

Os condutores portugueses vão encontrar nas bombas, a partir desta segunda-feira, 9 de novembro, o maior corte no preço dos combustíveis em mais de quatro anos e meio. O gasóleo simples afunda 11 cêntimos por litro e a gasolina 95 tomba 12,5 cêntimos, numa descida histórica que estanca a escalada recente das cotações e devolve os valores médios de venda ao público a mínimos de vários meses, segundo as projeções do setor a partir dos dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
Com esta atualização, o preço médio de referência da gasolina 95 fixa-se nos 1,876 euros por litro, ao passo que o gasóleo simples passa a cotar nos 2,095 euros por litro. O alívio nas tabelas é expressivo quando comparado com a semana anterior, na qual os automobilistas pagavam em média 2,006 euros por cada litro de gasolina e 2,205 euros por litro de gasóleo.
A correção tem reflexo imediato no encargo de atestar um depósito médio de 50 litros. Para os veículos com motor a gasolina, encher o reservatório passa a custar 93,80 euros, o que representa uma poupança direta de 6,25 euros face aos 100,30 euros exigidos na semana que agora termina.
Já no caso dos automóveis a gasóleo, atestar os mesmos 50 litros custa agora 104,75 euros, traduzindo-se numa redução de 5,50 euros comparativamente com os 110,25 euros pagos até domingo.
A dimensão desta quebra não encontra paralelo recente nos registos nacionais. No caso do diesel, o corte de 11 cêntimos por litro é a descida semanal mais pronunciada em mais de quatro anos e meio, sendo imperativo recuar a 21 de março de 2022 – no pico da crise energética gerada pela invasão da Ucrânia, quando recuou 13,18 cêntimos – para encontrar uma redução superior num único movimento. O preço do gasóleo recua assim para o patamar mais baixo desde o final de setembro.
Na gasolina 95 simples, a queda de 12,5 cêntimos fixa-se como a maior de 2026, batendo o corte de 10 cêntimos verificado a 1 de junho e aproximando-se dos 13 cêntimos registados igualmente em março de 2022, o que coloca o combustível em mínimos de quatro meses e meio, patamar onde já não se encontrava desde 29 de junho.
A descida que chega aos postos de abastecimento é amortecida a fundo pela intervenção do Estado, que aplicou na gasolina o maior travão de ISP de todo o ano de 2026. Perante o tombo abrupto das cotações internacionais, o Ministério das Finanças operou um ajustamento fiscal sem precedentes recentes para compensar a perda de receita de IVA: acionou a fórmula da neutralidade fiscal e retirou, de uma assentada, 2,55 cêntimos por litro ao desconto extraordinário da gasolina e 1,79 cêntimos ao benefício aplicado no gasóleo.
A medida, formalizada pela Portaria 496-A/2026/1 publicada em Diário da República na sexta-feira, fez encolher o desagravamento direto do ISP de 6,46 para 3,91 cêntimos por litro na gasolina e de 10,99 para 9,20 cêntimos no gasóleo.
Feitas as contas ao impacto conjunto de ISP e IVA, o apoio fiscal global em vigor desce para 19,1 cêntimos na gasolina e 22,7 no gasóleo, travando reduções nas bombas que, à saída das refinarias, teriam superado os 15 e os 13 cêntimos por litro, respetivamente.
Para lá do alívio direto no orçamento das famílias, o recuo do gasóleo dá também uma folga crucial às empresas de transporte rodoviário de mercadorias e à cadeia de distribuição agroalimentar, setores onde a energia representa um dos principais custos operacionais fixos.
A quebra de 11 cêntimos por litro no diesel mitiga a pressão inflacionista sobre os fretes logísticos acumulada ao longo do último mês e meio, embora as associações do setor continuem a alertar para a elevada dispersão de preços no terreno: consoante se abasteça em postos de marca própria e hipermercados ou em áreas de serviço nas autoestradas – onde as margens de concessão encarecem frequentemente o litro mais de 15 a 20 cêntimos –, a poupança real por viagem pode oscilar substancialmente.
O movimento de retração nas bombas resulta do comportamento das cotações mundiais nos últimos dias. O barril de crude Brent e os produtos refinados transacionados nos mercados internacionais registaram um tombo acentuado, impulsionados pela diminuição do prémio de risco geopolítico associado à instabilidade no Médio Oriente e por sinais renovados de abrandamento do consumo global de energia.
A este cenário juntou-se a valorização do euro face à moeda norte-americana, tornando mais barata a fatura de importação da matéria-prima no espaço comunitário e abrindo caminho a este ajustamento em cadeia no retalho nacional.