O meu Soul EV adora carregamentos rápidos

Costumo dizer que as viagens estão sempre bem organizadas até ao dia da partida. O nosso objetivo é alcançar o Cabo Norte da Noruega à razão de 500 km por dia e, teoricamente não é difícil. O Soul EV apresenta-se com um bloco elétrico de 81,4 kW, ou seja, 110 cavalitos e 285 Nm de binário, com uma velocidade máxima de 145 km. Quanto ao carregamento, o Soul “abastece-se” com corrente continua. Com uma potência de 6,6 kW o tempo de carga pode ultrapassar as 6 horas, com um carregador de 50 ou 100 kW, o tempo de carga varia entre os 25 e 40 minutos. Até aqui tudo bem.
Quando aceitamos esta prova de superação ou esta “maluquice” de fazer a viagem inédita desde o Cabo da Roca até ao North Cape, na Noruega, com o KIA Soul EV, começamos por devorar toda a informação sobre carros elétricos, pontos de carga na Europa, instalamos as melhores aplicações e elaboramos um plano de viagem com base nos pontos de carregamento rápidos; queríamos fugir dos carregamentos lentos como o diabo foge da cruz (a não ser para carregar durante a noite).
A autonomia do Soul EV, como em todos os veículos elétricos, depende da forma de condução. Num circuito urbano, com uma carga de 212 km (carregamento doméstico) conseguimos percorrer mais de 250 km. Numa viagem, com mais peso e com o pé ligeiramente mais pesado, a autonomia diminui, naturalmente. E foi com esta estratégia e convicção que saímos do Cabo da Roca para levar o Soul EV até ao confins do continente europeu.
O Soul EV é muito giro de conduzir, confortável, está muito bem equipado e reune todas as condições para proporcionar uma viagem tranquila. Só não estávamos à espera que os postos de carregamento rápido estivessem, na sua maioria, fora de serviço ou avariados. E o primeiro revés foi logo no primeiro dia. O objetivo era alcançar Salamanca (510 Km) pela A23 até à “fronteira” de Vilar Formoso. Da Guarda até á cidade espanhola não tínhamos hipótese de qualquer carregamento, e para isso contávamos com um carregamento rápido na Area de Abastecimento do Fundão. Azar. O ponto de carga estava fora de serviço! Com “combustível” (Leia-se:carga) para menos de 20 quilómetros, a situação era pouco animadora
Por portas e travessas conseguimos saber que o Hotel Puralã da Covilhã tinha um carregador exclusivo para clientes. Não perdíamos nada em tentar até porque não tínhamos outra hipótese. Com uma gestão de consumo muito apertada (dna qual já nos tornamos peritos) conseguimos chegar ao Hotel Puralã, que era nem mais nem menos que o antigo Hotel de Turismo da Covilhã, bem nosso conhecido, agora, completamente renovado e muito elegante. O pessoal foi muito simpático e mostrou inteira disponibilidade para carregar a bateria do nosso Soul. Os nossos agradecimentos ao Sr. Dr. Luis Beirão, Administrador da unidade hoteleira, pela simpatia e disponibilidade. Como se tratava de um carregador lento, optamos por carregar o suficiente para chegar à Guarda e optar por um carregador da Mobi.e. Da mesma forma, o carregador precisava de, pelo menos, seis horas para carregar a bateria, optamos por pernoitar na cidade da Guarda.
Em Espanha, o cenário foi o mesmo. Por exemplo, em Burgos existem 4 pontos de carga, dois estão avariados, um está instalado no hotel Landa e é exclusivo da marca de Elon Musk e o quarto está instalado num concessionário de automóveis que encerras às 18 horas. Restou-nos a simpatia de Raul, proprietário do Hotel “Landilla”, pequenino, barrigudo, tirado de um filme mexicano, que durante algum tempo ficou imutável a olhar para o Soul. Segundos depois, arreganhou a taxa e entre dentes disse: “cochezito elétrico…venga!”
No momento em que escrevo esta pequena crónica, estamos em Mont Marsans a cerca de 90 Km de Bordéus. fizemos uma pausa em San Sebastian e visitamos a mitíca praia de Biarritz, já “atestamos” e tudo indica que vai ser mais fácil e barato mas sobre isso falamos na próxima crónica
Para seguir a nossa progressão de viagem, consulte: https://portal.cartrack.pt/external/map/ (Uma simpatia CARTRACK)