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MotoGP: Temporada de 2020 pode ser anulada na pior das hipóteses

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O responsável máximo pelo Campeonato do Mundo de Motociclismo (MotoGP), Carmelo Ezpeleta, da Dorna, é a primeira figura de proa a admitir que a temporada de 2020 daquela modalidade poderá simplesmente não se realizar devido à pandemia de Covid-19. Mas garante que esse é o cenário mais extremo, o qual ainda não está perto de se verificar.

Embora as duas categorias inferiores – Moto2 e Moto3 – tenham decorrido no Qatar, em março, a corrida da categoria rainha, MotoGP, na qual compete o português Miguel Oliveira, foi cancelada uma semana antes da mesma se realizar, com as provas seguintes a sofrerem o mesmo destino – adiamento para uma data posterior.

Contudo, tal como sucede com outros desportos, como o Europeu de Futebol ou os Jogos Olímpicos (no Japão), o Covid-19 começa a deixar marcas de difícil absorção. Até ao momento, o GP da Alemanha, previsto para 21 de junho, é assumido como ponto de partida para a temporada, mas Ezpeleta deixa já de pé a hipótese de, pura e simplesmente, não existir temporada de 2020.

“No pior dos nossos pesadelos, pensamos isso. Teríamos de analisá-lo, mas ainda há tempo. Claro que poderão não haver corridas, mas espero que não, não pelas corridas, mas sim pela Humanidade”, disse aquele responsável em entrevista ao La Razón, assumindo ainda que procura “alternativas de quase qualquer tipo”. Em cima da mesa, corridas sem público.

“É melhor fazer uma corrida à porta fechada do que não realizá-la. Agora, é verdade que as condições económicas para um promotor que não pode ter público, não podem ser as mesmas”, assume, mostrando ainda contenção na abordagem à situação, sem cancelamentos precipitados.

Ajuda às equipas

Sem corridas e sem receitas, mas com gastos com pessoal e contas a fornecedores, as equipas enfrentam um momento particularmente complicado, algo que também é reconhecido por Carmelo Ezpeleta e pela Dorna, entidade que ainda esta semana anunciou uma série de ajudas económicas às formações do campeonato para que “se mantenham vivas”.

“Estamos preocupados com a saúde económica dos privados e estamos a gerir ajudas para que possam sobreviver nos próximos três meses. Se não há corridas, não recebem dinheiro dos patrocinadores e, no entanto, têm de pagar as suas contas”, afirmou.

Mesmo que não se saiba quando poderá começar a temporada ou em que moldes, o calendário poderá ser bastante mais reduzido face ao original. Os regulamentos desportivos da Federação Internacional do Motociclismo (FIM) dita um mínimo de 13 corridas para que uma temporada possa ser homologada, mas Ezpelete admite que os tempos extraordinários poderão levar a uma reformulação dessa regra: “O contrato diz que tem de haver um minímo de 13 corridas em condições normais e não é o caso. De acordo com a FIM, faremos as corridas que possamos, como e quando pudermos”.