
Nas entradas das sedes de partidos foram grafitadas frases como “Eletricidade 100% renovável e gratuita”, “Fim ao fóssil 2030” e “Este partido não tem um plano”, acusando, assim, as forças políticas de falta de planos para o fim dos combustíveis fósseis até 2030. Também outdoors de diferentes partidos foram pintados. O comum dos cidadãos indigna-se perante estas formas de contestação e vê nestes protestos dos jovens estudantes “atos de vandalismo” e “ataques ao património”, os quais levam, de resto, a detenções e à apresentação de queixas às autoridades policiais.
No entanto, os manifestantes consideram estas suas ações apropriadas e um exemplo de um “ativismo por uma causa justa” em defesa do ambiente: “Eleições em 2024 dão mandato até 2028. Este é o último mandato para resolver crise climática. Não ter agora um plano para fim ao fóssil até 2030 é condenar o nosso futuro”, referem os ativistas.
Mas por que razão, afinal, esta contestação é tão radical?
A Climáximo, organização que reúne estes jovens ativistas ambientais, defende-se que esta espécie de “táticas de guerrilha” surge porque todas as formas de sensibilização e protesto usadas, como manifestações mais pacíficas e reuniões com diferentes instituições, não deram em nada. “Já fizemos de tudo. O problema é que os governos e os chefes das empresas estão a fazer escolhas conscientes e coordenadas de matar e despejar milhares de pessoas, inclusive a ti e a quem tu amas”, declara a Climáximo que diz ser necessário uma disrupção “para parar a destruição”: “A nossa casa está a arder. Todas as pessoas têm de parar o que estão a fazer e, juntas, temos de apagar o fogo. Não dá para aguentar mais”, insistem.

A Climáximo afirma que apesar do consenso científico sobre a crise climática, “o sistema não respondeu” e que “não estamos apenas numa emergência global, estamos em guerra”, acusando os governos e as empresas de inação e de, com isso, declararem “guerra contra as pessoas e o planeta”. Com o aproximar do 50º aniversário do 25 de Abril e num ano em que haverá mais um ato eleitoral (Europeias a 09 de junho), este tipo de ações deverá subir de tom e frequência. Esta primavera, o movimento vai mobilizar estudantes nas escolas para “uma onda de ações em maio a que chamam ‘Primavera Estudantil Pelo Fim ao Fóssil’”. Os jovens prometem que “não vão dar paz” às instituições de poder que não estão a garantir o fim ao uso dos combustíveis fósseis até 2030. Para estes ativistas, “a luta vai fazer-se nas escolas e nas ruas. Sabemos que estamos do lado certo da história”.