Mercedes clássicos do caso BPN à venda por 8 milhões de euros

Seis dos Mercedes-Benz que apareciam associados à empresa RO Classic, de Ricardo Oliveira, accionista do BPN — cinco dos quais, não vendidos no leilão da RM Auctions, a 8 de Setembro de 2013 — foram agora colocados à venda num site dedicado a coleccionadores de items da Segunda Guerra Mundial.

Aos cinco lotes por vender, juntou-se um outro, que tinha anteriormente sido identificado como o “Carro do Hitler”, avaliado por algumas fontes em cerca de quatro milhões de euros, mas que acabou por não integrar os lotes do referido leilão, há quatro anos.

Trata-se de um Mercedes-Benz 320 Cabrio E Pullman, de 1939, utilizado em paradas militares, com toda a parafernália nazi, como bandeiras e outros símbolos, equipado com uma segunda velocidade que lhe permite manter indefinidamente uma velocidade de 20 km/h. Nunca vimos qualquer prova de que Adolf Hitler tivesse utilizado este veículo, já que, desde 1937, era habitual que se deslocasse em diversos Mercedes-Benz 770 “Grösser”, o modelo mais dispendioso da marca alemã. A existência deste “Nazi Staffcar” era conhecida à data do leilão, mas o veículo desapareceu de circulação na altura, reaparecendo agora, na companhia dos outros cinco companheiros da colecção de Ricardo Oliveira.

O conjunto de seis automóveis aparece à venda no site “Milweb”, especializado em artigos coleccionáveis da Segunda Guerra Mundial, graças à ligação do Mercedes-Benz 320 às altas patentes nazis.

O vendedor, identificado como Marco Killian e com uma bandeira holandesa associada ao seu nome, confirmou que cinco dos automóveis têm documentos portugueses (o único que não tem documentação portuguesa é o Benz 8/20, de 1913), mas pertencem a uma “holding”, que não quis identificar.

O vendedor indica ainda que os veículos serão vendidos apenas em conjunto. O preço inicialmente pedido era de 8,5 milhões de euros, tendo baixado numa segunda versão do anúncio, para 8 milhões de euros. Killian afirma também que o contrato de transmissão de propriedade será tratado através de um “advogado autorizado, garantindo a segurança de ambas as partes”, uma referência pouco habitual num anúncio de venda de automóveis.

Os outros cinco automóveis faziam parte de um grupo de nove lotes não vendidos naquela que foi apresentada a derradeira colecção Mercedes-Benz, a “Ultimate Mercedes-Benz Collection”, da responsabilidade da RM Auctions (hoje RM Sotheby’s), a 8 de Setembro desse ano.

O mais antigo é um Benz 8/20 Rennwagen, de 1913, cuja estimativa no leilão era de entre 200 a 300 mil libras e cujo lance mais alto foi de 110 mil libras (131 mil euros)

Um Mercedes-Benz 15/70/100 HP Tourer, de 1925, que não tinha sido vendido apesar de ter chegado às 230 000 libras (273 mil euros) – A estimativa era de entre 300 e 400 mil libras.

Também o Mercedes-Benz 540 K Cabriolet A, de 1938, que falhou a venda em Londres, apesar de a licitação ter chegado a 1,4 milhões de libras, o equivalente na altura a 1,66 milhões de euros. A estimativa apontava entre 1,5 e 2 milhões de libras.

Um Mercedes-Benz 170 S coupé, de 1951, o único exemplar conhecido com esta carroçaria, tinha um valor estimado entre 250 e 300 mil libras, mas recebeu apenas uma oferta de 145 mil libras (172 mil euros)

Do mesmo ano é o Mercedes-Benz 220 coupé protótipo, que teve como melhor oferta 230 000 libras (273 mill euros) abaixo da estimativa 250-300 mil libras.

Esta colecção foi reunida em Portugal, entre 2005 e 2010, por Ricardo Oliveira, um dos maiores accionistas privados do BPN/SLN e angariador de negócios para o banco, que foi nacionalizado em 2010.

Após a constituição de Ricardo Oliveira como arguido no chamado processo BPN, soube-se que mais de 70 automóveis da sua colecção tinham sido enviados para Inglaterra, onde foram colocados no referido leilão da RM Auctions.

Apesar de ter rendido quase 11,5 milhões de euros, com as comissões (excluíndo os nove lotes não vendidos, cinco dos quais enquadrados agora neste anúncio), o valor foi considerado baixo, já que as estimativas apontavam para um valor global compreendido entre os 16 e os 20 milhões de euros.

Foi noticiado na altura por diversos meios de comunicação que uma providencia cautelar, interposta pela Parvalorem, empresa que gere os activos tóxicos do BPN, teria arrestado o valor da venda e os automóveis não vendidos.

Em Maio deste ano, um colectivo de juízes do tribunal de Lisboa absolveu Ricardo Oliveira e outros arguidos de um dos processos de que era arguido no âmbito do processo BPN.

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