O piloto do Mitsubishi Racing Lancer, que faz dupla com Valter Cardoso, venceu ambos os setores cronometrados da prova inaugural do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno/AM 48, somou desse modo dois pontos bónus e acabou por dominar sem oposição à altura, o derradeiro dia da baja organizada pelo CPKA (Clube de Promoção de Karting e Automobilismo).
O adversário mais direto – João Ramos — desistiu logo no início do último setor cronometrado, traído pela mecânica da Toyota Hilux.
A prova alentejana, que decorreu na região de Beja e foi, totalmente, do agrado dos concorrentes, quer pela excelência do traçado, precisão do road book e magníficas instalações do Parque de Feiras e Exposições da capital do Baixo Alentejo, acabou por decorrer sob o signo do campeão.
Com uma vantagem de 26 segundos à partida para o derradeiro setor (151,6 km), Tiago Reis não baixou o ritmo e, ao Km 27 já desfrutava de 1m 10s de vantagem para o espanhol, Luis Recuenco (Mini Countryman), quando João Ramos já estava fora de prova.
João Ramos azaradoA exemplo do sucedido na época passada, também este ano João Ramos entrou com o pé esquerdo e viu-se forçado a desistir:
«Estávamos na luta pela vitória e íamos atacar no derradeiro setor cronometrado. Mas, ao fim de cinco quilómetros, começámos a ver fumo e constatámos que era devido à valvolina estar cair sobre o coletor de escape. Era um vedante da caixa de direção. Ficámos sem direção assistida e acabámos por desistir», explicou ao MOTOR 24 o piloto da Toyota Hilux.
«Na véspera, senti a caixa algo dura. Por precaução, trocámos a caixa e a respetiva bomba, colocando uma caixa nova vinda da África do Sul. Uma peça nova que fez cinco quilómetros…», lamentou o piloto-arquiteto.
Entretanto, Alejandro Martins (Mini JCW), após ter ganho o prólogo, não arrancou para o 2.º dia, na sequência dos problemas sentidos na véspera.

Na frente, Tiago Reis foi ampliando gradualmente a vantagem. No final, expressivos 7m 30s marcavam a diferença para Luis Recuenco.
Campeão dominou
«Tal como na véspera, entrámos fortes, com a intenção de lutar até ao fim pela vitória. Foi pena o João Ramos ter desistido, pois a luta ia ser forte», referiu o vencedor, que somou dois pontos extra pelo triunfo em ambos os setores. «Podem ser importantes no final do campeonato», sublinhou Tiago Reis.
Para o campeão nacional, «a organização está de parabéns, pois o troço cronometrado era excecional».
Desse modo, Manuel Correia (Mitsubishi HRX), 3.º em termos absolutos, garantiu a melhor classificação da carreira, ao averbar o 2.º lugar em termos de CPTT/AM48.
«Não podia ser melhor», confessou o piloto que faz dupla com Miguel Ramalho, «Nunca imaginei conquistar este lugar», sublinhou o piloto nortenho que elogiou o traçado — «a pista era espetacular» — e agradeceu à ARC Sport «ter proporcionado um carro excelente».
«No primeiro dia faltou-mos um pouco de andamento, consequência da paragem, uma vez que desde Portalegre que não competíamos. Fomos melhorando e a partir da segunda metade da prova, já estávamos no ritmo», referiu o piloto, particularmente agradado com a prova:
«O troço era fabuloso e foi, eventualmente, o melhor de que me lembro na minha carreira. Era divertido e giro, rápido e técnico, e o road book fantástico, muito preciso», sublinhou Paulo Rui Ferreira, que na fase derradeira ganhou três posições em termos de geral.
Apesar de ter capotado a 30 km do final, André Amaral levou a Ford Ranger ao 5.º lugar absoluto. «Capotámos, mas conseguimos recolocar o carro em pista e terminar, mas perdemos bastante tempo», explicou o piloto de Barcelos.
Confiante, adiantou que «na próxima corrida irá correr melhor. O nosso objetivo é andar entre os cinco primeiros a um bom ritmo. Introduzimos uma evolução no carro, mas não podemos fazer muito mais. O nosso carro está num patamar um pouco inferior a algumas das máquinas da frente. Mas, mas estamos na luta», sublinhou André Amaral.
Com problemas de rendimento do motor, «sem explicação evidente», como referiu ao MOTOR 24, Nuno Matos (Fiat Fullback Proto) foi 6.º classificado, seguido por Nuno Madeira (Kia Sportage).
Na estreia com um Can-Am Maverick (T3) Alexandre Ré foi 8.º da geral, mas o futuro do aveirense «é ainda uma incógnita», como adiantou o piloto.
Em bom plano, Luís Dias (Nissan Pick Up Proto) provou que quem sabe, nunca esquece apesar de uma ligeira quebra na fase derradeira e que explica o 9.º lugar à chegada, à frente de David Spranger (BNW 316 Proto).
Para esquecer foi a estreia da dupla Edgar Condenso/Nuno Silva com a Ford Ranger Proto: um problema elétrico impediu a participação no prólogo e, logo ao Km 18 do 1.º setor, a descarga da bateria colocou ponto final no desempenho do Team Consilcar.
Outros vencedores
Na categoria T8, triunfou a dupla Francisco Barreto/Carlos Silva (Nissan Navara); os jovens João Ferreira/David Monteiro (Nissan Pathfinder) impuseram-se no T2; Joel Marrazes/Fábio Ribeiro (Nissan Navara D22) ganharam a Taça de Portugal.
Classificação final
1.º Tiago Reis/Valter Cardoso (Mitsubishi), 3h 53m 07s
2.º Luis Recuenco/Victor Rodriguez (Mini), a 7m 30s
3.º Manuel Correia/Miguel Ramalho (Mitsubishi), a 9m 32s
4.º Paulo Rui Ferreira/Jorge Monteiro (Toyota), a 12m 28s
5.º André Amaral/Nelson Ramos (Ford), a 14m 29s
Campeonato
1.º Tiago Reis, 27 pontos
2.º Manuel Correia, 20
3.º Paulo Rui Ferreira, 17
4.º André Amaral, 14
5.º Nuno Matos, 12
6.º Nuno Madeira, 10
7.º Alexandre Ré, 8
8.º Luís Dias, 6
Próxima prova: Baja TT ACP/Santiago-Grândola, dias 6 a 8 de março
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