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Dez carros que foram uma má ideia

ALFA ROMEO ARNA (1983-1987) Numa época em que as marcas japonesas tinham acesso limitado ao mercado europeu, a Nissan e a Alfa Romeo chegaram a acordo para a marca italiana vender o Nissan Cherry, com motores e transmissões Alfasud e uma nova suspensão dianteira. Mas a aparência banal do carro cortava com o estilo natural da Alfa e o projeto terminou com vendas de 53 mil unidades, quando o objetivo era lutar contra o VW Golf. A Alfa Romeo já tinha problemas financeiros e a nova dona, a Fiat mandou terminar a parceria.
CITROËN AXEL (1984-1990) Um dos vários projetos da Citroën para tentar substituir o 2CV, o Project Y acabou por ser vendido para a Roménia para dar origem ao Oltcit. O carro foi exportado para a Europa ocidental com a marca Citrën, mas como parecia um Visa mais barato e de menor qualidade sem as portas de trás, nunca foi muito popular. A chegada do mais moderno AX levou à sua marginalização, e apenas foram produzidas 60 mil unidades.
FIAT RITMO (1978-1988) Com um visual marcadamente distinto dos seus concorrentes e cinco portas, o Fiat Ritmo podia ter sido um dos veículos mais importantes da história da marca italiana. E se é verdade que 1,7 milhões de unidades chegaram às estradas, também é verdade que muitas delas hoje não existem. Problemas de fiabilidade e ferrugem na carroçaria estragaram a sua reputação fora de Itália e nem as modernizações de 1982 e 1985 ajudaram. Por causa disso, futuros modelos do segmento médio ficaram aquém dos resultados da concorrência.
FORD PROBE (1989-1997) A Ford tinha grandes planos para o Probe: substituir o Capri na Europa e o Mustang na América. Mas como era basicamente o Mazda MX-6 (um derivado da berlina 626) com um símbolo da Ford à frente, o público europeu não lhe ligou muito. O Probe só chegou à Europa em 1994, com tração dianteira e um motor V6 não muito desenvolvido, e falhou em bater-se de igual para igual com outros carros similares. Em 1997, ganhou um substituto que foi ligeiramente menos anónimo, o Cougar.
LOTUS ELAN M100 (1989-1995) Nos anos 80, a General Motors era proprietária da Lotus e da Isuzu. Então, algum executivo achou boa ideia juntar os dois. O resultado foi um roadster de tração dianteira, derivado do Isuzu Piazza, que não tinha absolutamente nada em comum com qualquer modelo anterior da Lotus. O comportamento era surpreendentemente bom, dadas as expectativas, mas os fãs da marca reagiram mal e apenas 4655 foram vendidos. O projeto foi depois vendido à Kia, que comerciou o Elan na Coreia por três anos.
MAZDA 121 (1996-2002) Nos anos 90, a Ford e a Mazda eram aliadas e partilhavam muitos componentes. A marca japonesa tinha falhado em obter sucesso com o 121 no mercado europeu face às marcas europeias. Então, para poupar recursos, foi decidido colocar um símbolo da Mazda no Ford Fiesta, resolvendo logo o problema. Pior a emenda que o soneto, pois embora tivesse melhores resultados de fiabilidade, sofria de uma grande falta de identidade, já que não havia quase nada que o diferenciasse do Fiesta.
MORRIS MARINA (1971-1980) Foi bastante popular, especialmente no Reino Unido, e foram vendidas 800 mil unidades, mas o carro teve sérios problemas de desenvolvimento, que quase impediam o carro de curvar nos primeiros anos, e a qualidade dos metais na carroçaria era péssima, enferrujando facilmente. Por isso, e com os problemas da British Leyland, eventualmente levou ao fecho da marca Morris e à reorganização da BL como Grupo Austin-Rover. Foto NZ Car Freak - CC BY 2.0
RENAULT 14 (1976-1983) Foi concebido para ser um concorrente direto do VW Golf, com uma carroçaria de dois volumes, mas não deixou grande marca na história da marca. O R14 vendeu quase um milhão de unidades, mas a sua imagem foi prejudicada no início por um "faux pas" na publicidade, e depois ganhou notoriedade por enferrujar facilmente. A Renault também usou motores Peugeot neste carro, uma ideia estranha.
TALBOT TAGORA (1980-1983) O Grupo PSA foi obrigado a construí-lo, depois de comprar a Chrysler Europe, pois o projeto já estava feito. No entanto, para poupar dinheiro, tentaram instalar a mecânica do Peugeot 505 por baixo e a suspensão quase não cabia. Com um preço comparável ao do maior Peugeot 604 dentro do Grupo PSA, falhou em convencer o público e apenas 20 mil foram produzidos. O grupo francês também acabou com a marca Talbot nessa altura, pois nenhum dos modelos tinha grande sucesso. Foto Charles01 CC BY-SA 3.0
VOLKSWAGEN K70 (1969-1974) Começou a vida como NSU, até a VW comprar a Auto Union (para ficar com a Audi). O K70 permitiu à VW substituir os antigos motores refrigerados a ar por unidades mais modernas com refrigeração por água, mas o K70 teve uma má imagem que não merecia, relacionada com a perceção da falta de fiabilidade da NSU, e o público preferiu o equivalente Audi 100. Até mesmo o antigo VW 411, ainda com motor do Carocha, tinha mais sucesso no mesmo segmento, e apenas 200 mil foram produzidos, mas a VW conseguiu aproveitar a lição para criar o bem sucedido Passat.

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O mercado automóvel é muito competitivo e, embora todos os construtores tentem fazer um produto superior ao da concorrência, por vezes o resultado não é esperado. Problemas com as origens dos materiais, perceção do público, alianças pouco recomendáveis, falta de personalidade ou mesmo personalidade a mais, tudo isso pode contribuir para transformar um esperado sucesso num falhanço.

Este são 10 automóveis que foram mal recebidos pelo público ou que acabaram por contribuir para uma má imagem da marca no seu segmento, e quase todos foram vendidos nos anos 80 e 90, as décadas onde muitas das marcas tiveram que se renovar para lidar com um público mais exigente, mais evolução tecnológica e as necessidades da globalização.