António Silva (Hertz Portugal): “Carsharing é outra forma de fazer rent-a-car e queremos estar presentes”

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Com a mobilidade a caminhar para uma transformação de proporções incomparáveis, surgem cada vez mais sistemas que colocam o automóvel noutra esfera de utilização longe do tradicional ato de propriedade, até aqui tão usual. É neste ambiente em que a tecnologia vai ditando as mudanças que a Hertz estende o seu serviço de carsharing de veículos elétricos à vila de Cascais, depois de já o ter feito em Lisboa e Oeiras.

No evento da apresentação do Hertz 24/7 City em Cascais, junto à estação de comboios, o Motor24 falou com António Silva, diretor geral da Hertz Portugal, que mostrou o seu otimismo quanto ao sucesso desta expansão do serviço e das vantagens que o mesmo poderá representar para quem procura uma alternativa de mobilidade.

Cascais é a terceira localidade a beneficiar com o serviço Hertz 24/7 City, que coloca veículos elétricos à disposição dos utilizadores registados numa plataforma digital à qual se pode aceder pelo smartphone, com preços que variam entre os 29 cêntimos por minuto para o Renault ZOE e os 33 cêntimos por minuto para o BMW i3.

“A nossa estratégia no nosso primeiro ano com o Hertz 24/7 City é justamente estar na cintura da Grande Lisboa. Estamos no centro, estamos no aeroporto e também na Expo, além dos centros empresariais do Lagoas Park e Tagus Park. No início, a aplicação foi mais pensada para o mercado local, para as pessoas que vivem em Lisboa ou para os que veem nesta solução uma alternativa, tanto do ponto de vista financeiro, como de mobilidade sustentada”, começa por referir este responsável, que aponta vantagens como a “comodidade de irem por exemplo daqui ou de Oeiras para o Aeroporto de Lisboa ou o inverso”.

Com estacionamento incluído nas tarifas, tratando-se de veículos elétricos, António Silva aponta que todo o processo é simples e apenas decorrente da interação entre o utilizador e a aplicação, devendo fazer o seu registo online e, uma vez efetuado, recorrer “aos parques específicos para este fim, que estão sinalizados na nossa aplicação, daí sendo muto fácil e intuitivo tanto o levantamento como a entrega”.

 

Tratando-se de veículos elétricos, o carregamento é ainda um problema, mas a Hertz tem uma equipa dedicada “sempre ativa que verifica em que estado é que está cada um dos automóveis e qual o seu nível de carregamento. De qualquer forma, a própria aplicação coloca os veículos indisponíveis assim que o seu nível de bateria fica abaixo dos 30%, pelo que há sempre, pelo menos, uma garantia de 70% de autonomia. Abaixo dos 30%, os nossos próprios recursos fazem o carregamento do veículo”.

O responsável explicou, ainda, que não existe uma “frota exclusiva para as estações de Cascais, porque os carros estão sempre a circular. Dentro dos 40 automóveis que temos nesta fase para este projeto, aqui deverão estar, em média, quatro a dez carros, entre Oeiras e Cascais. Nesta primeira fase, é essa a nossa meta”. Na vila de Cascais, para já, estão definidos dois pontos no centro, ambos em locais muito movimentados, junto à estação de comboios e no Estoril, na Avenida Marginal, mas a Hertz está em conversações com a autarquia liderada por Carlos Carreiras para ampliar o número de postos dedicados ao carsharing ao centro da vila.

Por fim, confrontado com a cada vez maior concorrência no setor, António Silva esclarece que o objetivo, nesta fase, é aprender, algo que é comum a todos. Destaca, no entanto, que a Hertz quer estar na vanguarda das transformações na área da mobilidade.

“Eu diria que ainda não estamos falar de vantagens ou de desvantagens em relação a concorrentes. Estamos todos a aprender. Há aqui uma oportunidade também de outra forma de fazer rent-a-car em que nós queremos estar presentes. A Hertz faz 100 anos este ano mas está presente na parte tecnológica e atenta a estas novas vagas de mobilidade que são também rent-a-car. Pode-se dizer que Hertz inventou o rent-a-car nos Estados Unidos em 1918 e que tem acompanhado estas evoluções, procurando estar presente nesta transformação”, começa por enaltecer, considerando que concorrência é tudo o que pode ser considerado mobilidade, desde bicicletas aos táxis, passando pela Uber e outros serviços do género.

“Estamos num ano de aprendizagem e o caminho é este. Não há dúvida de que as alternativas tecnológicas permitem abrir uma caixa de Pandora em que a mobilidade vai ser diferente nos próximos anos. A nossa aplicação, desenvolvida por uma start-up portuguesa, tem uma particularidade que para nós faz todo o sentido que é a abertura a outras plataformas tecnológicas e foi isso que também permitiu estar aqui a fazer esta parceria com a MobiCascais, por terem sistemas que são compatíveis e que estão abertos a falarem com outros sistemas. Essa é um vantagem que nós temos, ao podermos fazer parcerias com outras entidades que estejam no mesmo ambiente e no mesmo ramo de atividade”.

Sobre a start-up lusa que desenvolveu a aplicação, António Silva recorda que a Mobiag já tem “algumas credenciais e está também, a vender esta aplicação para outros territórios, como o Brasil ou a Alemanha, e tem essa particularidade de poder comunicar com outras plataformas”.