França quase não tem radares de trânsito a funcionar. Quase 75 por cento dos aparelhos do país foram destruídos, vandalizados ou neutralizados, resultando numa perda estimada de mais de 600 milhões de euros para o Estado francês. As autoridades francesas acusam os “coletes amarelos” de serem os responsáveis pela redução desta infraestrutura, incluindo a redução de emissão de multas por excesso de velocidade e o aumento do número de acidentes rodoviários.
O ministro do Interior de França, Robert Castaner, revelou que grande parte da rede nacional de radares de excesso de velocidade ficou em mau estado, mas apontou para um grande número de aparelhos destruídos, explicando que 75 por cento não estão a funcionar. Para o ministro francês, este número aumentou quando os “coletes amarelos” começaram os seus protestos em novembro passado. O jornal francês Les Échos publicou dados que apontam para uma perda estimada de 209 milhões de euros o ano passado em multas de excesso de velocidade, e mais 455 milhões já este ano. Este valor é baseado nos números anunciados e não leva em conta reparações ou substituições efetuadas aos aparelhos danificados.
A maioria dos automobilistas não tem grande simpatia pela incapacidade dos governos de usarem as multas por excesso de velocidade para se financiarem, mas o executivo francês acredita que esta destruição dos radares fez os condutores terem menos medo de serem apanhados a prevaricar. Como consequência, as velocidades médias e a sinistralidade rodoviária aumentaram em França, subindo 22 por cento em fevereiro em relação ao mês homólogo do ano anterior, com mais 17 por cento de vítimas mortais.