Se os veículos elétricos trazem uma revolução nas emissões poluentes, também trazem consigo um aumento da pressão sobre as redes elétricas. Com isso em perspetiva, o Governo britânico pediu à divisão lusa da Hitachi Vantara uma análise da sua rede e dos pontos a melhorar para lidar com o número crescente de elétricos ligados às tomadas.

A adoção em massa de veículos elétricos trará consigo um impacto nas redes elétricas de cada país, restando saber qual a sua dimensão. Para avaliar essa circunstância no Reino Unido, a divisão portuguesa da Hitachi Vantara foi incumbida pelo Governo britânico de fazer um levantamento dos desafios e exigências decorrentes do número cada vez maior de veículos elétricos nas estradas.

O projeto ‘Optimise Prime’ pretende reunir dados relevantes e perceber como é que as redes de distribuição de eletricidade irão lidar com o previsível aumento de veículos elétricos nas estradas, sobretudo, quando as exigências do carregamento se tornarem múltiplas e coincidentes entre si.

A analisar e interpretar esses dados está a divisão portuguesa da Hitachi Vantara, com Jorge Antunes, diretor para a região EMEA daquela companhia, a explicar que este é um projeto importante na medida em que o aumento de veículos elétricos nas frotas dos diferentes países poderá “levar ao colapso da rede de distribuição de energia, devido às necessidades de carregamento”.

Atendendo a que prevenir é preferível a remediar, o projeto ‘Optimise Prime’ tem por objetivo “estudar tanto o comportamento dos veículos domésticos como o dos comerciais, que representam um desafio acrescido, na medida em que precisam de ser carregados mais frequentemente e de ter ao dispor vários pontos de carregamento. Contudo, criar esta infraestrutura sem uma análise das necessidades representaria um custo elevado, que se refletiria nas contas de eletricidade da população ou da própria frota, fatores que desincentivam a adoção desta alternativa de mobilidade. Assim, este projeto pretende identificar as necessidades que frotas elétricas de diversos serviços de transportes e entregas têm e desenhar possíveis respostas. Este é, atualmente, o maior projeto a nível mundial com veículos elétricos comerciais”.

Planear e prever

Integrada neste projeto está uma equipa intersetorial de operadores de rede de distribuição, operadores de frotas e veículos de aluguer privado (como os da Uber e dos correios britânicos), bem como fornecedores de tecnologia para ajudar as redes a planear e promover a adoção em grande escala dos veículos elétricos.

“Colocando o projeto em termos práticos, se nos basearmos nas necessidades de exemplos atuais dos veículos a combustíveis fósseis, conseguimos estimar quais vão ser as necessidades de carregamento futuras. Se tivermos 100 veículos numa cidade que funcionam com Diesel e se considerarmos que 80% dos mesmos serão convertidos em veículos elétricos, será necessário saber a seguir onde é que vamos colocar os postos de carregamento adicionais para serem úteis a estes veículos. No entanto, existem algumas limitações e esta previsão torna-se complexa, uma vez que os padrões de consumo e de utilização são bastante diferentes dos veículos Diesel. No fundo, o que vai permitir este estudo é a compreensão em detalhe dessa dispersão de perfis de carregamento e de utilização para poder estimar como deve ser feita a distribuição da futura rede”, complementa Jorge Antunes.

Adianta, ainda, que a Hitachi Vantara em Portugal ficou com a “responsabilidade da recolha e tratamento dos dados dos 3000 veículos elétricos envolvidos no projeto, através da plataforma de Internet of Things ‘Lumada’, para depois, com base nesta informação, ser possível trabalhar modelos de tarifas e de consumo que permitam aos diversos operadores de energia prestar um serviço fiável e a preços interessantes”.

Conclusões globais

De acordo com o responsável nacional pelo ‘Optimise Prime’, este projeto é exclusivo do Reino Unido, mas admite que possa ser catalisador para outros de índole semelhante noutros países. “Este projeto-piloto poderá ser útil para que outros países ou até mesmo entidades privadas que tenham interesse em transitar a sua frota movida a energia fóssil para
inteiramente elétrica, apresentem um plano viável com resultados já previamente demonstrados, otimizando assim tempo e recursos. Através dos resultados deste projeto, os gestores de frota poderão conseguir estabelecer
diálogos com os governos dos seus países para que se iniciem estudos parecidos com o objetivo de, a médio prazo, se realizar uma transição geral que
beneficiaria não só as empresas como também a esfera ambiental”.

A escolha da divisão portuguesa da Hitachi Vantara assentou no reconhecimento que existe a nível internacional da qualidade do ensino superior e da engenharia em Portugal, algo que também já havia trazido para o país o desenvolvimento do software de Internet of Things (IoT), há mais de dez anos.

“Portugal tem conquistado o seu reconhecimento a nível europeu e mundial enquanto palco de inovação, muito derivado do talento em engenharia que se forma no ensino superior. Foi esse um dos principais motivos pelos quais a Hitachi se decidiu instalar em Portugal, há mais de dez anos, onde desenvolve o seu software de Internet of Things, Lumada, usado para este projeto. Além do conhecimento que existe neste ambiente académico e, posteriormente, profissional, em Portugal vive-se também uma grande cultura de inovação e empreendedorismo, essenciais em qualquer empresa para se criar realmente soluções inovadoras. O que percebemos também, e daí termos a capacidade na Hitachi Vantara de ter uma equipa sólida e inovadora, é que as pessoas gostam de saber que o seu trabalho tem impacto na comunidade, na sustentabilidade, na criação de novos paradigmas para cada setor”, explica ainda Jorge Antunes.

Os resultados deste estudo, cuja apresentação será também da responsabilidade da equipa lusa da Hitachi Vantara, serão tornados públicos ao longo deste ano e poderão servir para outros governos tomarem medidas antecipadoras.