“TEMOS DE NOS DEFENDER DE PRÁTICAS DESLEAIS”, DIZ URSULA VON DER LEYEN.
O ponto de discórdia está, assim, nos “enormes subsídios estatais” que a China garante aos fabricantes de automóveis elétricos chineses que fazem com que o preço destes veículos seja “mantido artificialmente baixo”. “Isto está a distorcer o nosso mercado e como não aceitamos isto a partir de dentro, também não o aceitamos a partir de fora, por isso, posso anunciar que a Comissão vai lançar uma investigação contra as subvenções aos veículos elétricos provenientes da China”, revelou von der Leyen. E rematou: “A Europa está aberta à concorrência, [mas] não para uma corrida ao fundo do poço. Temos de nos defender contra práticas desleais”. Após o anúncio, Wang Lutong, diretor-geral para os assuntos europeus do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, classificou a investigação como “puro protecionismo”, numa mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter). “Muitos membros da UE subsidiam as suas indústrias de veículos elétricos. Que legitimidade tem a Comissão Europeia para abrir uma investigação sobre subsídios atribuídos aos veículos elétricos na China?”, questionou. A Câmara de Comércio da China na UE também expressou “forte preocupação e oposição” e considerou tratar-se de uma medida “unilateral” e “obstrutiva”, que vai contra os compromissos assumidos pela UE no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações de veículos elétricos da China cresceram 110%, de acordo com informações da Associação de Fabricantes de Automóveis da China (CAAM). No ano passado, quase seis milhões de viaturas elétricas tenham foram vendidas na China, ultrapassando a soma de vendas de todos os outros países do mundo. Cinco das dez marcas de veículos elétricos mais vendidas em todo o mundo são agora de origem chinesa, com a BYD a vir logo atrás da americana Tesla como a maior delas. O domínio chinês estende-se também à indústria de baterias, onde as empresas chinesas CATL e BYD lideram como os maiores fabricantes globais. Além disso, Pequim mantém um controle significativo sobre o acesso a matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.