Baja Portalegre 500: Roma vence na estreia e João Ramos é campeão

27/10/2018

João Ramos e Vitór Jesus (Toyota Hilux) festejaram a conquista do título nacional no final da 32.ª Baja Portalegre 500
 

O espanhol Joan Roma estreou-se de forma auspiciosa na Baja Portalegre 500 ao impor-se, com autoridade, ao colega de equipa Stéphane Peterhansel na dobradinha dos Mini 4×4 da X-Raid.

Paulo Rui Ferreira (Toyota Hilux), com atuação meritória, subiu ao 3.º degrau do pódio, foi o melhor português e João Ramos fez a festa com o navegador Vítor Jesus, ao sagrar-se campeão. Um 4.º lugar com sabor a vitória absoluta para a dupla da Toyota Hilux, vencedora do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno AFN.

A estreia na prova portuguesa que colocou, de novo, ponto final na Taça do Mundo FIA não foi obstáculo para Joan Nani Roma se impor ao volante do Mini versão Dakar 2019, liderando desde o primeiro até ao último setor cronometrado.

Desde 2013, an do triunfo de Krzysztof Holowczyc (Mini All4 Racing) que um piloto estrangeiro não se impunha em Portalegre.

«Era uma prova nova para mim, mas o Mini provou, uma vez mais ser um carro robusto. Testámos o que pretendíamos em condições de corrida, com a travessia de cursos de água, terreno enlameado e constatei que esta versão é mais fácil de conduzir que a anterior», sublinhou Roma, que sofreu dois furos no derradeiro setor.
Joan Roma (Mini JCW Rally) teve estreia para recordar na baja portuguesa da Taça do Mundo FIA

Percalços que Stéphane Peterhansel aproveitou para reduzir a diferença face ao colega de equipa. «Fiz uma prova sem problemas, apesar de início ter estranhado este Mini, uma vez que tinha conduzido o buggy de duas rodas motrizes nos últimos tempos».

Para o Senhor Dakar esta prova acabou por ser proveitosa:

«foi a estreia com o David Castera, um navegador novo e, por isso, fiquei feliz com o resultado».

A melhor dupla portughuesa — Paulo Rui Ferreira/Jorge Monteiro (Toyota Hilux — terminou no 3.º lugar absoluto)

Com um sorriso de todo o tamanho – o caso não era para menos – estava Paulo Rui Ferreira no final. Após desistências nos dois últimos anos, o piloto de Leiria, com Jorge Monteiro ao lado, estreou a sua nova Toyota Hilux, assistida pela MRacing, com um pódio à geral.

«Correu tudo de uma forma quase perfeita», revelou o melhor português nesta prova. «Tinha feito poucos quilómetros com o carro na quarta-feira anterior à prova e, como as primeiras impressões foram bastante boas, senti-me confiante», acrescentou o piloto, protagonista de uma atuação pendular, refletida no resultado final.
João Ramos (Toyota) rubricou atuação consistente numa prova presenciada por muito público

De igual modo, João Ramos protagonizou atuação consistente, tendo na mente um só objetivo: conquistar o título. Uma tática seguida à risca, tanto mais que os adversários diretos nessa corrida decisiva foram saindo de cena.

Primeiro, foi Tiago Reis: o motor do Mitsubishi Racing Lancer recusou-se a pegar na saída da assistência no final do 1.º dia e ali ficou, para desespero do piloto de Fradelos.

Depois, foi a vez de Pedro Ferreira avolumar a lista de desistentes: «ao Km 15 do setor da manhã, quando nada tínhamos a perder, vínhamos a atacar e a ganhar tempo ao Hélder Oliveira e ao João Ramos. Numa zona assinalada como Perigo 2 calculei mal, pensei que já tinha passado acabei por sair de pista», explicou ao Motor 24 o piloto da VW Amarok.

Entretanto, para Hélder Oliveira a manhã também não terminou da melhor maneira: uma transmissão partida no Mini CaTTiva causou perda de tempo ao piloto de Barcelos, que viu João Ramos distanciar-se. Sem atirar a toalha ao chão, quando já era vice-campeão, na sequência das desistências dos restantes candidatos, Hélder Oliveira partiu para o derradeiro setor empenhado em dar tudo por tudo.

«Estávamos em quinto lugar da geral e em segundo do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno AFN. Perto do final, do troço da manhã partimos uma transmissão atrás; ficámos só com tração à frente, perdemos algum tempo. Na assistência, pensávamos que o problema estava resolvido», explicou Hélder Oliveira.

Mas, a desilusão veio logo a seguir:

«Mal iniciámos o percurso da tarde, a mesma transmissão partiu novamente e mais uns quilómetros partiu-se uma transmissão à frente. Tivemos de parar».

No entanto Hélder Oliveira valorizou o facto de ser vice campeão. «Um um ótimo resultado face às expectativas iniciais para o Campeonato», justificou, sem esconder alguma frustração. «O João (Ramos) é um digno vencedor e para ele os meus parabéns, mas o título esteve tão perto…».

A baja alentejana proporciona sempre imagens espetaculares

Com o adversário mais direto fora de prova, João Ramos só tinha de terminar para se sagrar campeão. Apesar de ter furado, o piloto da Toyota Hilux não vacilou nos seus propósitos, demonstrou maturidade e frieza e terminou no mais que suficiente 4.º lugar, assinando a vitória (merecida) entre os concorrentes do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno AFN.

«Este campeonato foi muito competitivo, com desistências minhas e dos meus adversários. A época teve altos e baixos, o campeonato foi bastante competitivo, o que levou a decisão até à derradeira especial da última prova, o que tornou as coisas mais apaixonantes. Foi um campeonato muito stressante», sublinhou João Ramos ao MOTOR 24.

Para o novo campeão nacional, «a conquista deste título estava, na verdade, difícil, Já tinha conhecido este tipo de sucesso noutras disciplinas, mas o todo-o-terreno é muito mais difícil», acrescentou o piloto que concretizou um sonho que já durava há muito.

A dupla Nuno Madeira/Miguel Costa (Kia Sportage TT) completou o pódio do CPTT/AFN e fechou o top 10

A prova do ACP foi madrasta para Nuno Natos: problemas de transmissão atrasaram bastante o piloto de Portalegre (terminou na 23.º posição), longe de um top 10 em que figuraram apenas mais duas duplas portuguesas: Pedro Dias da Silva/José Janela (Mazda CX5 Proto), 9.º lugar e vencedores do Desafio Total Mazda, e Nuno Madeira/Miguel Costa (Kia Sportage TT) no lugar imediato.

Bruno Oliveira (Nissan) vence categoria T2

Boa nota para a estreia de Edgar Condenso (13.º) com a Toyota Hilux e para o 15.º lugar dos veteranos Luís Dias/Mário Feio (Nissan W801), após uma prova repleta de problemas.

Na categoria T2, triunfou a dupla Bruno Oliveira/Paulo Marques (18.º lugr da geral no T2, com a Nissan Double Cab que já termina no 2.º lugar a Baja da Rússia.

«Com uma concorrência muito forte, foi necessário andar depressa onde era possível e gerir nas zonas mais complicadas para poupar a mecânica da nossa máquina», sublinhou Bruno Oliveira.

Giorgino Pedroso/Carlos Silva (Isuzu D-Max) e Nuno Corvo/António Magalhães (Nissan Pathfinder) completaram o pódio por esta ordem.

Bruno Oliveira e Paulo Marques (Nissan Double Cabb) triunfaram na categoria T2

No Evento Nacional, triunfou a dupla Sérgio Palminha/Rafel Lutas (Isuzu D-Max).

Bis de Pedro Dias da Silva no Desafio Total Mazda

A dupla Pedro Dias da Silva/José Janela repetiu o êxito da época anterior no Desafio Total Mazda: triunfou na Baja Portalegre 500 — este ano a prova d e fecho desta competição promovida pela marca nipónica — e manteve a posse do cetro.

Para o piloto de Tomar, «foi difícil gerir uma prova tão longa. Fizemos os últimos 20 quilómetros com o coração nas mãos. Percebemos que tínhamos uma roda traseira solta o que, tendo em conta que era fundamental terminar a prova, deixou-nos um bocadinho nervosos. A verdade é que tudo terminou bem e como nós ambicionávamos», referiu o vencedor, que terminou no 9.º lugar da geral.

O famalicense José Janela conquistou o título de navegadores, enriquecendo assim o seu vasto palmarés.

A dupla Pedro Dias da Silva/José Janela venceu em Portalegre e conquistou o Desafio Total Mazda pelo 2.º ano consecutivo

A dupla alentejana Bruno Rodrigues/Ricardo Claro garantiu, sem sobressaltos, o 2.º lugar desta competição, seguida por Floriano Roxo/Pedro Carrapiço, uma equipa isenta de problemas, que assegurou lugar no pódio desta prova, em termos de Desafio, superando por escassa margem a dupla Filipe Videira/António Coimbra.

Após uma prometedora etapa inicial, o último dia correu menos bem a Francisco Gil/Filipe Rasteiro, dupla que terminou no 5.º lugar.

Apenas duas equipas formações não terminaram: Jorge Cardoso/Joaquim Norte (embraiagem) e Mário Pedro/João Santos (manga de eixo partida).

Assim ficou o Desafio

1º Pedro Dias da Silva José Janela, 101 pontos

2º Bruno Rodrigues/Ricardo Claro, 94 pontos

3º Jorge Cardoso/Joaquim Norte, 55 pontos

4º Filipe Videira/Pedro Santos, 27 pontos

5º Floriano Roxo/Pedro Carrapiço, 25 pontos

Classificação final da Baja Portalegre 500

1.º Joan Roma/Alex haro (Mini JCW Rally), 6h 10m 06 s

2.º Stéphane Peterhansel/David Castera (mini JCW Rally), a 58 segundos

3.º Paulo Rui Ferreira/Jorge Monteiro (Toyota Hilux), a 11m 41s

4.º João Ramos/Vítor Jesus (Toyota Hilux), a 19m 52s

5.º Andrey Novikov/Vladimir Novikov (G-Force Bars), a 26m 17s

6.º Boris Gadasin/dan Shchemel (G-Force Bars), a 32m 09s

7.º Eric Wevers/Ashley Garcia (Borgward Bx7 Dkr), a 34m 25s

8.º Grégoire de Mévius/Andre Leyh (Dumbee Buggy), a 36m 56s

9.º Pedro Dias da Silva/José Janela (Mazda CX5 Proto), a 44m 20s

10.º Nuno Madeira/Miguel Costa (Kia Sportage TT), a 45m 23s

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