
No total, de acordo com o relatório consultado pelo Welectric, CP e Fertagus suprimiram 27.700 comboios entre 2019 e 2022.
Os utentes dos comboios urbanos da Grande Lisboa são os que mais se podem queixar quanto à redução da oferta. A CP destacou como principais fatores com implicações negativas na regularidade e pontualidade do serviço ferroviário, principalmente em 2021 e 2022, as intervenções que têm sido feitas na infraestrutura e que implicam a imposição de limites de velocidade, em especial na Linha do Norte e na Linha do Minho; as avarias no material circulante; as greves realizadas por trabalhadores tanto da CP, como da IP; e diversos acontecimentos meteorológicos adversos que levaram à supressão de comboios em dezembro de 2022. Já a Fertagus destacou como principais causas para a supressão ou atraso dos comboios, com maior impacto em 2022, as greves dos trabalhadores da IP, os afrouxamentos decorrentes de constrangimentos na infraestrutura e ainda situações de doença súbita ou prolongada do seu pessoal. À Antena 1, a Associação Comboios do século XXI atesta a degradação do serviço ferroviário, lembrando que os milhões anunciados para a ferrovia ainda não são sentidos por quem usa diariamente os comboios. Quanto ao número médio de passageiros por comboio, dado pelo rácio PKm/CK (Passageiros km/comboio), em 2022 destacam-se os serviços urbanos e suburbanos de Lisboa da CP (≈277 pass/comboio), seguindo-se os serviços de longo curso e urbanos e suburbanos de Lisboa da Fertagus (≈175 passageiros/comboio), depois os serviços urbanos e suburbanos do Porto (≈117 pass/comboio) e por último, os serviços regionais (≈54 pass/comboio). No contexto da atividade de transporte ferroviário e tomando como referência o ano pré-pandemia de 2019, verificou-se: 2020 – um decréscimo de (-) 39,6 % no número de passageiros, (-) 48,5 % no número de passageiros-km e (-) 41,7 % nas receitas tarifárias. 2021 – um decréscimo de (-) 15,9 % no número de passageiros, (-) 20,6 % no número de passageiros-km e (-) 17,7 % nas receitas tarifárias. 2022 – uma subida de (+) 0,5 % no número de passageiros, (-) 3,6 % no número de passageiros-km e (-) 2 % nas receitas tarifárias. No que diz respeito às mercadorias o impacto não foi tão gravoso, tendo-se verificado o seguinte impacto, tomando também o ano de 2019 como ano de referência: 2020 – um decréscimo de (-) 39, 6 % no número de toneladas transportadas. 2021 – um decréscimo de (-) 0,4 % no número de toneladas transportadas. 2022 – um decréscimo de (-) 3,6 % no número de toneladas transportadas.