Um dia nas corridas em ambiente de festa que termina com uma foto de família na reta da meta, com todos os “Porschistas” e os seus carros felizes depois de celebrarem esta autêntica eucaristia da religião Porsche, conforme bem sintetiza Tomás Villén, diretor-geral da Porsche Ibérica: “Quando estou em Portugal tenho uma certeza, isto é pura paixão. Tivemos 356 inscritos, mas podiam ter sido 1000. E apenas não o foram por motivos relacionados com a logística do próprio evento. Com o tempo, os nossos clientes tornaram-se nossos amigos, com quem temos uma relação constante, ajundando-nos a melhorar os nossos automóveis. Adicionalmente, ter podido contar com a prsença de um campeão com o Mark Webber, de um fora de série como o Rober Gomez (engenheiro da equipa oficial Porsche em Le Mans) e do ‘Senhor 911’, August Achleitner, é como celebrar a Páscoa, o Natal e a passagem de ano, tudo ao mesmo tempo.” Estou quase convertido, entrego o Boxster S ao Nuno Costa, que me desenrasca outro carro para regressar a Lisboa. Desta vez um “modesto” 911 Targa 4 GTS, que é provavelmente o meu Porsche preferido da gama atual.
Despeço-me dos fiéis e vou então à procura de um sentido mais religioso desta fé — o excitante prazer de condução que um 911 oferece. É um prazer egoísta e solitário, que se deve fazer sozinho, atravessando a Serra de Monchique com incríveis sequências de curvas a apelar a todos os sentidos e ao poder do motor de 450 Cv, à aderência quase atómica proporcionada pela tração integral e sobretudo à precisão cirurgica de tudo quanto o carro faz; da direção à travagem, da suspensão à caixa automática.