A Porsche comemora 70 anos em 2018 e nada melhor do que recordar alguns dos modelos icónicos entre os desportivos que a companhia de Estugarda produziu ao longo das últimas décadas.
Poucos números traduzem tamanha mística como aquele que a Porsche ‘desencantou’ para o seu modelo ‘rei’ – 911. E é preciso recuar até meados do século XX para se encontrar a sua origem. Com o 356 1500 Speedster a reunir cada vez mais sucesso e admiradores, a Porsche continuava a ter como objetivo desenvolver um desportivo acessível, competente e que oferecesse prazer de condução.
Ferdinand Porsche idealizou o modelo em 1959, sucedendo ao 356 e melhorando-o em praticamente todos os aspetos, a começar pela potência e pelas dimensões. Mas, se hoje é internacionalmente conhecido e reverenciado por uma grande falange de entusiastas automóveis, a designação 911 poderia nunca ter sido oficial.
Isto porque o nome original pensado para este Porsche era 901, do qual se produziram 82 unidades para testes e ensaios de desenvolvimento.
Contudo, o facto de a Peugeot ter protestado a utilização do nome para um dos seus modelos – argumentando ter os direitos para designações de três dígitos com um zero no meio (106, 504, 208, 308, 405…) em solo gaulês – obrigou a que na Alemanha se pensasse num outro nome – 911.
A marca, que havia pesquisado aturadamente todas as bases de dados, não havia descoberto nenhum carro com a designação 901, mas a Peugeot garantiu que tinha os ‘direitos’ sobre a tal norma dos três dígitos com um zero ao meio.
De forma curiosa, durante muito tempo, os carros que saíram da linha de montagem da Porsche tinham o código interno do projeto em diversos locais, o 901. A produção dos 911 iniciou-se em setembro de 1964, depois de ter contado com excelente aceitação no Salão de Frankfurt de 1963, quando recebeu os ‘holofotes’ pela primeira vez.
As primeiras unidades do 911 contavam com motor ‘flat-six’, de seis cilindros horizontalmente opostos e posicionamento traseiro de 130 CV, com uma cilindrada de apenas 1991 cc. Contava com caixas manuais de quatro ou de cinco velocidades.
Embora pudesse ser um carro versátil, o 901 (ou 911) estava pensado para ser um desportivo de dois lugares com dois lugares pequenos atrás, que eram muito pequenos para adultos. Tinha, portanto, uma configuração 2+2.