Mercedes-Benz Classe C: Renovação profunda de um ‘best-seller’

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Olhando de forma rápida para o Classe C, pouco parece ter mudado, mas a Mercedes-Benz garante que, na verdade, este é o facelift mais profundo alguma vez feito na história do modelo. No total, foram alterados mais de 6500 componentes, ou seja, cerca de 30% do Classe C, o que não deixa de ser um dado relevante para aquele que é, historicamente, o modelo mais bem-sucedido da marca germânica. Chega a partir de julho com preços a partir dos 46.450€ do C200 sedan e dos 47.950€ de igual motor em carroçaria carrinha.

Antes de se entrar com mais detalha nas novidades do Classe C, vale a pena recordar que este modelo teve a sua primeira geração em 1974, a qual primava pelo conforto (um traço que se manteve sempre transversal ao longo do tempo, no entanto), seguindo-se-lhe aquele que ficou conhecido como o ‘Baby Benz’, o da segunda geração, em 1982. Contando apenas a partir deste, a Mercedes-Benz anuncia um total de mais de 9.5 milhões de unidades vendidas pelo mundo inteiro, entre berlinas e carrinhas. É obra.

70%+50%+5%+40%+80%: A fórmula da mudança

As percentagens de cima referem-se àquilo que mudou por cada departamento, atestando então a profundidade deste facelift. Assim, conta com 70% de novos motores (com destaque para o novo 1.5 a gasolina com sistema eletrificado de 48V (para o C 200), 50% de novo interior, 5% de novidades no chassis, 40% de novo exterior e, mais relevante, 80% de mais tecnologia. A soma de todos estes valores dá então um modelo que muda muito mais do que aparenta.

Esteticamente, a dianteira apresenta para-choques redesenhados para todos os níveis de equipamento (há quatro à disposição), havendo diferenças relativas consoante a linha escolhida. Ou seja, nesta nova versão, por exemplo, a linha de design exterior AMG inclui de série a grelha do radiador com padrão em diamante, enquanto a linha Exclusive transmite uma aparência ainda mais expressiva e a linha Avantgarde confere um carácter mais orientado para a dinâmica (mas não tanto como a linha AMG).

O para-choques dianteiro inclui uma lamela prateada (de série), uma lamela cromada (em combinação com a linha de design exterior Avantgarde) ou três lamelas cromadas (linha de design exterior Exclusive). Na linha de design exterior AMG, o modelo está equipado com um para-choques dianteiro AMG com uma nova geometria enquanto o para-choques traseiro, com painel em forma de difusor, apresenta um novo design. O para-choques traseiro nas versões Limousine e Station inclui uma nova secção inferior, na qual a geometria, o revestimento e o revestimento das ponteiras do tubo de escape variam em função do equipamento e da versão do motor.

O design dos faróis dianteiros e dos farolins traseiros também tem diferenças consoante a linha de equipamento, surgindo de série com faróis de halogéneo que incorporam luzes diurnas LED. Os faróis LED High Performance estão disponíveis como opção. Pela primeira vez neste modelo, estão disponíveis os faróis Multibeam LED com luzes de máximos Ultra Range (High Beam). O espectro de cor foi alargado através da inclusão das cores prata Mojave metalizado e verde-esmeralda metalizado para as versões Limousine e Station. Cada farol dispõe de 108 LED, sendo que 84 desses são adaptativos, permitindo uma regulação eletrónica extremamente rápida e precisa dos faróis para adaptar o veículo às atuais situações de trânsito. Quando não são detetados outros veículos, a estrada por diante for uma reta e a velocidade do veículo for superior a 40 km/h, as luzes de máximos Ultra Range são ligadas automaticamente. O seu foco de máximos atinge os 650 metros para uma melhor visibilidade em condições de luminosidade muito más. Ou seja, o máximo permitido por lei.

No interior, mantém-se o requinte

Ao nível do interior, o Classe C caracteriza-se pelas suas linhas fluidas numa nova interpretação daquilo que a Mercedes-Benz apelida de “luxo moderno”. A consola central tem revestimento contínuo disponível em madeira porosa de nogueira com acabamento em castanho ou madeira porosa de carvalho com acabamento em antracite. Os novos interiores foram concebidos com as novas cores cinza/preto Magma, e castanho sela para a linha design interior AMG.

De série, o Classe C passa a ter a função Keyless-Go, enquanto o botão Start/Stop tem um novo design em forma de turbina. A chave do veículo também foi alvo de remodelação e apresenta igualmente um novo design, com três variantes à escolha: preto com guarnição em cromado brilhante, branco com guarnição em cromado ou branco brilhante com guarnição em cromado mate.

Novidade é também o Pack de Bancos Dianteiros Multicontorno, em que as câmaras-de-ar laterais e o apoio lombar podem ser ajustados individualmente através de um compressor acionado eletricamente para um efeito de massagem na zona lombar quando a função está ativada. As funções pneumáticas do banco são comandadas através do sistema multimédia.

Painel de instrumentos totalmente digital em opção

A solução que a Mercedes-Benz estreou no Classe S ao nível da instrumentação continua a estender-se a mais modelos da gama, chegando agora ao Classe C. Não tem o mesmo nível de vanguardismo do Classe A, mas resulta muito bem, ainda assim, unindo funcoinalidade e um estilo mais clássico.

Este painel de instrumentos totalmente digital, que permite escolher entre três estilos diferentes de painéis de instrumentos – “Classic”, “Sport” e “Progressive”, passa a fazer parte da lista de equipamentos opcionais, com uma largura de 12.3 polegadas e imagem de alta resolução de 1920 x 720 pixels. Além de determinada informação como o conta-quilómetros parcial ou o consumo de combustível, o condutor também poderá visualizar os dados da navegação ou o indicador ECO no painel de instrumentos.

O modelo básico – de série – combina dois instrumentos analógicos tubulares. Entre os tubos está instalado um ecrã a cores de 5.5 polegadas (resolução: 383 x 600 pixels).

Unido ao painel de instrumentos digital está o ecrã multimédia também disponível em dois tamanhos. Em combinação com o Audio 20 de base, o ecrã tem uma largura diagonal de 7 polegadas e uma resolução de imagem de 960 x 540 pixels. Neste caso, o estilo apresentado também corresponde ao “Classic”. Mas, pela primeira vez, o cliente pode unir ao nível de base Audio 20 o ecrã central de alta resolução com uma dimensão de 10.25 polegadas e resolução de imagem de 1920 x 720 pixels (de série em combinação com o opcional sistema COMAND Online). Tal como no painel de instrumentos, aqui também está disponível uma seleção de três estilos de exibição.

A nova geração de volante prefigura três estilos distintos, também eles trazendo consigo mais tecnologia agregada. Contam agora com botões de controlo táteis, como estreado no Classe E, respondendo aos movimentos dos dedos tal como um ecrã de um smartphone. Outra característica nova corresponde ao comando do cruise control que poderá ser realizado através dos controlos no volante. Por outro lado, o sistema de infoentretenimento também pode ser comandado através do touchpad na consola central e pelo controlo por voz Linguatronic. As funções do veículo como o aquecimento dos bancos também podem agora ser acionadas através do controlo por voz.

Motores: Saída ‘à francesa’

No capítulo dos motores, a Mercedes-Benz traz novidades importantes para o Classe C, sendo que todos os motores do Classe C têm génese germânica, não havendo já qualquer partilha com a Aliança Renault-Nissan. No que diz respeito a unidades mais concretas, o grande destaque vai para o novo bloco 1.5 a gasolina (nome de código M 264, que também estará disponível com uma capacidade de 2.0 litros). No entanto, a maior importância vai para o modelo de menos potência (184 CV do C 200 contra os 258 CV do 2.0 montado no C 300), uma vez que esse estreia um alternador/gerador por correia e o sistema eletrificado de 48 V, a que a marca dá o nome de EQ Boost.

Assim, procurando melhorar a eficiência, este sistema pode disponibilizar até 14 CV (10 kW) de potência adicional em casos de aceleração, compensando em baixas rotações até à entrada em funcionamento do turbocompressor na sua pressão máxima. Assim, reduz os consumos. Por outro lado, outra vantagem está na possibilidade de recuperar energia (até 12 kW) cinética para utilização posterior nas fases de aceleração, permitindo ainda um modo de roda-livre mais prolongado com o motor desligado.

No campo dos Diesel, chega também o motor de quatro cilindros OM 654, que já é conhecido do Classe E, mas que está aqui disponível em variantes de 1.6 litros (C 180d) e de 2.0 litros (C 220d). Nesta última, oferece 194 CV de potência. A unidade de 1.6 litros recorre a uma arquitetura mais compacta do motor de 2.0 litros, tendo uma potência de 122 CV.

Uma grande parte do trabalho feito pelos responsáveis da Mercedes-Benz foi na melhoria da eficácia dos blocos, reduzindo-se o atrito e a fricção interna. Ainda que o Diesel continue a estar sob os holofotes por motivos pouco positivos, a marca continua empenhada nesta tecnologia, considerando mesmo que a tecnologia Diesel continua a ser fundamental para a a concretização das metas europeias em termos de emissões.

Condução inteligente

Por fim, também importando algumas soluções doutros modelos da marca, o renovado Classe C está equipado com modernos sistemas de assistência à condução, podendo conduzir de forma semiautónoma em determinadas situações. Para tal, os sistemas do modelo monitorizam as situações de trânsito: os sistemas de câmara e de radar aperfeiçoados permitem monitorizar o trânsito até uma distância de 500m em frente ao veículo. A zona circundante ao veículo é examinada pelo radar até uma distância de 250m a partir da extremidade dianteira do veículo, 40m a partir das laterais e 80m da secção traseira, sendo ainda examinada pela câmara até uma distância de 500m a partir da extremidade dianteira do veículo, incluindo 90m em 3D. O Classe C também utiliza dados de mapa e de navegação nas funções de assistência.

O sistema Distronic, incluído no Pack de Assistência à Condução Plus, pode assistir o condutor em várias situações com base na informação do mapa e ajustar antecipada e confortavelmente a velocidade, como por exemplo, quando se aproxima de curvas, cruzamentos ou rotundas. Outros novos desenvolvimentos incluem o Assistente de Faixa de Rodagem e o Assistente à Travagem de Emergência como novas funções do Assistente de Direção. O novo Classe C está equipado de série com o Assistente à Travagem de Emergência.

Chegada ao mercado

O renovado Classe C chega ao mercado nacional em julho, com três versões, C 200, C 220d e AMG C43 (em separado), preparando-se para agosto a chegada dos C 180d e C 200d. Em setembro, chega o C 300d (com 245 CV), sendo que uma das novidades importantes é a chegada do híbrido Plug-in com 50 quilómetros de autonomia elétrica, o C 300de.

Quanto aos preços, a variante berlina tem preços a partir dos 46.450€ no caso da variante C 200 (47.950€ no caso da Station), passando pelos 49.950€ do C 220d (51.450€ da Station) e culminando nos 84.300€ da versão AMG C 43 4MATIC (85.800€ da Station).

Cabrio e Coupé também mudam

A mudança é transversal a toda a gama C, pelo que também os modelos Cabrio e Coupé beneficiam das mesmas evoluções que a berlina e a carrinha, nomeadamente na composição da dianteira e no interior, além do leque de tecnologias. O C 200 Cabrio tem um preço de base de 58.400€.

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