Preparando a chegada da atualização de meio de ciclo do Classe E, a Mercedes-Benz passou em revista a sua herança histórica relativa a este modelo, sobretudo nas versões Coupé e Cabriolet. Numa combinação de segurança e tecnologia com outras noções características do Classe E, como o dinamismo e o requinte, os Coupé e Cabriolet assumem-se como elementos importantes da própria gama.

A tradição desta série de modelos teve início há mais de 50 anos com os modelos Stroke/8 Coupé da série de modelos 114 e há quase 30 anos com os cabriolets da série de modelos 124.

Desde 1993, quando os veículos neste segmento de mercado da Mercedes-Benz receberam a designação de Classe E, a utilização de motores topo de gama da Mercedes-AMG também tem sido uma tradição.

Esta marca de veículos desportivos já era reconhecida pelas suas versões de elegantes modelos desportivos de duas portas equipados com motores de elevadas prestações: o Mercedes-Benz 300 CE 6.0 AMG – a versão coupé do modelo apelidado de “The Hammer” – é particularmente espetacular.

O modelo “Stroke/8” foi produzido desde 1968 até 1976 enquanto os sucessores da série de modelos 123 deliciaram os seus admiradores desde 1977 até 1985. A série de modelos 124 que incorporou a designação de Classe E desde 1993 incluiu o coupé desde 1987 até 1996. Entre 1991 e 1997, juntou-se a este segmento na qualidade de primeiro cabriolet da Mercedes-Benz, também da série de modelos 124.

A tradição dos modelos Classe E Coupé e Cabriolet continuou nos anos seguintes com os dois modelos CLK: a série de modelos 208 (coupés: 1997 até 2002; cabriolets: 1998 até 2003) e a série de modelos 209 (coupés: 2002 até 2009; cabriolets: 2003 até 2009). Desde 2009 até 2016, os coupés e os cabriolets da série de modelos 207 foram mais uma vez atribuídos à família de modelos Classe E, até serem substituídos pela série de modelos 238, que foi lançada em dezembro de 2016.

O arranque na década de 1960

Em novembro de 1968, a Mercedes-Benz surpreendeu com o lançamento de um elegante modelo de duas portas. Conhecidos afetuosamente como série “Stroke/8”, os coupés da série de modelos 114 complementaram os topos de gama da gama da série de modelos 114/115, surgindo com motores de seis cilindros, com destaque para o motor M114 com o sistema eletrónico de injeção de combustível Bosch D-Jetronic no topo de gama 250 CE (150 CV), reservado para os coupés. Naturalmente a Mercedes-Benz escolheu o circuito de Hockenheimring para apresentar os seus coupés há 50 anos.

Da esquerda para a direita: o “Stroke Eight” coupé da série 114 foi o precursor para os modelos vindouros na imagem, os 123 e 124.

Esse coupé impressionava igualmente pelo design desportivo e pelos equipamentos de elevada qualidade do interior – o revestimento em madeira de elevada qualidade no painel de instrumentos e os tapetes do piso são apenas alguns exemplos.

A nível estético destaca-se claramente do modelo de quatro portas: o para-brisas e o vidro traseiro apresentam uma maior inclinação comparativamente ao limousine e, em conjunto com o perfil do tejadilho, que é 45 milímetros mais baixo, criam uma silhueta dinâmica. Os vidros laterais, tanto os dianteiros como os traseiros, também não possuíam moldura e podiam ser totalmente abertos. Em 1972, a Mercedes-Benz apresentou o 280 CE de 185 CV como o novo modelo topo de gama da família “Stroke/8” Coupé. Até à data da descontinuidade da produção em agosto de 1976, a Mercedes-Benz tinha fabricado um total de 67.000 modelos Coupé da série de modelos 114. O modelo mais bem-sucedido, com 21,787 unidades fabricadas, foi o 250 CE de 1972. O modelo coupé era uma variante muito desejada no estrangeiro: cerca de 60% dos veículos fabricados foram exportados.

Elegância desportiva para individualistas

A Mercedes-Benz continuou a história de sucesso dos coupés “Stroke/8” na seguinte geração de veículos que precedeu o Classe E. A série de modelos 123 de duas portas celebrou a sua estreia no Salão de Genebra em março de 1977. Juntamente com os modelos 280 C e 280 CE equipados com motor de seis cilindros, estava também disponível o modelo 230 C, e portanto pela primeira vez, um modelo de quatro cilindros.

Tal como no caso do “Stroke/8”, os coupés evidenciam um visual estreitamente ligado ao dos modelos limousine. Contudo, revelam um visual claramente muito mais independente do que o dos seus antecessores, sendo essa a razão pela qual o kit de imprensa referiu o seu “carácter inconfundível”. O perfil da carroçaria, por exemplo, era 40 milímetros mais baixo e 85 milímetros mais curto do que o do limousine, devido à menor distância entre eixos. Além disso, o para-brisas e o vidro traseiro eram mais inclinados, enquanto os vidros laterais, que não eram separados por um pilar B, podiam ser totalmente abertos.

O nível de revestimento interior era baseado nos modelos limousine topo de gama, enquanto a segurança foi acentuada pelo tejadilho mais rígido, pelos pilares do tejadilho de elevada resistência e pelas portas reforçadas. Com isso, a capacidade de absorção de energia perante um impacto nas secções dianteira e traseira foi significativamente aumentada através da utilização de estruturas de deformação programada.

A gama composta pelos modelos 230 C (109 CV), 280 C (156 CV) e 280 CE (177 CV) foi complementada em setembro de 1977 pela variante Diesel 300 CD equipada com motor de cinco cilindros (80 CV), embora esta estivesse reservada para exportação para o mercado da América do Norte. Em 1981, este primeiro Diesel coupé foi sucedido pelo 300 CD turbodiesel (125 CV). A produção dos modelos 230 C e 280 C com carburador foi descontinuada em 1980, enquanto o modelo 230 CE (136 CV) equipado com sistema de injeção de gasolina foi acrescentado à gama.

A produção do modelo C 123 terminou em agosto de 1985 após um ciclo de produção de oito anos e de um total de 99.884 unidades produzidas. A versão mais rara era o modelo 280 C, do qual apenas foram fabricadas 3704 unidades num período de três anos e meio, enquanto o mais bem-sucedido foi a versão 280 CE, do qual foram produzidas 32.138 unidades.

O primeiro Classe E com vista para o céu

Em março de 1987, a Mercedes-Benz apresentou o novo coupé da série de modelos 124 no Salão de Genebra – no verão de 1993, recebeu o título “Classe E Coupé”. Mas esse não foi o único veículo de duas portas da série de modelos a ser lançado: 1991 foi o ano do primeiro cabriolet neste segmento.

A série de modelos 124 deu continuidade à vigorosa tradição de modelos coupé de quatro lugares da Mercedes-Benz neste segmento de mercado. Tal como no caso dos seus antecessores, os engenheiros e designers tomaram o limousine como os seus pontos de partida a nível tecnológico e também criaram o coupé com base na versão de quatro portas no que diz respeito ao estilo. Todavia, o coupé destaca-se pela distância entre eixos reduzida em 85 milímetros para os 2715 milímetros, tornando-se mais compacto e desportivo. Os painéis laterais, o tejadilho e a secção traseira foram significativamente modificados, mantendo apenas a secção dianteira substancialmente inalterada relativamente ao limousine.

No que diz respeito à segurança passiva, apesar das adaptações consideráveis à estrutura da carroçaria, os engenheiros compensaram a omissão dos pilares B reforçando os pilares A, as longarinas e as portas através da utilização de uma elevação da proporção de painéis de aço de elevada resistência.

A gama de modelos incluía inicialmente as versões 230 CE (132 CV) e 300 CE (180 CV), chegando mais tarde, em 1989, uma gama de modelos totalmente redesenhada. O novo topo de gama era a versão 300 CE-24 (220 CV) com motor de 3.0 litros de quatro válvulas do modelo desportivo 300 SL-24 (R 129). O equipamento disponível incluía jantes de liga leve, vidros elétricos, volante e alavanca de velocidades revestidos em pele, revestimento em madeira de nogueira e luzes de sinalização de porta aberta nas portas. Quando a remodelada série de modelos 124 foi lançada no outono de 1992 com novos motores e revestimentos, os motores dos coupés foram totalmente convertidos para a tecnologia de quatro válvulas. A gama de motores disponíveis incluía agora o motor de 3.2 litros de quatro válvulas na versão 320 CE (220 CV), adotado do Classe S da série de modelos 140.

Em 1991, a Mercedes-Benz lançou o cabriolet da série de modelos 124 no Salão de Frankfurt para criar uma ligação entre o prazer de condução com capota aberta e as virtudes estabelecidas da série de modelos. O cabriolet de quatro lugares com capota de lona foi o primeiro veículo deste tipo da Mercedes-Benz após um longo interregno de 20 anos. A capota de lona retrátil de 43 quilos era constituída por um sistema articulado de 27 peças e 34 articulações. O 300 CE-24 cabriolet foi disponibilizado ao público a partir da primavera de 1992.

Os engenheiros fizeram todos os esforços para desenvolver o cabriolet com base no coupé. Parte deste esforço foi aplicado na criação de uma carroçaria mais rígida, para tornar o modelo de quatro lugares tão confortável e seguro quanto os restantes membros da família. Para esta finalidade, cerca de mil componentes foram totalmente redesenhados. Os componentes estruturais foram produzidos a partir de chapa de aço mais espessa ou de elevada resistência. As áreas sujeitas a uma maior tensão foram adicionalmente reforçadas com duplas estruturas, chapas de ligação ou nervuras de reforço. Para a proteção na eventualidade de um capotamento, os pilares A foram soldados para formar uma unidade robusta nas secções vulneráveis à deformação, tendo sido também instalada uma barra anticapotamento acionada automaticamente.

O primeiro Classe E e os motores topo de gama da AMG

Em junho de 1993, a Mercedes-Benz apresentou o facelift da série 124. Tal como no caso de todas as restantes versões da série de modelos, o cabriolet recebia agora o título Classe E. Os modelos de duas portas seriam ligeiramente redesenhados, com a renovada grelha do radiador, conhecida do Classe S e que se prolongava agora pelo capot, e ainda a nova posição da estrela Mercedes no capot. As versões de quatro cilindros E 200 (136 CV) e E 220 (150 CV) bem como a de seis cilindros E 320 (220 CV) eram os modelos disponíveis.

Mercedes-Benz 320 CE (C 124).

O novo motor topo de gama para os modelos coupé e cabriolet de 1993 era o E 36 AMG (272 CV), disponibilizados ao público a partir do outono de 1993. Entre 1987 e 1996, foi fabricado um total de 141.498 modelos coupé da série de modelos C 124, enquanto de 1991 a 1997 foi produzido um total de 33.952 modelos cabriolet da série de modelos A 124.

O CLK aceita o testemunho

No Salão de Genebra de 1993, a Mercedes-Benz apresentou um outro conceito de coupé. O modelo de quatro lugares e de duas portas revelou um novo visual de “duplo farol” da Mercedes-Benz, que fez a sua estreia em 1995 no Classe E da série de modelos 210. Contudo, os potenciais compradores interessados tiveram de aguardar até 1997. Só nesse ano o CLK Coupé (série de modelos 208), que revelava uma surpreendente semelhança com o concept, foi lançado no mercado.

O novo CLK teve a sua estreia no Salão de Detroit, em janeiro de 1997. Tecnologicamente, o modelo de duas portas era baseado no então atual Classe C (série de modelos 202). Mas, na qualidade de um coupé de quatro lugares de pleno direito, deu continuidade à tradicional abordagem dos modelos Classe E Coupé. Em 1998, o CLK Cabriolet da série de modelos 208 foi também disponibilizado ao público. A gama de motores disponíveis no coupé abrangia desde o quatro cilindros CLK 200 (136 CV) até ao V8 topo de gama do modelo CLK 430 (279 CV). A versão V6 do CLK 320 (218 CV) era o cabriolet mais potente na gama.

Em 1999, ambas as versões da família CLK foram significativamente aperfeiçoadas no âmbito de um facelift, assistindo-se também à chegada de um novo motor topo de gama na forma do CLK 55 AMG de 347 CV. A mais desportiva série de modelos 208 comprovou ser extremamente bem-sucedida: entre 1997 e 2002, a Mercedes-Benz produziu 233.367 unidades de modelos CLK Coupé e entre 1998 e 2003 um total de 115.161 unidades de modelos CLK Cabriolet.

O segundo Mercedes-Benz CLK

Na primavera de 2002, a marca deu continuidade à sua tradição com o CLK da série de modelos 209. O coupé foi primeiro apresentado no Salão de Genebra, exibindo características estilísticas adequadas como a linha contínua dos vidros laterais sem moldura e de abertura total, a grelha do radiador característica da marca com a estrela Mercedes posicionada ao centro e o recém-criado visual de duplo farol.

Na primavera de 2003, o cabriolet da série de modelos 209 foi também disponibilizado ao público. A capota de lona de três camadas também oferecia um isolamento exemplar a nível térmico e acústico. Ambas as variantes apresentavam maiores dimensões relativamente aos modelos antecessores, que beneficiavam os ocupantes graças ao maior espaço e a um melhor nível de conforto. A gama de potência disponível para o coupé e cabriolet iniciava-se nos 163 CV até aos 367 CV, sendo idêntica para ambos. Uma novidade no coupé era o CLK 270 CDI, que estava equipado com um moderno motor Diesel de cinco cilindros com uma potência de 170 CV.

Mercedes-Benz CLK Cabriolet (A 208).

A carroçaria também foi evoluída em termos tecnológicos. A rigidez torsional da estrutura do coupé tinha sido melhorada em 40%. A rigidez torsional do cabriolet, um tema importante para os veículos sem tejadilho (com capota), era cerca de 12% superior relativamente ao modelo antecessor.

O CLK marcou também presença nos grandes prémios de Formula 1: desde 1997 até 1999, o CLK 55 AMG (C 208) foi o Safety Car oficial nos grandes prémios de Formula 1. A série de modelos 209 foi representada por dois Safety Cars: o CLK 55 AMG, utilizado na temporada de 2003, enquanto o CLK 63 AMG nas temporadas de 2006 e 2007.

Facelifts CLK Coupé e Cabriolet

No início do verão de 2005, o modelo foi sujeito a uma extensa remodelação. Em ambas as versões de carroçaria, o CLK 350 (272 CV) substituiu o anterior CLK 320, enquanto o CLK 280 com um motor V6 de 231 CV foi acrescentado à gama. Desde então, o coupé também estaria disponível na versão CLK 220 CDI com um motor de 150 CV. Os clientes podiam então encomendar o cabriolet na versão CLK 320 CDI.

Em 2006, o exclusivo modelo de elevada potência, o CLK 63 AMG com um motor de 481 CV em ambas as versões de carroçaria, celebrou a sua estreia. O CLK 63 AMG Black Series com um motor de 507 CV, que estava exclusivamente disponível na variante coupé, colocou a “cereja em cima do bolo”. No verão de 2006, o CLK 500 Coupé seria equipado com um novo motor V8 com uma potência de 388 CV. No Salão de Paris, em 2004, a Mercedes-Benz apresentou uma série especial do CLK 500 Cabriolet limitada a 100 unidades, com um excecional conceito de cores e materiais, criado pelo designer de moda Italiano, Giorgio Armani.

A série de modelos 209 da Mercedes-Benz apelava a um leque de clientes ainda mais amplo comparativamente ao primeiro CLK. Desde 2002 até 2008, a empresa fabricou nada menos que 240.878 unidades do modelo CLK Coupé e de 2003 até 2009 produziu 140.139 unidades do CLK Cabriolet.

Primavera de 2009: estreia da série de modelos 207

Em março de 2009, os modelos de duas portas regressaram oficialmente à gama do Classe E, dando desta forma continuidade à tradição. No Salão de Genebra o Mercedes-Benz Classe E Coupé na série de modelos 207 celebrava a sua apresentação ao público.

Na primavera de 2010, seguiu-se o cabriolet da série de modelos 207. A sua capota otimizada a nível acústico proporcionava o mais baixo nível de ruído do seu segmento, mesmo quando o veículo era conduzido a alta velocidade. O opcional sistema inovador AIRCAP, que reduziu a turbulência do ar no interior do veículo e consequentemente também o ruído do deslocamento do ar, forneceu um excecional conforto durante a condução com a capota aberta. O sistema de aquecimento da zona da cabeça AIRSCARF também estava disponível como equipamento opcional – este sistema permitiu prolongar o período sazonal de condução com capota aberta, fornecendo um maior conforto mesmo quando a temperatura do ar exterior era baixa.

A gama de motores disponíveis era extensa. Por exemplo, estavam disponíveis dois novos modelos de quatro cilindros, o E 250 CDI BlueEFFICIENCY com um motor Diesel e o E 250 CGI BlueEFFICIENCY com um motor a gasolina. Ambos os motores estavam equipados com tecnologia de injeção direta e produziam uma potência de 204 CV. O anterior motor V6 a gasolina era substituído no E 350 CGI BlueEFFICIENCY por um motor de seis cilindros com injeção direta de gasolina, com 292 CV. O modelo porta-estandarte era o E 500 com um motor V8 que produzia uma potência de 388 CV.

No início de 2013, a Mercedes-Benz revelou a remodelada série de modelos 207. Em termos visuais, o coupé e o cabriolet eram moldados com vista a uma maior conformidade com o novo idioma de design da Mercedes-Benz. A seleção de sistemas de assistência orientados para o futuro também foi alargada, como o foi a gama de motores disponíveis. Estavam agora disponíveis seis motores a gasolina com potências desde 184 CV até 408 CV e três motores Diesel com níveis de potência entre 170 CV e 252 CV. Eram agora disponibilizados eficientes motores de quatro cilindros, bem como uma versão de seis cilindros que, pela primeira vez, estava disponível na versão E 400 com sobrealimentação de ar por dois turbocompressores e com uma potência de 333 CV.

Em dezembro de 2016, a produção dos modelos Classe E Coupé e Cabriolet da série de modelos 207 chegou ao fim. Desde o final de 2008 até 2016, a empresa produziu 221.556 unidades do modelo coupé e de 2009 até 2016 produziu 140.925 unidades do cabriolet.

O novo Classe E Coupé da série de modelos 238 celebrou a sua estreia mundial em dezembro de 2016 e foi exibido pela primeira vez num certame internacional em janeiro de 2017 por ocasião do NAIAS em Detroit. Seguiu-se o cabriolet no Salão de Genebra em março, que deu início ao próximo capítulo na Mercedes-Benz numa história de sucesso de elegância desportiva.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.