GuiĆ”mos em ItĆ”lia o mais eficaz Aston Martin de sempre. O DB11 abre um novo capĆtulo na história da sofisticada marca britĆ¢nica. Altamente prometedor!
Andy Palmer define a Aston Martin como o mais luxuoso construtor de automóveis desportivos mas recusa a ideia de que a marca Ć© uma espĆ©cie de simbiose entre a Lamborghini e a Rolls Royce. āTemos o nosso próprio lugar; fazemos carros Ćŗnicos porque na Aston Martin amamos os automóveisā.
O Aston Martin DB11 Ć© o primeiro carro de uma nova era. Depois dos dias negros, a marca mudou de mĆ£os e conquistou a confianƧa de investidores que ā asseguram ā querem trazer de volta a glória de outros tempos.
O DB 11 Ć© o ponto de partida para o relanƧamento da Aston Martin, o primeiroproduto de um fortĆssimo investimentos de muitos milhƵes de euros, que permitiu o desenvolvimento de uma nova plataforma e de um novo motor. āPara nós, o caminho era claro: tinhamos que fazer algo absolutamente fantĆ”sticoādiz-nos Simon Sproule, vice presidente da Aston Martin.
E fizeram. Inovando onde era fundamental; respeitando a tradição onde nĆ£o fazia sentido correr riscos. Inovando ao apostar numa estrutura em alumĆnio colado que conjuga elevada rigidez (aumento de 25% face ao DB9) com a modularidade, permitindo que seja partilhada com todos os próximos modelos que se vĆ£o seguir. Preservando aquilo que a Aston Martin sabe fazer como ninguĆ©m, ao nĆvel da definição das formas exteriores de uma elegĆ¢ncia sublime, mas, tambĆ©m, com a eficĆ”cia aerodinĆ¢mica de que os super-desportivos nĆ£o podem prescindir. Para isso a Aston Martin recorreu a algumas soluƧƵes originais, como Ć© o caso das condutas nos flancos, junto aos vidros, que canalizam o ar para a traseira, fazendo-o sair exatamente sobre o pequeno defletor que apenas sobe escassos centĆmetros a partir dos 145 km/h, nĆ£o prejudicando o efeito visual mas garantido o aumento da carga traseira (downforce) indispensĆ”vel para um comportamento ideal em curva. AlĆ©m desta solução patenteada pela Aston Martin que tambĆ©m a frente foi exaustivamente trabalhada, com a colocação criteriosa de saĆdas de ar que evitam a formação de turbilhƵes nas cavas das rodas que prejudicam a estabilidade dianteira.
Mais requinte
Beneficiando de uma plataforma que cresceu 6,5 centĆmetros no comprimento e Ć© tambĆ©m mais larga, o espaƧo no habitĆ”culo aumentou em altura e largura, atĆ© porque a consola central Ć© mais estreita, nĆ£o sendo prejudicada pela decisĆ£o de colocar o motor ainda mais atrĆ”s do eixo anterior do que normalmente acontecia, com o objetivo (alcanƧado) de favorecer a distribuição de peso, fundamental para o desempenho dinĆ¢mico.
O que nĆ£o mudou foi o requinte com que todos os detalhes foram encarados, algo só possĆvel porque todas as operaƧƵes de montagem do interior sĆ£o realizadas. Onde quer que toquemos apenas encontramos pele da melhor qualidade, madeira com um tratamento irrepreensĆvel, ou fibra de carbono a reforƧar a mensagem āhi-techā. Aos bancos ventilados de regulação elĆ©trica, que poderiam oferecer mais apoio lateral mas, porventura, tornar-se-iam menos confortĆ”veis, junta-se agora uma revisĆ£o completa da instrumentação e dos dispositivos de apoio Ć condução, em ambos os casos provenientes da Mercedes, numa colaboração que serĆ” aprofundada no futuro, nomeadamente com a utilização do V8 da AMG no novo Vantage.
Quanto ao display central de 12 polegadas, que concentra todas as principais funƧƵes, incluindo a imagem das camaras que ajudam imenso nas manobras, comandos das luzes e piscas, bem como todo o software (touchpad e comando rotativo de acesso aos menus e ao sistema de navegação) tĆŖm proveniĆŖncia óbvia (Mercedes), mas jĆ” os detalhes do grafismo e a forma como a informação Ć© apresentada ao condutor foi redesenhada para a Aston Martin. Novo Ć© tambĆ©m o volante, com uma boa pega que passa a receber ajustes elĆ©tricos (profundidade e altura da coluna de direção) e onde estĆ£o alojados alguns dos principais comandos. Do lado esquerdo, por exemplo, ajustamos o amortecimento da suspensĆ£o e a rigidez do chassis, estando disponĆveis trĆŖs modos (GT, Sport e Sport+), enquanto do lado direito definimos o temperamento do grupo propulsor (com os mesmos trĆŖs modos), ou seja, o ātimingā de passagem da caixa e a reação ao acelerador, podem ser regulados, sem que tenhamos que prescindir do acerto de chassis que mais nos convĆ©m.
Embora as patilhas de comando da caixa de velocidades sejam agora suficientemente grandes, ainda assim, preferĆamos que elas estivessem solidĆ”rias com o volante, em vez de fixas Ć coluna de direção, o que leva a que, em determinadas posiƧƵes do volante (sobretudo em condução rĆ”pida) seja quase impossĆvel realizar passagens de caixa. Os tĆ©cnicos da Aston Martin dizem-nos que essa operação só Ć© feita quando as rodas estĆ£o quase direitas mas⦠NĆ£o Ć© bem assim!
E nĆ£o Ć© bem assim porque, nĆ£o tendo o torque limitado nos baixos regimes (ao contrĆ”rio daquilo que acontece com a Ferrari, por exemplo), por vezes, Ć saĆda de curvas um pouco mais fechadas, Ć© conveniente āsoltarā algumas rotaƧƵes para nĆ£o castigarmos desnecessariamente o motor e⦠os Bridgestone S007 (nome sugestivo) montados em jantes de 20 polegadas. A vetorização do binĆ”rio dĆ” uma boa ajuda nos trajetos rĆ”pidos mas em curvas fechadas a sua relevĆ¢ncia Ć© menor.
O mais potente
Claro que cabe sempre aqui o argumento de que os clientes Aston Martin tĆŖm outras āprioridadesā mas tendo Ć disposição 608 CV e um impressionante torque de 700 Nm disponĆvel entre as 1500 e as 5000 rpm Ć© legĆtimo um certo patamar de exigĆŖncias. AtĆ© porque os responsĆ”veis da marca foram āconfiantesā ao ponto de permitir que o controlo de tração seja totalmente desligado o que significa que, no limite, estamos perante uma das āmĆ”quinasā de drift mais requintadas do momento.
O DB11 testemunha, sem dĆŗvida, o forte compromisso da Aston Martin com o futuro. Dizemos isto porque, como Ć© sabido, desenvolver um motor Ć© das operaƧƵes mais caras para qualquer construtor e, tendo a necessidade de reduzir consumos e emissƵes, a Aston Martin podia ter tentado fazer alguma coisa a partir do seu velho V12 de 6.0 litros atmosfĆ©rico ou, na impossibilidade de, dessa forma, alcanƧar os valores desejados, podia ter āido Ć s comprasā. Conscientes da tradição, os responsĆ”veis da marca optaram pela solução mais cara, āpor ser aquela que lhes dava mais garantiasā, algo que fica comprovado pelo facto de o novo motor V12 de 5,2 litros ser o mais potente alguma vez produzido pela AM. Algo só possĆvel por via do recurso Ć s tecnologias mais avanƧadas.
AlĆ©m da dupla sobrealimentação (Twin Turbo) que no futuro estarĆ” em todos os motores da marca, destaque para a utilização do start&stop e, principalmente, para a possibilidade de uma das bancadas de cilindros permanecer desligada quando rodamos nos baixos regimes. Desta forma Ć© possĆvel conter os consumos, principalmente na utilização quotidiana, situação em que o DB11 mostra uma importante evolução face ao que acontecia atĆ© aqui. De referir, ainda, que os responsĆ”veis pelo desenvolvimento trabalharam o escape de modo a aproximar o ruĆdo daquele que caraterizava a propulsĆ£o atmosfĆ©rica, pelo que em vez do esperado som mais estridente continuamos a ser brindados com aquele rosnar raivoso de que os clientes da marca tanto gostam.
E se Ć© verdade que nem sempre quem rosna morde, neste caso⦠nĆ£o queiram ver a fera voltada do avesso! A facilidade com que o motor āfazā rotaƧƵes Ć© digna de registo e a excelente gestĆ£o da caixa de oito velocidades (ZF) faz com que, sem darmos por isso, estejamos a andar mesmo muito depressa. Sobretudo quando optamos pelos āsettingsā Sport e Sport Plus a āalmaā desportiva manifesta-se sem restriƧƵes mas, igualmente, sem a agressividade que por vezes caracteriza outros super-desportivos.
Os 322 km/h de velocidade mĆ”xima e os 3,9 segundos na aceleração de 0-100 km/h sĆ£o valores āapenasā alinhados com aquilo que estes automóveis jĆ” oferecem mas aquilo que nos impressiona realmente Ć© a elegĆ¢ncia com que tudo Ć© feito, mostrando-nos que podemos correr os 100 metros barreiras de fato de treino desbotado ou envergando um elegante fato Alexander Amosu, capaz de deixar toda a bancada em ĆŖxtase.
AlĆ©m do irrepreensĆvel āfeelingā da direção, tendo em conta que, pela primeira vez, um Aston Martin recorre Ć assistĆŖncia elĆ©trica, tambĆ©m nos agradou a capacidade de travagem. Neste caso a AM continua a privilegiar os discos em aƧo (de grandes dimensƵes) porque o recurso aos discos cerĆ¢micos, alĆ©m de mais caros, Ć© uma opção apenas vĆ”lida para condução verdadeiramente desportiva, com um āpreƧoā alto em termos de ruĆdo, sobretudo, e eficĆ”cia a frio. Sem sentido faria para um carro como o DB11.
Elevando a patamares inéditos a combinação entre elegância e eficÔcia dinâmica, o novo Aston Martin DB11 tem o preço indicativode 300 mil euros.
JĆŗlio Santos/Turbo
