
O piloto do Skoda Fabia, que fez dupla com Pedro Calado, liderou, praticamente, de início a fim – a exceção foi a superespecial de abertura -, ou seja, da 2.ª à última classificativa e venceu 16 das 19 especiais de um rali que ficou aquém das expectativas, uma vez que o esperado despique entre madeirenses e continentais ficou-se pelo campo das intenções e o «cabeça de cartaz Giandomenico Basso mal aqueceu e acabou por nem regressar em Rallye 2.
O italiano utilizou o Hyundai i20 de Carlos Vieira, tendo o carro recebido uma nova carroçaria — a mecânica quase não ficou afetada –, após o violento acidente no Rali Vidreiro/Centro de Portugal. Entretanto, as notícias quanto à recuperação física do campeão nacional são, felizmente, as mais animadoras, superando mesmo as expetativas mais otimistas, segundo adiantaram fontes da equipa Sports & You.
José Pedro Fontes acabou por fazer uma boa operação em termos de Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), somando o maior número de pontos, enquanto Ricardo Teodósio não só manteve a vice-liderança, que esteve em perigo até à penúltima especial, altura em Miguel Barbosa saiu de estrada, como encurtou em termos reais, a distância para o líder Armindo Araújo, pouco feliz no regresso à Madeira 12 anos volvidos.
Pedro Camacho contou com a nova evolução de motor no Fabia, e ainda com uma caixa de velocidades de relações mais curtas. Senhor de um ritmo impressionante, foi o expoente da superioridade dos pilotos locais, com a dupla Miguel Nunes/João Paulo a «dar o máximo» para tentar encontrar antídoto para se opor ao líder que, troço a troço, foi cimentando a vantagem, perante a impotência dos pilotos continentais, sem andamento para os madeirenses.
No final, o vencedor sublinhou que «este triunfo teve um significado especial. Te ganho o ano passado já fora excelente, agora, ser o único madeirense a ganhar dois anos consecutivos só nos pode deixar ainda mais satisfeitos».Alexandre Camacho elogiou Migue Nunes, que «esteve muito forte» e confessou que «na manhã de sexta feira tentámos imprimir — e conseguimos — imprimir um ritmo muito forte para conseguirmos dilatar a vantagem. Fomos melhorando o set up do carro para minha satisfação» e recordou que «já tinha dito que ia ser difícil um pódio sem madeirenses».
O duelo Camacho-Nunes começou cedo a desenhar-se: Giandomenico Basso furou e partiu uma transmissão, desistindo logo no arranque do primeiro dia na estrada; pouco depois (5.ª especial) João Silva (Citroën DS3) despistou-se. A classificativa foi interrompida, para ser prestada assistência ao piloto e ao navegador Vítor Calado.
O acesso à saída de emergência, bloqueado por muitos automóveis, atrasou (e muito) a passagem das ambulâncias, impedidas de prosseguir. O transporte para o hospital, de onde a navegador teve alta no dia seguinte, com fratura de uma costela, demorou um tempo que parecia interminável. Felizmente, a situação não era de extrema gravidade.
Nessa classificativa, Armindo Araújo (Hyundai) furou e perdeu três minutos, ficando o líder do CPR com a sorte traçada.
Todavia, Fontes, que veio a cotar-se como melhor classificado (3.º da geral) dos interessados no CPR esteve sempre longe dos inalcançáveis madeirenses.
O piloto portuense da Sports & You não escondeu, durante o rali, a sua frustração, por «não conseguir fazer tempos como sucedia, há dois e três anos, nomeadamente, com o DS3». O atual C3 «tem um potencial muito forte, mas o carro tem ainda de ser trabalhado», revelou o piloto, que confessou «não ter idade para vitórias morais, pois já discuti este rali com o Alexandre Camacho», aludindo aos tempos do Porsche do DS3, no fundo, idêntico ao Peugeot utilizado pelo madeirense.
De qualquer modo, José Pedro Fontes arrecadou pontos significativos em termos de CPR, subindo ao 3.º lugar, atrás de Ricardo Teodósio que manteve a vice-liderança, quando já nada o fazia prever: na penúltima especial, Miguel Barbosa capotou e o piloto algarvio subiu um degrau na classificação e no pódio dos continentais.
«Só fiz este rali completo em 2009, pois só completei metade em 2014. Queria mais, mas na Madeira não se consegue andar mais perto dos lugares da frente. É preciso conhecimento e experiência», sublinhou. «Senti o carro melhor na parte final e ganhámos pontos muito importantes e gostaria de chegar ao algarve em posição de poder discutir o campeonato», referiu o piloto do Skoda Fabia.
«O rali devia começar agora», confessou o piloto de Paredes no penúltimo parque de assistência. «Estávamos a andar em bom nível; acreditávamos mais e o entrosamento com a equipa Speedy Motorsport já era maior», sublinhou João Barros, que chegou ao Funchal com o Fiesta sobre a jante esquerda traseira para completar o pódio (virtual) do CPR após ter feito as três últimas classificativas com os travões em deficientes condições.
Para Armindo Araújo, o regresso à Madeira saldou-se por evidente frustração, não totalmente justificada pelo furo sofrido na 5.ª classificativa.
«O furo acabou por ser uma consequência da tentativa de camuflar o facto de o carro não curvar como desejamos. Para antecipar a abordagem a uma curva fomos à berma e furámos. Ia acontecer mais cedo ou mais tarde», revelou ao MOTOR 24 o piloto do Hyundai.
«Sabemos que podemos fazer mais, mas não conseguimos. Viemos com um referencial inadequado e perdemos sempre alguma coisa em todas as curvas».
Estreia bem sucedida na prova madeirense teve Pedro Almeida. O piloto do Ford Fiesta preparado pela ARC Sport foi 5.º no CPR, apesar de um furo, na manhã do último dia, «ter condicionado o desempenho». De qualquer modo, o jovem piloto famalicense confessou:
«Estou contente com o resultado, pois era objetivo fazer o melhor possível. E deu para conhecer os troços», acrescentou o autor de uma boa atuação, marcada pela regularidade.
O prémio do azar foi para Miguel Barbosa e para Pedro Paixão. O piloto do Skoda era o 4.º da geral, tinha o 2.º lugar do CPR, praticamente, assegurado, mas capotou na penúltima classificativa e desistiu.
«Cometi um erro que saiu caro», confessou Miguel Barbosa. «Tudo aconteceu no terceiro quilómetro da penúltima especial. Falhei uma travagem e o Skoda caiu num buraco de onde era impossível sair. É uma pena, porque estávamos, de facto, a andar muito bem e com esta falha tudo se esfumou», referiu desalentado.
Na última especial, o madeirense Pedro Paixão, autor de uma prova meritória, desistiu com um princípio de incêndio no Hyundai i20, quando se preparava para festejar o 4.º lugar absoluto.
Um rude golpe para a Racing4You, que fará alinhar, no Rali Amarante/Baião, dois Hyundai i20 para Manuel Castro e Paulo Meireles, segundo adiantou ao MOTOR 24 o líder da estrutura minhota.
«Para esquecer», foi o rali de Pedro Meireles (Skoda Fabia), que desistiu em ambas as etapas: despiste na 6.ª especial e rolamento gripado no regresso em Rallye2.
Mas, desde início que as coisas não correram bem: «a afinação de diferenciais que escolhemos não resultou», explicou o piloto.
Frustrado, Pedro Meireles acrescentou:
«Agora, temos dois ralis até final da época para cumprir calendário. Vamos tentar fazer o nosso melhor», acrescentou o piloto vimaranense
Na estreia absoluta na Madeira, onde nunca tinha estado, António Dias levou o Skoda Fabia até final. «Este rali requer conhecimento, pois os troços encadeados são muito técnicos. Terminar o rali e dar espetáculo pois o público é maravilhoso e há gente em todo o lado, eram os objetivos», sublinhou o piloto nortenho.
Miguel Correia nas 2 RM
Nas 2 Rodas Motrizes (CPR2), Miguel Correia (Renault Clio R3) teve um batismo madeirense para recordar, ao triunfar de modo claro.
«Correu tudo muito bem, pois foi chegar, ver e vencer num rali muito difícil. Tentei gerir o andamento para chegar ao final na frente», referiu o piloto de Braga.
Vítimas de percalços, Paulo Neto (Citroën DS3 R3), devido a problema com um tubo de gasolina solto; Gil Antunes (Renault Clio R3), desistente na 1.ª etapa (caixa de velocidades), regressou em Rally2, e Roberto Canha (Peugeot 208 R2), que abandonou na derradeira tirada (direção, tiveram um rali que não deixou boas recordações.
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Campeonato
1.º Armindo Araújo, 121,81 pontos
2.º Ricardo Teodósio, 98,88
3.º José Pedro Fontes, 82,62
4.º Miguel Barbosa, 78,36
5.º Pedro Meireles, 61,0
Próxima prova: Rali Amarante/Baião, dias 21 e 22 de setembro.