O Ășnico Ferrari de quatro portas

Desde longa data que a indĂșstria italiana brinda os amantes de automĂłveis com os seus modelos exĂłticos. Por de trĂĄs das tradicionais e bastante conhecidas marcas como a Ferrari, Alfa Romeo, Lancia e Maserati, assenta um nome em tons de legado: Pininfarina.

Em 1980, este conceituado escritĂłrio de design automĂłvel celebrava os seus cinquenta anos de existĂȘncia. Anos estes, marcado por modelos de sucesso, linhas excĂȘntricas e paixĂ”es imediatas. Fundada em 1930, originalmente chamada de Carrozzeria Pinin Farina, foi expandindo a sua capacidade, sendo responsĂĄvel pela criação do design de automĂłveis por encomenda e, opcionalmente, montagem e produção de automĂłveis.
Conhecida pela sua estreita afinidade com a Ferrari, foi em 1951 que as duas companhias uniram esforços para dar vida ao melhor de dois mundos! Responsåvel pelo design, a Pininfarina elevava a beleza e a audåcia aerodinùmica ao nível das performances características da mecùnica Ferrari.

Desta parceria, resultaram grande modelos, modelos aerodinĂąmicos, modelos elegantes, modelos exuberantes! No entanto, o fundador da Pininfarina, Battista Farina, faleceu com o desejo de ver um Ferrari de quatro portas, por realizar. Deste modo, Sergio Pininfarina, seu filho, e responsĂĄvel mĂĄximo da Pininfarina em 1980, decidiu brindar os entusiastas automĂłveis com o Ferrari Pinin, em honra do seu pai.

A tĂ­tulo de curiosidade, Battista Farina, era conhecido como «Pinin» Farina, isto Ă©, o pequeno Farina! No entanto, o seu sucesso foi de tal modo grande, que, em 1961, solicitou que o seu apelido fosse mudado para Pininfarina, nome hoje icĂłnico e representativo de qualidade e excelĂȘncia. O seu pedido foi atendido pelo entĂŁo presidente da repĂșblica italiano, entidade maior naquele paĂ­s, que assim diferiu o seu pedido, em reconhecimento do seu valor meritoso.

Para concretizar este sonho, longas horas de trabalho foram encetadas, sendo que, em 1980, Ă© apresentado o Ferrari Pinin no salĂŁo automĂłvel de Turim.

Pousando ao lado de outras lendas, como o Lancia Astura 1937, o Alfa Romeo Giulietta 1954, o Ferrari 250 GT de 1961, o Pinin encantou com as suas linhas aerodinùmicas, exuberantes e arrojadas. Apelidado por muitos como o carro mais bonito do mundo, o Ferrari Pinin era o centro das atençÔes.

Embora ostentasse a designação de Ferrari, este automóvel foi projectado por iniciativa da Pininfarina, estando a Ferrari responsåvel pelo fornecimento do chassis, partilhando a plataforma com o Ferrari 400GT, e alguma da parte mecùnica. O Ferrari Pinin foi projectado para receber um motor de 12 cilindros em V, cujos cilindros possuíam uma inclinação de 180 graus entre si. Embora pareçam semelhantes, não são motores puramente Boxer. A escolha deste motor em concreto, era óbvia, na medida em que era compacto, leve, e deste modo perfeito para se enquadrar no design jå por si promotor de um baixo centro de gravidade.

Nem o pormenor das jantes foi deixado ao acaso. Dotadas de uma elegùncia própria, os cinco raios que a compunham, formavam uma hélice, o que promovia um efeito de auto-ventilação aos travÔes, melhorando a sua eficåcia.

A preocupação com a aerodinùmica é evidenciada até na colocação dos expressores de ågua e do limpa para brisas, que se encontram «escondidos» até serem activados, deste modo diminuindo o arrasto aerodinùmico ainda mais além.

O equipamento era de topo. Equipado com computador de bordo com diagnostico de anomalias, controlo de consumos, valores de velocidade media, etc, este equipamento era dotado não de um, mas de dois teclados. O ar condicionado automåtico e o controlo eléctrico dos bancos também conferiam um conforto suplementar, complementando a soberba construção interior do veículo, que, na cor tabaco, deslumbrava pela qualidade artística e pelos materiais utilizados.

Desenhado com a finalidade de arrasar a concorrĂȘncia, nomeadamente o Mercedes 450SEL, o Jaguar XJ e o Maserati Quatroporte, o projecto nunca avançou para produção em massa. Embora a pressĂŁo da Pininfarina fosse nesse sentido, a Ferrari nĂŁo quis arriscar a entrada num mercado tĂŁo especĂ­fico e exigente como os Sedans de luxo.

Facto é, que apenas um Ferrari Pinin foi produzido, e o nem motor possuía e/ou possuiu durante décadas! Preservado ao mais ínfimo pormenor, foi leiloado jå por duas vezes, não atingindo a meta do milhão de euros que os analistas esperavam.