Para salvarmos o planeta…uma ova!

Partir para uma viagem de 200 km, com uma autonomia de 203 km, era algo impensável no inicio da nossa aventura elétrica, e, chegar ao destino com 44 km de autonomia era algo ainda mais improvável. O que nós chamamos conduzir sem combustível. A capacidade de regeneração do Soul EV é fantástica e a autonomia anunciada de 250 km não é nenhum exagero do marketing. O Kia Soul EV está dotado de grande capacidade para uma condução urbana eficiente.

Um leitor que tem acompanhado a nossa “aventura” e segundo me disse está decidido adquirir um Soul EV, perguntou-me, até com alguma pertinência, se o que escrevo sobre o Soul EV é tudo verdade e pedia a minha opinião sincera. Pois bem, se eu estivesse comprador de um veiculo elétrico, não tinha qualquer dúvida em optar por em Soul EV. Primeiro, porque gosto do carro. Já ouvi dizer sobre o Soul: ou se gosta ou se detesta. Eu gosto. Gosto muito do Soul em cores claras e atraentes. Gosto da sua filosofia de carro e do look de irreverente de crossover citadino. E, depois, tudo o que vem atrás e o Soul oferece, desde a guiabilidade, passando pela tecnologia, fiabilidade, conforto, segurança, equipamento e 7 anos de garantia!

A nossa aventura está cada vez mais perto do fim e está a ser uma experiência fantástica. Ultrapassar os obstáculos do dia-a-dia em modo viajante, conhecendo outras realidades, interagindo com as pessoas em locais nem sequer visitados por turistas é muito enriquecedor e gratificante e dá-nos uma perspectiva bastante diferente da dos roteiros turísticos e dos centro históricos ocupados por bares, restaurantes e lojas de souvenirs.

Uma das coisas que me irrita, solenemente, é uma certa “nouvelle vague” de pseudo-ambientalistas que usam a defesa do ambiente com objetivos puramente comerciais. Num dos hotéis em que ficamos, com decoração minimalista, design escandinavo, completamente avantgarde, diga-se de passagem, muito agradável, mas onde para retirar gel de banho do doseador era um autentico quebra-cabeça tridimensional, tipo cubo de rubik, mostrava nos quartos a seguinte mensagem: “Para salvarmos o planeta, só fazemos limpeza aos quartos, de 4 em 4 dias”. Sinceramente…para salvarmos o planeta? Uma ova!

A Finlândia, encantou-nos. Desde as regiões geladas e inóspitas do norte, às florestas intensas e verdejantes do sul, a terra dos 180.000 lagos e mais de 40.000 ilhas é um país da comunidade europeia, pouco europeu, com um olho na Europa e outro na Russia, como quem diz: um olho no burro e outro no cigano. Uma metáfora – politicamente pouco correta, admito – o meu amigo e cliente de há muitos anos ,Jyri Akrenius, que tem uma excelente fábrica de máquinas para a industria alimentar nos arredores de Helsínquia, não desmente: “Se tenho casa em Helsínquia, casa de campo junto ao lago, apartamento em Paris, carros e barco devo-o à Russia, portanto, sou sincero, não posso falar mal de Putin”.

A história da Finlândia é uma história de medos e receios. A sombra da Russia sempre pairou sobre a Finlândia e os finlandeses sempre tiveram medo do gigante da Euroásia mas, ao mesmo tempo, a Russia é o grande mercado das exportações finlandesas. Curiosamente, na Segunda Grande Guerra Mundial a Finlândia com medo da invasão soviética aliou-se a Hitler e, paradoxalmente, hoje, é o único local fora da Russia que tem um museu sobre Lenine. Fica na cidade de Tempere, onde Lenine e Josef Stalin se encontraram pela primeira vez, em 1905.

Mas, o país que no deu o saudoso Nokia 1011, o viciante jogo Angry Birds e o emblemático – e destrutivo – cocktail Molotov, é um bom lugar para nascer. Desde o fim da década de 1930, o governo entrega gratuitamente a todas as famílias de recém-nascidos uma caixa de papelão cheia de produtos para bebés – roupas, fraldas, produtos de higiene e brinquedos. E a caixa serve também como berço, já que vem com um pequeno colchão.

A organização “Save the Children” elegeu a Finlândia como o melhor país do mundo para ser mãe. Um dos pais pode ficar em casa até a criança chegar mas três anos de idade, recebendo o seu ordenado completo, pago pelo Estado. As creches são gratuitas e a educação é considerada a melhor do mundo.

Em termos de mobilidade elétrica, tem um boa rede de carregadores, bem melhor do que nos vizinhos Noruega ou Suécia, e a empresa que gere a rede, a “DriveCharged”, funciona bem e são muito atenciosos.