Yamaha XSR900 Abarth vs Abarth 695 XSR: “Brinquedos” para o eterno solteirão?

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A Yamaha e a Fiat juntaram-se através da Abarth e criaram um automóvel e uma moto, que podem bem fazer parte da garagem de sonho de qualquer solteirão.

A marca do escorpião Abarth existe, há mais de 60 anos, no imaginário coletivo dos apaixonados pelo desporto motorizado. Quem não se lembra do Fiat 131 Abarth rally que passou por Portugal conduzido por Markku Alen nos anos de 1977/78 e 1981 no Rallye de Portugal Vinho do Porto?

Esta não é a primeira vez que a Fiat e a Yamaha colaboram num projeto. O facto de a marca italiana ser a fornecedora do automóvel oficial para a equipa do campeonato do mundo de MotoGP e patrocinadora oficial da Yamaha Factory Racing Team já tinha dado frutos com o Abarth 595 Yamaha Factory Racing e ainda com o 696 Biposto Yamaha Racing Edition.

Agora, temos algo parecido, mas também diferente, pois além do automóvel há uma moto, ambos desenvolvidos em conjunto com a divisão de performance Abarth. Isto significa que, no caso da moto, os pergaminhos já estavam elevados na sua versão normal. Com um prestigiado prémio Red Dot Award Product Design, a XSR900 é uma neo café racer da gama Sport Heritage, dentro da filosofia que a Yamaha chama de “Faster Sons”. Mas que tal são as suas prestações? Já lá vamos.

O pequeno Abarth, também na sua versão normal, que serve de base a este “envenenado” 695 XSR Abarth, é dos “restylings” mais bem conseguidos do mercado, mas passada a novidade, já não ligamos quando o vemos.

A “alma” da Yamaha XSR900 Abarth é o motor, um tricilíndrico com 847 cc e 115 CV, cuja sonoridade é afinada pelo escape completo em titânio da Akrapovic, que termina em duas ponteiras. Já a aura de café racer neo futurista é conseguida graças à utilização de carbono na carenagem frontal, do banco e guarda-lamas dianteiro. O banco desportivo em camurça e o guiador invertido obrigam a uma posição de condução agressiva, tipicamente cafe racer.

Em andamento somos brindados com uma boa experiência de condução – se não fosse pela posição tão desportiva, seria perfeita. O motor é excelente em andamento rápido na cidade ou simplesmente a passear. As suspensões são firmes, mas confortáveis, e temos poder de travagem suficiente para parar sem surpresas.

O 695 XSR Abarth não é um automóvel discreto e, tal como a Yamaha, só existe na cor Cinzento Pista, com as faixas Abarth vermelhas e aplicações em carbono nos retrovisores, tablier e volante. Ao ligar a ignição somos brindados com animações no painel de instrumentos e no ecrã de infotainement, acompanhado pelo “ronco” abafado do escape Akrapovic. É uma espécie de aviso para o potencial dinâmico do 695 XSR. Não estamos, claramente, perante um simples Fiat 500. Mas há mais: existe um botão no tablier que, quando premido, solta o “veneno” deste pequeno escorpião.

Em modo “sport”a instrumentação muda de cor para vermelho e a língua italiana assume o controlo: no nível de combustível aparece “benzina”, e no indicador de temperatura do líquido de refrigeração aparece agora “acqua”. A direção e as suspensões endurecem, a resposta do acelerador fica mais sensível à solicitação do pé direito, e o som do escape perde o tom abafado, ganhando clareza.

O “doce veneno” que a Abarth nos quer fazer provar com estas duas criações parecem perfeitas para o eterno solteirão. No entanto, será um enorme desperdício não partilhar os bons momentos que os dois proporcionam. O problema poderá passar por decidir quem leva o carro ou a moto. Terão de se apressar pois apenas foram feitos 695 exemplares de cada.

Ficha técnica
Yamaha XSR900 Abarth
Preço: a partir de 13.096 euros
Motor: 3 cilindros em linha com 847cc
Potência: 115cv
Caixa: 6 velocidades
Peso: 195kg

Ficha técnica
Fiat 695 XSR Abarth
Preço: a partir de 30.300 euros
Motor: 4 cilindros em linha, 1.4 Tjet
Potência: 165cv
Caixa: manual de 5 velocidades
Peso: 1035kg

Fotos: Armando Oliveira