A Fédération Internationale des Véhicles Anciens (FIVA), que protege a classificação histórica dos automóveis, emitiu um comunicado no qual dá o seu parecer quanto às conversões de automóveis com motor térmico para elétrico no mercado clássico, indicando que essa mesma transformação retira o valor aos veículos, mesmo que os coloque em linha com uma pegada mais sustentável.
Ultimamente, algumas empresas têm lançado kits de conversão ou efetuado trabalhos completos de transformação de clássicos para elétricos, como a própria Volkswagen, com o seu Carocha clássico, ou a Lunaz, que ainda este mês revelou projetos de conversão de modelos como a Jaguar ou a Rolls-Royce.
Para a FIVA, esses processos retiram valor aos veículos clássicos, ainda que compreenda o propósito inicial das mesmas.
“Argumentam elas [as entidades conversoras] que, de certa forma, mantêm a aparência clássica ao mesmo tempo que vão ao encontro dos padrões ambientais modernos, melhorando as suas prestações e potência ao mesmo tempo”, escreve a FIVA em comunicado, apontando até que “algumas companhias conseguiram obter a permissão das autoridades de certificação para manterem o Número de Identificação do Veículo (VIN) original dado ao veículo, apesar de mudarem, mais ou menos, toda a motorização”.
Embora reconhecendo que são uma “matéria de gosto pessoal”, a FIVA “não pode promover, para proprietários ou reguladores, a utilização de componentes elétricos modernos (motores e baterias) em substituição da motorização histórica de um clássico”.Continua ainda, escrevendo que “a conversão de veículos históricos do seu motor de combustão interna original para a motorização elétrica não está de acordo com a definição da FIVA do que é um veículo histórico, nem suporta o objetivo de preservar os veículos históricos e a sua cultura relacionada”.
“Do ponto de vista da FIVA, os veículos convertidos deixam de ser clássicos, a não ser que sejam apenas sujeitos a mudanças ‘de época’. De acordo com a FIVA, um veículo histórico é “um veículo de estrada de propulsão mecânica”, que deve cumprir determinados requisitos, como uma idade de, pelo menos, 30 anos, manutenção e preservação e condições historicamente corretas, utilização que não seja de transporte diário e parte da nossa herança técnica ou cultural”.
O vice-presidente da FIVA, Tiddo Bresters, argumenta que “não é, na nossa opinião, a forma ou o estilo da carroçaria de um veículo que o torna ‘histórico’, mas a forma como todo o veículo foi construído e produzido na sua forma original”.
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