O mercado automóvel europeu teve o seu melhor primeiro semestre do século, com 8.6 milhões de veículos vendidos entre janeiro e junho de 2018, uma melhoria de 2,7% face ao mesmo período do ano passado. Noutro dado interessante, as vendas de automóveis Diesel caíram 17% em igual período.
Estes resultados, anunciados pela JATO Dynamics, entidade que analisa o mercado automóvel global, dá conta de um cenário positivo na indústria automóvel atual, com as matrículas de novos modelos a assumirem um valor crescente face ao ano passado, apesar de incógnitas como a prestação do Reino Unido em sequência do ‘Brexit’, com esse país a cair 6,3% face ao primeiro semestre de 2017.
Contudo, essa quebra foi compensada pelos crescimentos obtidos por países como Alemanha, França e Espanha, além dos alcançados noutras economias de média dimensão como a Polónia, Suécia ou Países Baixos. Em Portugal, o aumento foi de 5,3%, equivalente a 133.173 unidades.
O crescimento, aponta ainda aquela entidade, reflete também o número crescente de automóveis no mercado, com Felipe Muñoz, analista da JATO, a explicar que “tal se deveu ao facto de os consumidores terem agora mais escolha do que nunca”, sobretudo, com a diversificação de veículos de estilo SUV, uma moda que continua a ser muito bem acolhida em toda a Europa.
Quanto ao Diesel, este combustível voltou a cair fortemente, com os valores do primeiro semestre a alcançarem a sua quota mais baixa desde 2001: apenas 37% do mercado de automóveis vendidos tinham como combustível o gasóleo, uma queda que resulta das descidas registadas em países como a Noruega (-32%), Eslovénia (-28%), Finlândia (-20%) ou Bélgica (-20%). Face a igual período de 2017, a quebra foi de 17%.
“A crise dos Diesel certamente que afetou a velocidade de crescimento do mercado, mas os consumidores estão a compensar isso ao virar-se para soluções mais atrativas a gasolina e de combustíveis alternativos (AFV)”, acrescenta Munoz.
Os AFV, respeitantes a modelos elétricos, híbridos e Plug-in híbridos, cresceram 31%, ou seja, 450.200 unidades, um total de 5,4% do mercado. Nalguns países, como a Noruega, a quota dos elétricos ascende aos 56% do total, mas na Alemanha, o maior mercado da Europa, o valor dos AFV ascende aos 3,4%. O grande ganho em termos de quota está, por isso, nos modelos com motores a gasolina, que sobem exponencialmente de um ano para o outro.
SUV: A moda não esmorece
Numa tradição que se mostra contínua, os SUV continuam a ganhar terreno aos demais estilos de carroçaria, com um total de 2,92 milhões de unidades do género no primeiro semestre. Trata-se do melhor desempenho de sempre para este segmento no Velho Continente, de acordo com os dados revelados pela JATO Dynamics, um aumento de 24% face ao primeiro semestre do ano passado e um crescimento de 30% em junho (face ao mês de 2017).
O grande impulso no segmento SUV deveu-se aos SUV mais pequenos, que tiveram um recorde de 1.08 milhões de registos, embora continuam a ser os de média dimensão aqueles que mais contribuem para o sucesso do segmento: 1.24 milhões e 455.400 novos registos nos primeiros seis meses.
Já o apelo dos carros mais compactos, de um espectro amplo que vai dos citadinos aos modelos de luxo, prosseguiu a tendência de queda: menos 4% para 4.85 milhões e uma quebra de 2% para os modelos de segmento inferior (1.77 milhões). Mas a maior ‘vítima’ da ascensão dos SUV foi o segmento dos mini-monovolumes (MPV), com registos inferiores em 23% face ao ano passado, para apenas 532.600 unidades registadas, o menor resultado dos últimos dez anos.
Grupo Volkswagen na frente
O Grupo Volkswagen mantém-se como o fabricante de topo na Europa, tirando máximo partido da sua gama de SUV composta pelo T-ROC, Tiguan e, muito em breve, pelo Touareg. Aliás, o modelo produzido em Portugal (Palmela) está a tornar-se rapidamente num dos mais bem-sucedidos da Europa. Os SUV da marca cresceram um valor de 42% em contraponto com os 3% dos modelos compactos tradicionais.
Entretanto, a PSA está em segundo lugar, com um crescimento moderado devido à prestação da Opel que de acordo com a JATO, teve uma queda de 6% de ano para ano. A Renault-Nissan fica com o terceiro lugar na lista dos maiores grupos europeus, embora tenha perdido quota de mercado por ação de “estagnação” nas marcas Renault e Nissan, embora a Dacia tenha compensado esse facto com um crescimento orientado pela chegada de modelos como o Duster de nova geração.