Profundo conhecedor do mercado europeu, Xavier Martinet, que também já passou por cargo de responsabilidade do Grupo Renault em Portugal, reconhece que a estratégia de complementaridade entre as marcas Renault e Dacia em termos de posicionamento de tecnologias, com a marca francesa a ter a seu cargo o estatuto de porta-estandarte na introdução da eletrificação a pensar já no futuro, enquanto a Dacia tem como objetivo oferecer uma gama mais multifacetada e a pensar nas necessidades dos condutores neste momento.
Essa mesma complementaridade, como diz, tem-se traduzido em excelentes resultados para ambas as marcas, já que têm vindo a crescer em termos de quota de mercado e de vendas na Europa, pelo que não vê razões para mudar, sobretudo quando analisa o ambiente extremamente desafiante da Europa, como comentou durante uma mesa redonda bastante exclusiva no Salão de Genebra.
“Atualmente, posicionámos as marcas no seio do Grupo Renault em patamares diferentes, porque é isso que nos permite fazer o que fazemos. Trabalhámos no sentido de traçar claramente a diferença entre a marca Renault, que está na vanguarda da eletrificação e dos veículos elétricos para o grupo, e a Dacia, que pretende promover a mobilidade de baixo carbono a preços acessíveis. Já viram que a Renault ganhou o prémio de Carro do Ano Europeu com o Scenic e que revelou o novo 5, a que se irão juntar os novos 4 e Twingo no futuro. Nós temos o Spring do nosso lado. A Renault está mesmo a apostar nos veículos elétricos”, enalteceu, traçando um caminho para a progressão da Dacia no capítulo da eletrificação.
“A plataforma também está ao serviço de veículos vendidos fora da Europa, ou seja, quer sob a insígnia Dacia, como em Marrocos e países do género, mas também com a insígnia Renault. Temos esta plataforma que está a ser usada em países fora da Europa. Por isso, nessa altura, ainda precisaremos de ter propostas com motor de combustão interna e, nessa altura, a Dacia poderá ser o melhor dos dois mundos. Se a Dacia estivesse sozinha ou fosse uma marca autónoma, não poderíamos estar a fazer o que estamos a fazer. O facto de termos o grupo com o posicionamento das duas marcas ajuda-nos realmente a ter escolhas claras e propostas claras para os clientes”, concedeu, indicando ainda que “se tivéssemos um tipo de carroçaria semelhante com os mesmos grupos motopropulsores a serem vendidos nos mesmos concessionários, não faria sentido tentar maximizar a cobertura do mercado europeu através desta complementaridade entre a Dacia e a Renault”.
Ou seja, para Martinet, “a questão não é técnica. A questão é mais sobre quando é que faz sentido. Já agora, basta olhar para o híbrido: podíamos estar hoje com o híbrido no Sandero. Quero dizer, o Clio e o Captur têm uma versão híbrida na mesma plataforma, mas seria mais caro e acreditamos que não é necessário. Acreditamos que hoje o GPL é uma proposta muito melhor e mais eficiente para esses clientes”.
Novos projetos, nova afirmação
Já o ano de 2024 será de grande relevância para a Dacia na medida em que permitirá introduzir novos modelos, nomeadamente o Spring e o Duster, mas também estabelecer uma nova postura para a companhia romena.
“Em 2023, o Spring esteve no pódio de vendas de elétricos. Tivemos dois Tesla e o Spring, naquela que eu diria que é uma boa companhia para se ter, em termos de elétricos. O Sandero tem sido o líder das vendas a particulares na Europa desde 2017, o Jogger o modelo de segmento C mais vendido no segmento, naquela que é uma boa conquista, e o Duster continua a ser um dos SUV mais vendidos. Por isso, queremos continuar com esta tendência de que cada modelo encontra o seu cliente e vamos lançar dois novos modelos interessantes este ano, o novo Duster, modelo de terceira geração que é bastante impressionante para nós, porque não só acreditamos que é uma afirmação bastante forte do nosso ícone, como é uma afirmação muito forte da própria marca Dacia. Queremos mostrar com a nova geração do Duster que a Dacia está mesmo a evoluir e a modernizar-se com um design que é mais assertivo do que o que tivemos até aqui, com muita mais tecnologia a bordo. Mas, ao mesmo tempo, continua a ser um Dacia, ou seja, o mesmo pacote ‘best value for money’ no mercado. Queremos manter essa elevada taxa de conquista que temos hoje e essa taxa de lealdade. Mas também mandar uma mensagem às pessoas que não têm a Dacia na sua ‘lista de compras’, como que a dizer ‘hey, estamos aqui, estamos a mudar, mudámos e adicionámos alguns modelos bem interessantes, venham ver-nos’”.
“É também o que estamos a fazer com o Spring, que tem funcionado bastante bem para nós ao longo destes três anos. Foi lançado em 2021 e no ano passando vendemos 62.000 unidades na Europa, uma vez mais no pódio europeu. Mas, quero dizer… a concorrência está a chegar. Penso que abrimos o caminho, porque quando lançámos o Spring não existiam alternativas elétricas a menos de 20.000€ na Europa. As pessoas viram que resultava, os rivais viram que resultava e agora estão a chegar. Penso que o mercado de veículos elétricos na Europa está a desenvolver. Digamos que é um mercado volátil em que temos de estar sempre a investir para estarmos a par das novas tendências. Assim, uma vez mais, estamos a mostrar que Spring é importante para nós e que continuamos a investir no Spring”.
Quanto ao projeto do Dakar, com o Sandrider, este é um conceito que, de acordo com Martinet, serve para projetar uma nova imagem e um novo posicionamento da Dacia. Também presente no Salão de Genebra, o Sandrider T1+ teve a visita de um dos seus futuros pilotos, o francês Sébastien Loeb, mas o mais importante, para o responsável da Dacia na Europa é que este projeto de competição sirva “como uma afirmação forte da marca e para nós 2024 é mesmo isto: é muito mais sobre a marca do que sobre os seus produtos. Queremos mostrar que a marca está a avançar, que há cinco anos as pessoas compravam um Dacia porque era barato, mas agora compram um Dacia porque gostam, porque tem bom aspeto e tem todo o equipamento de que precisam. E com um preço muito ajustado. Esta é a mensagem que queremos passar: a marca está a evoluir, mas sem esquecer ou negar aquilo que somos e o ponto de partida. Ainda queremos ser a melhor oferta ‘value for money’ no mercado. É fundamental”.
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