Autor de proeza única, ao sagrar-se penta campeão nacional na história de 52 anos do campeonato de ralis — a 1.ª edição foi em 1966 – Armindo Araújo fez dupla com Luís Ramalho no Hyundai i20 R5, na época que marcou o regresso à competição do piloto de Santo Tirso.
Uma temporada de sucesso em que tudo foi novo para Armindo Araújo, que contou com os patrocinadores de sempre para montar um projeto ganhador com o apoio da Hyundai Portugal.
Uma temporada bem gerida em termos desportivos, apostando na regularidade, foi um dos trunfos mais fortes do novo campeão, favorável à continuidade do atual modelo do Campeonato de Portugal de Ralis.
Corrido o pano sobre a época de 2018, Armindo tem os olhos postos na nova época e revelou estar a trabalhar já no sentido de garantir o patrocinador que falta para viabilizar um programa completo, de novo ao volante de um carro da marca sul coreana.
MOTOR 24 (M 24) — Conquistar, de modo inédito, o quinto título nacional absoluto, teve algum sabor especial? O triunfo no Campeonato de Portugal de Ralis de 2018 foi o mais saboroso?Armindo Araújo (AA) — Não diria que foi a mais saboroso; felizmente, já tive bons momentos na minha carreira, sentidos de modo diferente, mas este é um desses momentos muito saborosos.
Estivemos parados muitos anos e isto foi um regresso. Acima de tudo o que mais sinto e fico reconhecido por uma marca que vai entrar nos ralis e decide apostar em mim. Quando lanço o desafio aos meus patrocinadores, que sempre me acompanharam ao longo da minha carreira, eles estão lá e decidem abraçar o projeto comigo. Também me ajudaram no meu regresso e aí senti que tinha de dar o meu melhor para lhes dar o máximo retorno e a vitória no campeonato. Quando chegamos ao final do ano e conseguimos atingir esse objetivo, é muito bom, é muito saboroso.
M 24 – Este ano não foi, ao fim e ao cabo, uma aposta no escuro, com um carro novo e com uma estrutura diferente do que fora habitual ao longo da carreira?
AA — Para mim, de facto, foi tudo novo este ano. Foi recomeçar. Não sabias, obviamente, qual a nossa posição face aos adversários; foi trabalhar com uma equipa técnica nova e que eu conhecia mal. Tinha feito com eles uma corrida, há uns anos, mas não sabia o que podia acontecer durante uma época; uma marca que não tinha experiência a nível de competição, era o primeiro ano com uma marca sem experiência de competição e um navegador novo no meio de toda esta equação.

M 24 – Não foi fácil com uma estrutura bicéfala da equipa, pouco habitual, com duas estruturas diferentes, uma para cada carro (Carlos Vieira e Armindo Araújo).
Do ponto e vista emocional, como foi gerida esta situação?
AA — Tínhamos o posicionamento da Hyundai em Portugal com duas equipas completamente autónomas, que basicamente, apenas defendem a mesma marca, m defender a mesma marca. Temos que olhar de dentro para fora e mas também estar a ver também o que se passa com o nosso colega de marca. Não é um colega de equipa, mas sim um colega de marca. Muito honestamente, respeitando sempre muito os meus adversários, coloquei todos no mesmo patamar. Considerei o outro carro da equipa como mais um adversário no campeonato e que tinha de tentar lutar para ficar à frente dele. Foi isso que fizemos, e esse foi o meu posicionamento durante too o ano.
M 24 – A gestão, em termos de andamento, ao longo das provas, foi o grande trunfo?
M 24 – O campeonato acabou por ser mais fácil do que, à partida, era esperado? Era de esperar mais dos adversários?
AA — O resultado final e os números não demonstram a competitividade que o campeonato teve. Por exemplo, na primeira prova, estiveram 22 R5, pilotos com carros da última geração, pilotos com equipas ótimas, todos com enorme vontade de vencer. Por um motivo ou por outro, foram falhando aqui e ali e nós conseguimos ir desviando desses pequenos problemas e desses atraso em termos de pontuação que podíamos ter. Em momentos-chave, gerimos bem.
M 24 – O atual figurino do Campeonato de Portugal de Ralis é o ideal, muito em particular o número de provas?
AA — Este é o modelo ideal. Acho que temos um campeonato muito equilibrado no número de provas e não faz sentido reduzi-lo, mas também não faz sentido aumentá-lo, devido aos custos, pois não é realista para a nossa realidade económica.
Somos o modelo a seguir internacionalmente pela forma como criámos o nosso campeonato. Espanha apenas tem um campeonato de terra e outro de asfalto e neste momento tenta criar um campeonato misto, pois sabe que isso é o futuro. O Mundial de Ralis é constituído por provas de terra e de asfalto e quem quiser evoluir, dar um passo internacional ou mostrar qualidades, tem de mostrar que sabe andar em terra e em asfalto.
M 24 – O projeto é para continuar? Vamos ter em 2019 o campeão a defender o título?
AA — Existe uma grande vontade de todos os elementos do projeto em continuar. Gostava de continuar, de poder defender o título, mas a realidade e a verdade pura é que, este projeto, pela minha parte, só consegue ser viável com um novo parceiro.
Em termos financeiros tem de ser viabilizado por um outro parceiro e é nesse aspeto que estamos a trabalhar.
M 24 – De novo com a Hyundai?
AA — Sim. Neste momento, o objetivo é fazer o segundo ano com a Hyundai. Todos os meus parceiros querem continuar e montar o projeto para 2019; o único entrave é esse parceiro que falta para se juntar a nós. Todos os meus parceiros querem continuar e montar o projeto para 2019.