresentação internacional que decorreu em Madrid, Espanha, a marca colocou à disposição dos jornalistas a versão mais potente, sendo esta uma solução que demonstrou os seus predicados ao longo de percursos variados. As versões ensaiadas eram também as mais equipadas, com acabamento desportivo Esprit Alpine. A bordo, a primeira impressão é a de um modelo muito bem conseguido, com nível de acabamento muito elevado, destacando-se também pelos bons materiais e por revestimentos que dão uma ótima impressão geral. Esta melhoria na qualidade percebida acaba por ser importante, atendendo à melhoria também dos seus rivais, pelo que a Renault está assim em muito boa posição.
Nota ainda para a qualidade geral do habitáculo, mostrando-se uma evolução notória, sobretudo quando na versão de equipamento mais elevada, a Esprit Alpine com um toque de desportividade à mistura. O espaço atrás é correto, situando-se na média do segmento, tendo ainda como vantagem a movimentação longitudinal dos bancos traseiros, o que permite aumentar a volumetria da bagageira, a qual varia entre os 430 litros e os 1455 litros com o rebatimento das costas dos bancos. Boas respostas, ainda melhor refinamento A tecnologia híbrida apresentada no Austral pode ser obtida em dois níveis de potência – 160 CV ou 200 CV. Porém, a base técnica é a mesma: ambos recorrem a um novo motor 1.2 Turbo de três cilindros (130 CV e 205 Nm), que se combina com dois motores elétricos: um é o motor de tração (e-motor) com 50 kW e 205 Nm, enquanto o outro é um gerador/motor de arranque de alta tensão (HSG) utilizado para ligar o motor de combustão, trocar de velocidades e carregar a bateria. Há ainda uma bateria central de iões de lítio de 1.7 kWh (400 V) e caixa de velocidades multimodo de dentes direitos. O sistema full hybrid deste Austral significa que apenas durante alguns momentos é possível circular em modo elétrico. Porém, o sistema funciona realmente bem, com boa integração da unidade elétrica a permitir, durante muitas vezes, que funcione sem recurso ao motor de combustão de 1.2 litros. Adicionalmente, como a capacidade de regeneração é muito boa, a bateria facilmente repõe a carga necessária para nova tirada apenas com o motor elétrico. Como é de supor, há que dosear o pedal do acelerador para não despertar o motor de combustão, mas quando tal acontece, as prestações combinadas são muito boas, com aceleração dos zero aos 100 km/h em 8,4 segundos no caso da versão Esprit Alpine. Não obstante, sobretudo em modo mais ecológico de condução (ajustado pelo Multi-Sense), há um ligeiro atraso na resposta quando se pressiona o acelerador mais a fundo para uma ultrapassagem, por exemplo, algo que os responsáveis da Renault com quem falámos garantem que será ainda melhorado até ao lançamento. FICHA TÉCNICA Motor (térmico): 1199 cc, 3 cilindros em linha, turbo, injeção direta Potência: 130 CV às 4500 rpm Binário: 205 Nm às 1750 rpm Motor elétrico 1: Síncrono de ímanes permanentes, 68 CV/50 kW, 205 Nm Motor elétrico 2: Gerador de energia/auxiliar, 34 CV/25 kW, 50 Nm Potência combinada: 200 CV Bateria: Iões de lítio, 1.7 kWh Aceleração 0-100 km/h: 8,4 seg. Velocidade máxima: 175 km/h Consumo médio (WLTP): 4,6 l/100 km Emissões CO2 (WLTP): 104 g/km Dimensões (C/L/A): 4.510/1843/1618 mm Distância entre eixos: 2667 mm Bagageira: 430 (555)-1455 litros Preço: 45.300€