A marca americana tinha anunciado no início de 2024 um total de vendas de 1.81 milhões de unidades, num crescimento de 38% face ao ano anterior, enquanto a produção cresceu 35% em relação ao ano anterior, para 1.85 milhões.
Estes resultados foram, no entanto, insuficientes para gerar ânimo entre os investidores, sobretudo depois de a marca ter anunciado que a “taxa de crescimento do volume de veículos pode ser notavelmente inferior à taxa de crescimento alcançada em 2023, uma vez que as nossas equipas trabalham no lançamento do veículo da próxima geração na Gigafactory Texas”.
Este novo modelo poderá ser o tão propalado elétrico de custo em torno dos 25 mil dólares/euros, mas ainda não foi confirmado pela companhia liderada por Musk. Mas a Tesla explicou que a empresa “está, atualmente, entre duas grandes ondas de crescimento: a primeira começou com a expansão global da plataforma do Model 3/Y e a próxima, acreditamos, será iniciada pela expansão global da plataforma de veículos da próxima geração”.
Porém, outras explicações passam também pela redução da procura por automóveis elétricos, algo que algumas marcas começam a sentir, bem como o aumento de rivais no mercado, com praticamente todas as marcas a disporem atualmente de versões 100% elétricas e com diferentes carroçarias e preços. A própria concorrência dos fabricantes chineses está já a mexer com os mercados.
Quanto aos seus resultados financeiros, a Tesla apresentou uma receita total de 96.8 mil milhões de dólares em 2023, dos quais 82.4 mil milhões de dólares advêm da operação automóvel, representando uma melhoria de 15% face ao ano precedente. Já os lucros foram de 14.9 mil milhões de dólares, crescendo 19%, embora com um decréscimo de 13% no EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de 16.631 milhões de dólaresEm virtude destes resultados e das expectativas mais baixas, as ações em bolsa caíram mais de 12% na sessão de quinta-feira, mas poderá não ficar por aqui.
Michael Hewson, especialista na análise de mercados da CMC Markets, escreve que, “para onde quer que se olhe, há sinais de fadiga dos elétricos à medida que a vantagem inicial da Tesla enquanto pioneira começa a desvanecer e os custos de ter um veículo elétrico começam a parecer evidentes a todos, exceto para os clientes mais abastados. O aumento dos custos de seguro em relação aos veículos a combustão interna, bem como os custos de reparação mais elevados, significam que, embora os custos de funcionamento possam ser mais baratos no dia-a-dia, as barreiras financeiras à aquisição de um veículo elétrico continuam a ser elevadas, mantendo-se as mesmas preocupações em relação à ansiedade de autonomia”.