Quando a Porsche anunciou a sua decisão de produzir um automóvel desportivo de estilo SUV, a Porsche surpreendeu a sua legião de adeptos e seguidores, com alguns a temerem mesmo a diluição do legado da marca alemã. Contudo, 20 anos depois, o Cayenne tornou-se numa pedra basilar da estratégia da Porsche e o seu sucesso permitiu à companhia de Estugarda partir para outros segmentos e alavancar outras ambições. Duas décadas depois, já ninguém renega o Cayenne como o ‘filho de um deus menor’. A Porsche teve de tomar algumas decisões importantes em meados da década de 1990, de forma a garantir o sucesso económico a longo prazo. No início daquela década, a empresa viveu uma das crises económicas mais significativas da sua história: estava no ‘vermelho’ e entregou apenas 23.060 automóveis no ano fiscal de 1991/92. Porém, através de um cuidadoso plano de novos produtos, a Porsche logrou voltar aos números positivos.
A primeira geração (E1) tinha possibilidade de escolha entre duas configurações do motor V8: no Cayenne S, o então recém-desenvolvido motor de 4.5 litros produzia 340 CV, enquanto o Cayenne Turbo debitava uns ainda mais impressionantes 450 CV com a mesma cilindrada. A dinâmica em curva era garantida por sistemas eletrónicos como o Porsche Traction Management (PTM), que distribuía a potência entre os eixos dianteiro e traseiro numa relação de 38:62 (variável através de uma embraiagem multidisco e podia implementar qualquer relação de entrega de potência entre 100:0 e 0:100, caso fosse necessário). Longe do alcatrão, os condutores do Cayenne podiam utilizar a caixa de transferência com rácio baixo para melhorar a tração. O bloqueio do diferencial central impedia que as rodas patinassem ou que saíssem do solo. A primeira geração do Cayenne (E1) foi também o primeiro modelo da marca a apresentar o PASM (Porsche Active Suspension Management), oferecido em conjunto com suspensão pneumática. Este sistema regulava de forma continua a força de amortecimento através do cálculo de variáveis como o estado da estrada e o estilo de condução. A suspensão pneumática teve igualmente um papel importante no capítulo de todo-o- terreno: a já impressionante distância ao solo de 21,7 centímetros com suspensão convencional, subiu para os 27,3 centímetros com o apoio do sistema de nivelação incorporado na suspensão pneumática. Em 2006, a Porsche introduziu o Cayenne Turbo S, com motor V8 biturbo de 4.5 litros com 521 CV. Evolução da espécie Ao longo dos anos, com a passagem das diferentes gerações, foram otimizados diversos parâmetros, como o peso ou eficiência. Na segunda geração (E2), foi substituída a caixa de transferência com rácio baixo por um sistema de tração integral com embraiagem multidisco de controlo ativo, sistema esse que ainda hoje é utilizado. A Porsche introduziu ainda motorizações híbridas e híbridas plug-in no completamente redesenhado E2 com diferencial central Torsen. Todos os motores existentes tiveram um incremento de potência, com um consumo de combustível até 23% mais baixo. Para a terceira geração do Cayenne chegaram outras novidades, como a suspensão pneumática de três câmaras e eixo traseiro direcional, os quais foram desenvolvidos especialmente para uma dinâmica de topo e conforto referencial. Adicionalmente, a nova carroçaria em alumínio permitiu poupar peso, tornando o veículo ainda mais eficiente e ágil. De fora das opções ficou a motorização turbodiesel, tendo-se concentrado no desenvolvimento da tecnologia híbrida plug-in. Outro momento marcante foi o lançamento, na primavera de 2019, do ainda mais desportivo Cayenne Coupé com uma linha de tejadilho mais acentuada, como a do 911. Novos mercados, novos clientes Porsche Após a apresentação mundial no Salão Automóvel de Paris em setembro de 2002, o Cayenne tornou-se um sucesso a nível global, rapidamente excedendo as expectativvas de vendas. Originalmente, eram esperadas 25.000 entregas anuais. Nos oito anos da primeira geração, foram vendidos 276.652 veículos – ligeiramente menos do que 35.000 veículos por ano. O primeiro milhão de unidades produzidas foi atingido no verão de 2020.
Para a Porsche, o Cayenne criou a base económica para o sucesso sustentável sem comprometer os valores da marca de automóveis desportivos baseados no desporto automóvel. “Com o Cayenne, conseguimos, pela primeira vez, transferir com sucesso a lenda Porsche para um segmento completamente novo”, disse Oliver Blume, Presidente do Conselho de Administração da Porsche AG, durante a estreia da terceira geração no tejadilho do Porsche Museum, em 2017. “O nosso veículo desportivo no segmento dos SUV provou ser um bestseller e um motor de crescimento desde 2002. E isso não é tudo. O Cayenne abriu as portas a muitos mercados novos para a Porsche e deu um contributo significativo para a internacionalização da nossa rede de vendas”, complementou.