Muitas pessoas que vivem nos concelhos de Almada, Seixal e Barreiros estão habituadas a usar os transportes fluviais do rio Tejo para se deslocarem para Lisboa. Este tipo de embarcação, vulgarmente conhecido como cacilheiro, usa motores Diesel de baixa rotação, que têm um barulho característico. Quem faz a viagem todos os dias acaba por habituar-se, mas não deixa de ser um ruído constante. Agora, imagine que podia fazer essa viagem todos os dias em silêncio, com o E-ferry, uma embarcação elétrica.

O E-ferry é um projeto financiado pela União Europeia, com o objetivo de fazer um veículo de transporte marítimo ou fluvial, movido a energia elétrica. Prevê-se que 10 embarcações estejam prontas para entrar em operação em 2020, tendo como meta fazer uma viagem de 20 milhas (37 km) antes de necessitar de recarregar as baterias. Atualmente, não há nenhuma embarcação do género capaz de fazer mais que cinco milhas (9 km), pelo que o E-ferry vai ter uma bateria de grande capacidade e recarregamento rápido, de 4 MW.

Como é habitual neste tipo de projetos, a sua primeira aplicação vai ser feita na Escandinávia, percorrendo o trajeto entre a parte continental da Dinamarca (as cidades de Fynshav e Faaborg) e a ilha de Aeroe. Vai ter capacidade para transportar 31 automóveis e 198 passageiros a pé, contra 600 passageiros dos catamarãs da Transtejo, que não podem transportar automóveis. Por isso, Portugal ainda vai ter que esperar para ter o E-ferry, embora seja apropriado para funcionar como cacilheiro nalgumas das rotas entre Lisboa e a margem sul do Tejo, até porque teria o potencial retirar da atmosfera da capital pelo menos 10 mil toneladas de dióxido de carbono anuais.

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